Bruno Meirinho: Não basta ao prefeito ser ético, é preciso que ele seja transparente

fruet_meirinhoBruno Meirinho (PSol), em sua coluna desta sexta (17), defende o empoderamento dos curitibanos para decidir os destinos da cidade. Segundo ele, o atual prefeito Gustavo Fruet (PDT) se destaca pelo “notável imobilismo” e que se sustenta com a imagem “ética” percebida pela opinião pública, que, ainda de acordo com o colunista, teme os ratos, cobras e lagartos, enfim, “a turma da mão grande”.

Meirinho acusa a gestão pedetista pela falta de transparência, pois, de acordo com ele, as caixas pretas ainda precisam ser abertas. É nesse contexto que o articulista sugere que a Prefeitura de Curitiba se abra à participação popular. Para Meirinho, não basta o prefeito ser ético, é preciso que ele também seja transparente. Leia, comente, compartilhe a íntegra do texto abaixo:

Por uma Curitiba mais participativa e solidária

Bruno Meirinho*

Neste último ano do mandato do prefeito Gustavo Fruet, o relatório de realizações da gestão não consegue sair da primeira página. Notável pelo imobilismo, o atual governo municipal ainda se sustenta na imagem “ética” percebida pela opinião pública.

É sinal do medo, legítimo, da população de Curitiba diante dos ratos, cobras e lagartos que se credenciam para assumir o posto máximo da cidade. Seria melhor um governo que não faz nada do que a turma da mão grande!

Com esse cenário, juntamente com a atual turbulência política nacional que praticamente aniquilou qualquer debate sobre os assuntos locais, a tendência é que a cidade se torne mais medíocre, conformando-se com pouco ou nada em troca de um suposto padrão ético.

Eis um dos dilemas da política nacional: é urgente o enfrentamento contra a bandalheira e a absoluta falta de padrão ético e moral que dominam a política brasileira, mas não devemos nos conformar com políticos que sejam “apenas” honestos. A honestidade é o mínimo, precisamos também de lideranças com projeto de cidade, de estado, de país.

A esse respeito, Fruet defende-se afirmando que sua gestão não teve muita margem de manobra diante da famosa herança maldita, que todos os governos antecessores deixam aos seus sucessores. Trata-se das dívidas e do caixa zerado que o prefeito anterior deixou para o novo prefeito que veio, supostamente, com muita vontade e novidade, mas não fez nada porque não era possível fazer, sem dinheiro.

Estamos certos de que problemas financeiros podem ser graves a ponto de paralisar a gestão pública, e todos são testemunhas das dificuldades econômicas que o país enfrenta e também que, a princípio, tem havido mesmo muita roubalheira. Mas a gestão Fruet não se dispõe a apresentar isso com clareza.

Afinal, falta dinheiro, mas falta quanto? Falta dinheiro para absolutamente tudo? Ou o governo poderia fazer escolhas, também chamadas de prioridades?

De cima a baixo, o país sofre com a cretinice dos governos inertes. Temer já há mais de 30 dias faz reuniões aqui e ali, mas anuncia apenas obviedades, senão pior: anuncia ações de desgoverno, como ameaça de cortes em direitos básicos da sociedade. Daí, passando pelo governo do estado e pela prefeitura de Curitiba, não vemos nenhuma novidade.

Gustavo Fruet poderia, talvez, inspirar-se em seu pai, Maurício Fruet. Na gestão de 1983 a 1985, Fruet, o pai, fez algumas coisas que me parecem surpreendentes. Sua gestão chamava-se “Curitiba participativa”, isso em uma época na qual a palavra participação ainda não era moda, muito embora a sociedade estivesse ansiosa por democracia.

A coragem de imprimir a participação como sua principal marca deveria ser, para nós, a maior inspiração na atuação pública. Acredito muito na importância da gestão pública, em todos os níveis, ser verdadeiramente participativa, e vendo alguns materiais que foram produzidos naquela época, a partir de audiências públicas onde o povo escrevia com liberdade seus problemas e suas demandas, concluo que pode ser a solução para muitos problemas.

A corrupção e a crise econômica poderiam ser enfrentadas com os recursos da participação popular, afinal de contas, a maior transparência no trato do orçamento contribui certamente para a fiscalização do dinheiro, desde sua origem até o destino. Grande parte dos desmandos éticos se dá sob a proteção das caixas pretas, como às das empresas públicas, sociedades de economia mista e assemelhados. Que sejam abertas todas as caixas pretas!

Além do mais, se o governo se queixa da falta de recursos, por culpa das desastradas gestões anteriores, então poderia exibir publicamente e na ponta do lápis todas as linhas em que o dinheiro está faltando, e talvez o povo pudesse encontrar também onde o dinheiro está sobrando.

Por tudo isso, acredito que além do compromisso ético, básico e obviamente obrigatório na gestão pública, a prefeitura municipal precisa firmar um compromisso com a participação popular e a solidariedade. Nesse sentido é que os programas de governo do meu partido, o PSOL, sempre trazem o compromisso da democracia real, com participação popular, que, confio, é revolucionária.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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