Cai o segundo ministro do golpe em 18 dias. Agora falta Michel Temer

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Fabiano Silveira não é mais ministro da Transparência no governo provisório de Michel Temer (PMDB). Ele caiu depois que gravações em que ele orienta Renan Calheiros (PMDB-AL) a driblar investigações da Lava Jato.

Silveira caiu em 18 dias. O primeiro a ser defenestrado, em 12 dias, foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR), do Planejamento, também flagrado em gravações contra as investigações do juiz Sérgio Moro.

O ex-ministro da Transparência (antiga CGU) divulgou uma carta esta noite pedindo demissão do cargo. Ele não resistiu ao protesto de funcionários do órgão, que não deixaram-no entrar no prédio hoje pela manhã.

Leia a íntegra da carta de Fabiano Silveira:

Recebi do Presidente Michel Temer o honroso convite para chefiar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

Nesse período, estive imbuído dos melhores propósitos e motivado a realizar um bom trabalho à frente da pasta.

Pela minha trajetória de integridade no serviço público, não imaginava ser alvo de especulações tão insólitas.

Não há em minhas palavras nenhuma oposição aos trabalhos do Ministério Público ou do Judiciário, instituições pelas quais tenho grande respeito.

Foram comentários genéricos e simples opinião, decerto amplificados pelo clima de exasperação política que todos testemunhamos. Não sabia da presença de Sérgio Machado. Não fui chamado para uma reunião. O contexto era de informalidade baseado nas declarações de quem se dizia a todo instante inocente.

Reitero que jamais intercedi junto a órgãos públicos em favor de terceiros. Observo ser um despropósito sugerir que o Ministério Público possa sofrer algum tipo de influência externa, tantas foram as demonstrações de independência no cumprimento de seus deveres ao longo de todos esses anos.

A situação em que me vi involuntariamente envolvido – pois nada sei da vida de Sérgio Machado, nem com ele tenho ou tive qualquer relação – poderia trazer reflexos para o cargo que passei a exercer, de perfil notadamente técnico.

Não obstante o fato de que nada atinja a minha conduta, avalio que a melhor decisão é deixar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

Externo ao Senhor Presidente da República o meu profundo agradecimento pela confiança reiterada.

Brasília, 30 de maio de 2016.

Fabiano Silveira

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