Carli e Yared

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O recente debate público, através de vídeos gravados pelo ex-deputado estadual Carli Filho, e pela atual deputada federal Christiane Yared (PR), trouxe um novo capítulo para a história do “acidente” de trânsito que envolveu Carli e vitimou um filho de Christiane e outro jovem em 2009. O advogado Marcelo Araújo analisa o desenrolar desses fatos em sua coluna semanal. Leia e ouça a seguir. 

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Carli e Yared

Marcelo Araújo*

Um dos casos mais emblemáticos quando se fala em tragédias no trânsito é o do ex-deputado Carli Filho, que nessa semana ganhou um ingrediente que até então parecia improvável, que foi entrar no debate público que até então não contava com sua participação. No debate jurídico do caso não ousarei entrar a fundo, por não advogar no caso e em respeito aos profissionais de um e outro lado, Ministério Público e assistência de acusação de um lado, e de outro advogados de defesa, todos qualificadíssimos o que garante igualdade de armas em juízo.

O caso extrapolou em muito o debate jurídico e entrou diretamente no campo político, que se iniciou com a perda de um mandato no parlamento estadual e assunção de um mandato no parlamento federal. Ainda no campo político o caso motivou e motiva diversos debates acerca de mudanças na legislação e ao meu ver uma completa deturpação dos conceitos de dolo e culpa, causando uma grande confusão na opinião pública.

O ingrediente que mencionei acima foi a manifestação pública de Carli Filho, numa gravação, na qual busca o perdão, relata seu sofrimento e se dispõe a participar de campanhas educativas sobre seu arrependimento, seu caso, etc. Aliás, estaria disposto em participar das campanhas do IPTRAN – Instituto Paz no Trânsito, que justamente foi criada pela deputada como instrumento e meio de acalentar a dor de famílias que sofreram tragédias no trânsito.

Críticas a postura e ao vídeo de Carli não faltaram, desde que estaria lendo um texto preparado, que estaria maquiado para destacar suas cicatrizes e vitimizá-lo, bem como que seria mera estratégia de defesa. Lembro que em dezembro de 2015 a notícia era de que a deputada Christiane Yared havia encontrado Carli Filho num vôo, e que sua assessoria de imprensa havia se encarregado de informar a imprensa para que houvesse uma recepção no aeroporto. Naquela oportunidade me pareceu que a deputada esperava uma manifestação dele, que fosse aberto um diálogo, que houvesse encontro nos olhares.

O que deve ter deixado muita gente confusa foi a reação da deputada àquilo que parecia o fim de uma expectativa, que era aguardada. Sete dias, sete meses ou sete anos, independente de qualquer significado cabalístico, não me parecia até então que a oportunidade tinha tempo de validade. Naquilo que o encontro no vôo transparecia que o tempo não havia passado para a reação de dizer que houve atraso para o enterro do filho me pareceram comportamentos antagônicos.

Nem me arrisco em adentrar na questão religiosa que tanto é pregada pela pastora sobre o perdão, por relevar que quando a pregação é para os fiéis pode assumir reação diferente quando em causa própria. Quanto à possível profissionalismo do depoimento (leitura de texto, maquiagem, iluminação) apenas me parece que ele entrou no jogo para o qual está sendo convidado nos últimos anos. Para avaliar a sinceridade, montagem ou qualquer outra avaliação da atitude de Carli Filho, creio que basta que a deputada aceite um encontro, sem assessorias ou apoios técnicos, olho no olho, e me parece que haverá interesse de ambas as partes na convocação da imprensa.

De tudo isso, e como falamos no início, sendo um caso emblemático que tem gerado debates de toda natureza, me parece que esse inesperado ingrediente seja o marco para que se possa separar com clareza o que é e será o debate jurídico seja no Tribunal do Juri seja numa Vara de Delitos de Trânsito, do debate legislativo sobre alterações na atual legislação, e por consequência outros enfoques políticos que vêm na esteira do debate, e da situação pessoal das partes envolvidas.

De multa eu entendo!

*Marcelo Araújo é advogado, especialista e professor de direito de trânsito, ex-presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas terças-feiras para o Blog do Esmael.

