“Beto Richa terminará com 100% de desaprovação em 2018”, diz Enio Verri

beto_richaO deputado federal Enio Verri (PT-PR), em sua coluna desta terça (17), afirma que o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), tem uma gestão marcada pela truculência contra professores, nepotismo, farra com cargos comissionados, pedaladas fiscais e baixíssima popularidade. Ele prevê que o tucano, em 2018, terminará com 100% de desaprovação — haja vista que hoje ele tem 85% de rejeição. O colunista denuncia que Richa comete uma série de crimes que a presidente Dilma Rousseff não cometeu, mas, segundo Verri, infelizmente, o governador do PSDB terminará incólume o seu mandato. Abaixo, leia a íntegra, ouça e compartilhe.

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Beto Richa terminará com 100% desaprovação em 2018

Enio Verri*

O governo Beto Richa (PSDB-PR), desde o primeiro mandato esmerou-se em desmoralizar o estado do Paraná, política, social e economicamente. O escárnio com a população paranaense começou, ainda em janeiro de 2011, com nomeações de seus familiares como secretários.

Uniu as secretarias de Obras e de Transportes e entregou a seu irmão, Pepe Richa. Não satisfeito, todas as políticas de assistência ao idoso, ao adolescente, à criança e à mulher foram entregues à Fernanda Richa, sua esposa, na Secretaria da Família.

Nomeou para a Secretaria de Planejamento um condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de responsabilidade, o ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi. Ezequias Moreira Rodrigues, o do escândalo da sogra fantasma, foi nomeado para Diretor de Relações com Investidores da Companhia de Saneamento do Paraná SANEPAR.

Ao declarar moratória de 90 dias, também em janeiro de 2011, o governo do estado prejudicou obras importantes, mas que não afetavam a elite, apenas os mais pobres, como a reforma de uma escola ou a construção de um posto de saúde, principalmente em pequenas cidades, carentes de desenvolvimento.

Aos 100 dias do primeiro governo, confirmava-se a que vinha Beto Richa. Uma administração elitista, em detrimento da maioria pobre. Reajustou a tarifa de água em 16%, interrompeu um programa de fornecimento de leite que atingiu exclusivamente os mais pobres e se negou a cumprir promessa de campanha, a de reajustar em 26% os salários dos professores.

Enquanto a maior parte da população arcava com os prejuízos de um ajuste fiscal motivado por uma suposta falta de dinheiro no caixa, sem comprovação por parte dos secretários do governo, Richa alugou helicópteros e aeronaves pela bagatela de R$ 2 milhões, sem licitação.

Ao fim e ao cabo de seu primeiro governo, Richa colheu o que plantou. Saiu da segunda colocação entre os 27 governadores avaliados, com 74% de aprovação, para a sétima, com 45% de aceite. A dois anos do fim de seu segundo governo, Richa alcançou 85% de rejeição popular. Nesse ritmo, chegará a 2018 com 100% de desaprovação.

Seu segundo governo vem sendo marcado por truculência, aviltamento da educação e farra de cargos públicos. Com tantas qualidades do Paraná para se repercutir no exterior, o governador conseguiu a proeza de exportar a mais dantesca cena de truculência da história recente do estado.

O fato ocorreu em 29 de abril de 2015, quando mais de 1.500 policiais militares, sob o comando do então secretário de Segurança e deputado federal, Fernando Francischini (SD-PR), massacraram mais de 200 servidores públicos, em sua maioria professores, no centro de Curitiba. Para ação, o governo Richa gastou mais de R$ 1 milhão, entre armamentos e diárias dos agentes deslocados para Curitiba.

O crime dos servidores foi o de protestar contra a votação de um projeto de lei do Executivo, que transferiu para a previdência dos servidores públicos um desembolso mensal de R$ 120 milhões para pagamento de aposentadorias e pensões, cuja obrigação é do Tesouro do estado.

Ao tempo que deixa expresso seu ódio e desprezo pela educação, ao espancar professores e deixar escolas públicas sem merendas, a ponto de estudantes se humilharem em torno de uma “vaquinha” para comprar um mínimo de comida, Richa não se peja em esbanjar “investimentos” em cargos DAS-5.

Entre 2009 e 2012, o gasto com cargos comissionados cresceu 283%. Passou de R$ 76,7 milhões para R$ 216 milhões. A despeito das escolas sem merenda, Richa criou, em 2016, mais 17 cargos comissionados com salários acima de R$ 7 mil reais e deu a eles um reajuste de 128%, em detrimento dos servidores de carreira.

Por todos os motivos acima citados, a popularidade de Richa despencou. Mas esse não foi apenas o único pecado do governador. Assim como outros 16 governadores, ele “pedalou” as contas públicas. Segundo o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Paraná (MPC-PR), a previsão de um superávit de R$ 2,3 bilhões fechou 2014 com um déficit de R$ 177,9 milhões.

A aprovação da alteração da meta fiscal, apenas em abril de 2015, foi possível devido à base de apoio de Richa na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Dos 54 deputados, não mais que seis fazem oposição ao governo Richa.

Diferente da presidenta Dilma Rousseff, que “pedalou” para manter investimentos sociais, Richa não cumpriu, durante quatro anos, de 2011 a 2014, a obrigação de aplicação de investimentos mínimos exigidos em saúde. Segundo relatório dos promotores, “o déficit ocasiona dano social com nefasta consequência para o funcionamento global do sistema de saúde público paranaense”.

Segundo os 367 deputados federais e os 54 senadores que aprovaram a admissibilidade do afastamento de Dilma, foram justamente a falta de apoio popular e as “pedaladas fiscais” que a derrubaram.

É certo que ela não foi acusada de truculência. Aliás, o diálogo é uma das marcas das administrações do PT, em todo o País. Ao que tudo indica, pelo andar da carruagem, Beto Richa, com truculência, nepotismo, baixa popularidade e “pedaladas fiscais”, terminará incólume, o seu mandato.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

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