Rafael Greca: #VoltaCuritiba; um movimento pela inovação

greca_energiaO ex-prefeito Rafael Greca escolheu sua coluna de hoje (18), no Blog do Esmael, para lançar um movimento pela inovação denominado #VoltaCuritiba. A ideia central desse movimento, segundo o colunista, seria transformar cada morador da capital paranaense em produtor de energia, ao invés de consumidor da Copel — a companhia de energia. “Se formos capazes de criar e ousar, no verão de 2018, você, leitor curitibano, poderá ter a alegria de ver entrarem créditos solares na sua conta de luz da Copel”, entusiasma-se Greca. Leia, ouça, comente e compartilhe a íntegra do texto abaixo:

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#VoltaCuritiba: um movimento pela inovação

Rafael Greca*

Se formos capazes de criar e ousar, no verão de 2018, você, leitor curitibano, poderá ter a alegria de ver entrarem créditos solares na sua conta de luz da Copel.

Basta imitarmos o exemplo alemão.

Com o apoio do seu (bom) governo, a Alemanha está produzindo muita energia sustentável, utilizando painéis solares e geradores eólicos.

A junção de muito vento e de relativo sol, fez das duas primeiras semanas de maio, nesta primavera alemã de 2016, uma das melhores ocasiões de toda a história em captação de energia. Na imagem uma das muitas usinas foltovoltaicas da Alemanha, na planície da Prússia, perto de Hamburgo.

Parque fotovoltaico alemanhaPara ilustrar, no domingo de Pentecostes, 15 de maio, essas novas tecnologias produziram 87% de toda a energia requerida pela possante Alemanha. As termelétricas ficaram com apenas 13% do consumo.

O aumento de oferta fez com que, por algumas horas, os preços da eletricidade ficassem negativos.

Isso quer dizer que os consumidores alemães pouparam dinheiro com cada watt consumido, isto é, receberam créditos em suas contas, ao invés de serem tarifados.

Na Alemanha, existe um mercado de compra e venda de energia, semelhante ao mercado de ações. Quando a oferta é alta, os preços caem, podendo ficar até negativos, reduzindo assim a conta de eletricidade do consumidor final.

A temporada de créditos na conta de luz dos alemães seria insignificante se comparada aos níveis de insolação dos trópicos brasileiros, mesmo da nossa gelada Curitiba.

telhado solar alemão

O dia mais quente da Alemanha tem menos sol do que o dia mais frio do inverno curitibano.

E nós fingimos que não vemos o sol, nem sentimos o vento. Continuamos com a matriz energética consumidora de petróleo, alimentando as fornalhas das termelétricas, ou alagando territórios inteiros para erguer hidrelétricas.

Precisamos pensar em geração de energia solar limpa, ainda que o modelo hidrelétrico da Copel, oriundo da década de 1950/1960, tenha sido exitoso e proveitoso – historicamente – para o Paraná. Longe de mim, aluno reconhecido, desmerecer o valor de engenheiros pensadores como meus professores o saudoso governador Parigot de Souza, o engenheiro hidráulico Francisco Gomide.

Muitos dos meus atuais simpatizantes tem insistido na ideia do #voltaCuritiba. Esclareço que esta volta, se for consentida pelos partidos políticos e avalizada pela maioria da população, jamais será uma volta ao passado. É um esforço para nos devolver o futuro.

Será um #voltaCuritiba à inovação. Talvez mais ousada e atrevida que aquela que nos fez merecer o Prêmio Mundial do Habitat 1996 da Housing and Building Foundation.

Já em 2012, com o engenheiro sênior Iwan Sabatella, o consultor ambiental Arthur Carvalho e o jovem arquiteto Guilherme Klock, criamos o programa “Curitiba + Energia”.

A cidade de Curitiba através da sua Prefeitura pode investir – com parcerias público-privadas – num Parque Fotovoltaico para sinalizar seu compromisso com o futuro ambientalmente correto num avanço em termos de sustentabilidade.

Serraria no Paraná. 1907

Nossa antiga capital das serrarias das florestas de pinho que desdobraram, em tábuas e ripas, os troncos das araucárias e das imbuias, das perobas rosas e canafístulas, pode passar a retribuir à natureza. Devolver a riqueza recebida no extinto ciclo da madeira, com investimento “verde”.

O primeiro nome de Curitiba foi “Vila de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais”. Quando chegará o tempo de uma nova “Luz dos Pinhais”? Luz ambientalmente correta, gerada com energia absolutamente limpa.

Quando instalarmos parques fotovoltaicos, em áreas quais o antigo lixão da Lamenha Pequena – ao norte -, o antigo lixão da Caximba – ao sul; o antigo lixão que desmanchei na CIC – onde a avenida JK encontra o rio Barigui. São áreas públicas, evitam a desapropriação fundiária.

Usina Solar Caximba 1

Podemos colocar painéis também na cobertura do Palácio Iguaçu, do Museu Oscar Niemeyer, da Prefeitura de Curitiba, dos terminais de transporte e das Ruas de Cidadania. Podemos usar ainda os telhados dos 1070 equipamentos municipais, bem como outros equipamentos públicos.

Os parques fotovoltaicos serão dimensionados em módulos de 5 MW ( MegaWatts), demandando aproximadamente 9 hectares de área ou 90.000 m².

Objetiva-se inicialmente atingir a potência instalada de 150 MW, suficiente para prover o abastecimento de energia para a infraestrutura urbana da cidade de Curitiba – para consumo e iluminação pública. Nada mal para uma cidade que tem visto o Jardim Botânico imerso em apagão em tarde de domingo, como aconteceu no último final de semana.

4 Pompeo

Se fizermos o que imagino, ainda podemos prover o sistema de transporte público elétrico, dentre eles os ônibus metropolitanos, e uma frota de modernos táxis – capaz de competir com quaisquer tipos de Ubers. Que tal usarmos assim os espertos carros Pompeo- criados no Paraná pelo pessoal da UTFPR?

Podemos até avançar criando veículos elétricos para uso popular mediante aluguel, compartilhados nos moldes do que invejamos em Paris.

A energia gerada pelas plantas fotovoltaicas será integrada ao Sistema interligado Nacional (SIN), através da infraestrutura de transmissão e distribuição de energia elétrica que cobre a região metropolitana de Curitiba.

Para atingirmos este sonho hiperbóreo bastam 500 milhões de reais. Um pouco menos do que esta Cidade foi obrigada a dispender com a quimera da Copa do Mundo, cujas obras ainda não terminaram, esgotando a paciência do povo. Haja vista o Terminal de Santa Cândida.

O projeto do novo Parque Fotovoltaico de Curitiba será desenvolvido dentro dos critérios da mais avançada engenharia. Será conformado de acordo com a regulamentação vigente para a “geração de energia” com base em recursos renováveis no Brasil.

Pode ser que, no verão de 2018, você, leitor curitibano, tenha a alegria – tão alemã – de ver entrarem créditos solares na sua conta da Copel. Que tal? #voltaCuritiba #voltaLuzdosPinhais.

*Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, é engenheiro. Escreve às quartas-feiras no Blog do Esmael sobre “Inteligência Urbana”.

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