11 Comentários

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  2. O colunista tocou num ponto muito delicado desse debate, e concordo que mesmo havendo um fator de sofrimento pessoal irreparável como mãe, a reação da Deputada Yared contrariou tudo o que ela estava pedindo e cobrando do Carli até agora. Com ou sem maquiagem, com ou sem roteiro, ele deu a cara pra bater. Isso a pegou de surpresa porque ele entrou numa seara que ela surfava na onda, que é a manipulação midiática. Com isso conseguiu levantar assuntos que estavam cobertos por um suposto manto sagrado, que era sua verdadeira relação com o filho em face de suas escolhas pessoais e sentimentais, que literalmente a levou a tratá-lo de forma isolada, preconceituosa e de menosprezo. Sua postura como mandatária do povo, postura partidária já têm demonstrado desequilíbrio e falta de propostas. Sua reação sem dúvida possibilitou uma linha de defesa perante a opinião pública. Até semana passada se ele fosse a Júri e não desse 7 X 0 iriam apedrejar o jurado que votasse de forma diversa ao dolo e condenação. Com isso já se abre a possibilidade real do 4 x 3 ou 3 x4, se apenas as teses sobre o ‘dolo’ e ‘culpa’ forem a debate.

  3. René Dotti é brilhante como jurista, mas de comunicação/marketing não entende. O vídeo do Carli foi sem noção nenhuma, ainda mais na véspera do dia das mães. Cruel.

  4. O vídeo do Carli foi um tiro no pé. A resposta da Yared também, ela tornou-se a “Mãe do Guilherme” da Câmara Federal. Respeito seu sofrimento, mas ela não deveria ter entrado na política. Perdeu meu respeito.

  5. 1. Christiane Yared não deveria ter entrado na política aproveitando-se da comoção dos eleitores. Da mesma forma uma ex-deputada estadual não deveria ter se aproveitado do desaparecimento do filho dela. A perda dos filhos, por mais cruel e triste que possa ser, não pode ser motivo para entrar na política. Por que elas fizerem isto?
    2. A atitude de Carli Filho foi de uma crueldade descomunal: me aparece pedindo perdão e se explicando na véspera do dia das mães!!!!!
    3. O advogado René Dotti, elogiado por deus e todo mundo por sua carreira brilhante de mais de 50 anos, jogou seu nome no lixo em assumir a defesa deste criminoso de trânsito. Mas aqui também vale: pecunia non olet= dinheiro não fede!!!

  6. Antônio, na introdução de seu comentário você já expõe suas dificuldades de leitura, quiçá de interpretação. Eu não ouso opinar sobre arte, pinturas porque minhas limitações culturais nesse aspecto(artes)me imporiam uma postura enfadonha. Que bom que pediu para alguém ‘estudado’ para escreveu palavras bonitas. De qualquer forma obrigado pelo prestígio que fatalmente permitiu que eu invadisse a sua mente, ao ponto de inspirar um comentário. Obrigado!

    • Argumentum ad hominem, Sr.Marcelo? É o melhor que pode fazer?

      A meu ver, seu texto não disse a que veio. Qual sua posição? Alguma consideração sobre a conduta do ex-deputado e da deputada? O Sr. desconsidera dolo eventual? Culpa consciente, talvez?

  7. faltou ele explicar por que as imagens dos radares sumidas , as imagens do posto adulteradas, a venda do posto, que estava com ele no suposto racha e de quem era o porsche azul , quando ao vídeo tem jeitão de ser produzido e ensaiado e dirigido e parece ser uma estratégia da defesa.

  8. Exato… Deve haver se4paração do campo jurídico do campo político!

  9. É bem provável que esse crime de trânsito prescreva, sem que Carli Filho vá ao julgamento, pois a influência da família na imprensa e judiciário é grande, sem contar ainda que são do PSDB, o que aumenta em muito as probabilidades de arquivamento e suspensões.

    Restará a Yared o desampontamento e a frustaração não só de ver esse caso provavelmente impune, como também a probabilidade de não se reeleger nas próximas eleições. É uma pena.

  10. Tive a paciência de ler o “artigo” inteiro, e ao chegar ao final, a evidência: vazio de conteúdo, sem direção, sem fundamento, opinião superficial, apenas para marcar presença, como sempre uma presença insossa e inepta. Não acrescenta nem tira nada do assunto. Pega carona no sofrimento alheio, tenta bajular os dois lados, não define sua posição sobre o assunto. Mais um texto para o lixo.