Enio Verri: integrantes do governo Temer com ficha criminal ao invés de currículo

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O deputado Enio Verri (PT-PR) observa que o interino Michel Temer (PMDB) tem exigido ficha criminal ao invés de currículo de alguns de seus ministros.

Segundo o colunista, os apoiadores do governo ilegítimo têm “reputação e posições duvidáveis” em comparação a presidente eleita Dilma Rousseff.

Para Enio, os golpistas querem tirar direitos dos trabalhadores, recursos da saúde e educação, ameaçar a cultura e as investigações da

Lava Jato. Abaixo, leia, ouça, comente e compartilhe a íntegra do texto:

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Governo Temer com ficha criminal ao invés de currículo

Enio Verri*

Em meio à crise institucional que o Brasil convive, fruto de um golpe a democracia que estremeceu as relações entre os poderes e ascendeu dúvidas sobre os reais motivos daqueles que votaram pela abertura do processo de impeachment, o País sofre com a desconfiança internacional, do mercado financeiro, dos movimentos sociais, entre outros setores importantes da sociedade.

Suspeitas e questionamentos que pairam sobre um governo ilegítimo – apoiado por líderes políticos, jurídicos, empresariais e midiáticos com ficha criminal, reputação e posições duvidáveis – que colocam em risco não só a democracia brasileira, como ainda, os direitos trabalhistas e previdenciário, além da garantia de investimentos em saúde e educação.

Os perigos que ameaçam as conquistas sociais e econômicas da última década não são resultados de uma ação individual e momentânea, mas sim, de uma estratégia conservadora de propagação do ódio seletivo e criminalização dos movimentos sociais, baseada em hipocrisia. Aécio, citado em diferentes delações premiadas, se beneficia do silêncio midiático e da proteção do STF, que sob a decisão de Gilmar Mendes, autorizou e desautorizou, em menos de 24 horas, investigações contra essas denúncias de corrupção.

Sob a efervescência e desagravos que rondam sobre a publicação das conversas entre o senador Romero Jucá (PMDB) e o ex-senador e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado (PSDB), além da confirmação de esquemas de corrupção entre tucanos e peemedebistas, confirmou as suspeitas de subordinação do STF, a PGR e Ministério da Defesa, que proporcionaram a consumação de um golpe de Estado denunciado no mundo inteiro, em todas as línguas.

Os registros grampeados correram o mundo. Mas, aqui no Brasil, parece uma coisa menor, algo tolerável como se essas instituições e os seus representantes estivessem acima de qualquer possibilidade de questionamento. As leis, transparência pública e satisfação da sociedade é tratada como uma banalidade e desrespeito, como se o “licenciamento” de Jucá respondesse a todos os questionamentos às instituições brasileiras.

Segundo as gravações, fica cristalino até para os mais patriotas de verde e amarelo, que o interesse do afastamento da presidente Dilma Rousseff era interferir e barrar as investigações da operação Lava Jato, responsável pela investigação de uma boa parte dos correligionários, com ficha criminal extensa, que votaram pelo impeachment “contra o fim da corrupção”.

A reboque dos interesses de uma elite financeira e midiática, interrompe-se um breve, mas pujante período de mínima justiça social. A política de retrocesso do programa “Ponte para o Futuro” visa aumentar o exército de mão de obra barata, exterminar a população pobre, entregar as reservas energéticas e empresas estatais e submeter a nação ao capital especulativo.

Um governo provisório e ilegítimo reconhecido pela queda de três ministros em 20 dias, de polêmicas e ameaças ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao Ministério da Cultura, aos direitos das mulheres e ao funcionamento da Lava Jato.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

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