Acenda o Farol: Fruet pagou reforma mais cara do que a construção

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A atual administração municipal de Curitiba considera os Faróis do Saber “caros e pouco funcionais”. Gastou-se com a reforma desses equipamentos várias vezes o valor que custou a sua construção. As informações são do engenheiro Rafael Greca (PMN), na sua coluna semanal. Greca, em seu mandato de prefeito, foi o responsável pela construção dessas bibliotecas públicas que já nos anos 90 proporcionavam acesso à internet, absoluta novidade na época. Leia, ouça e assista a um vídeo com os detalhes, a seguir. 

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Acenda o Farol: Fruet pagou reforma mais cara do que a construção!

Rafael Greca*

A difamação é sempre um tiro no pé do difamador. Exemplo desta má prática é o recente ataque de asseclas (comissionados) do prefeito Fruet contra o “Farol do Saber” com o único objetivo de me diminuir. Serviço sujo, serviço feio, obra do recalque e do desespero. Atitudes típicas dos que negam o trabalho de quem fez pelo simples fato de que não sabem como fazer.

Contra feitos não há argumentos. Veja o vídeo que preparei sobre os nossos Faróis do Saber:

Os Faróis do Saber de Curitiba, bibliotecas com cinco mil volumes, nas portas das escolas públicas, acopladas às primeiras lan houses públicas do mundo, unidas a módulos de guarda municipal, estão aí, vitoriosos, consagrados na mentalidade e no coração curitibano.

No fundo sei que quem procura me atacar (via o Farol – ou qualquer outra obra) está apenas elogiando. Dispenso esse tipo de elogio, alerto e acendo o farol: quem queima (ou tenta queimar) uma biblioteca é espírito de trevas, desumano, remanescente do mundo medieval, artífice dos gulags modernos, servidor de totalitarismos inservíveis.

Lendo o post difamatório dos “Prefs”, espantado, descubro que o atual prefeito de Curitiba gastou 28 milhões de reais com os Faróis do Saber, em 2014. E não arrumou todos. Nós, contribuintes curitibanos pagamos por isto… Um espanto!

Aquele foi o ano da graça de 1994. Quando idealizamos, criamos e construímos o projeto Farol do Saber, bibliotecas de bairro com as primeiras lan houses públicas do Brasil, nem meus secretários sabiam o que era a internet. O primeiro Farol foi inaugurado no dia 19 de novembro de 1994, com o nome de Machado de Assis, na Vista Alegre das Mercês, em presença da poetas Helena Kolody e Carmem Carneiro. A inspiração veio do antigo Farol da Alexandria, ao pé do qual o faraó Ptolomeu Filadelfo fez erguer a primeira e mais famosa das bibliotecas deste mundo. Era um “amigo das Letras”.

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Nossos Faróis queriam chamar atenção para o conhecimento e a leitura. Foram responsáveis pelo “letramento” da maioria dos piás curitibanos que hoje tem 20 anos. Havia um para cada cinco escolas. As visitas e empréstimos de livros eram estimuladas. O letramento surgia acompanhado da introdução à internet e às redes sociais.

Cada Farol custou na época algo em torno de 75 mil reais. Não se comprava o terreno, apropriado da área pública da escola, ou parte de uma praça existente. O módulo era em série, feito na indústria Brafer. Os vidros,mínimos; o WC único; as prateleiras incorporadas no módulo Brafer. Muito pouco pelo benefício que gerou. Quase nada,diante os gastos exorbitantes de hoje.

A reforma custou várias vezes a construção? R$ 28 milhões por ano dividido por 45 faróis dá R$ 622 mil por farol. Não existe este custo! Repito, eu li na página da Prefeitura: 28 milhões ÷ 45 faróis = 622 mil por Farol do Saber. Onde gastaram tal volume de dinheiro público? Perguntam as almas alvoraçadas da República de Curitiba.

Com os 28 milhões gastos pelo Fruet na reforma de “alguns” dos 45 Faróis existentes daria para fazer algo em torno de 100 novos faróis, respondo eu.

Digo “alguns”, porque o Farol da Praça da Espanha está arruinado, pintado de preto,vazio, cracolândia em construção; o Farol da Escola Marumbi, semi-arruinado, pode ser visto do lado direito da Ecovia, por quem segue no sentido Curitiba-Praias; na Vila Barigui, o Farol Joaquim Nabuco inspira cuidados diante do Tecpar; e são várias dezenas, abandonados nos bairros de Curitiba os Faróis do Saber.

A postagem da Prefs diz que o Farol do Saber é “caro e pouco funcional” (sic).

Oras, trata-se de uma confissão. Confessam que não sabem como fazer de cada Farol do Saber um pólo dinamizador da vida comunitária. Me desculpe, Fruet! Cara é a ignorância — que o Farol ajuda a combater. E se não sabem como fazer, deixa que (com os meus) eu faço.

Se mil recursos eu tiver, mil recursos empregarei para acender mais luzes. Manter acessa a vontade de saber dos jovens curitibanos. Formar leitores de todas as idades em múltiplas linguagens. Combinar, nos Faróis, tríplice inclusão: a literária, a digital e a social.

E por inclusão social entenda-se: o combate à violência urbana, pois sabemos (e ninguém há de negar) que uma biblioteca abre a cabeça dos jovens e a cabeça aberta de um jovem muita ajuda a sociedade a lutar contra o mundo do crime — que está em perspectiva direta com toda essa inútil ostentação produzida pelo mundo do consumo pelo consumo.

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Uma mente que se abre para o conhecimento, não quer conhecer outra coisa que mais conhecimento. Ainda está por surgir um estudo sobre o impacto dos Faróis na redução da violência urbana em Curitiba. Quanto bem pode ter feito este Farol implantado junto ao terminal do Sítio Cercado, entre o Xapinhal e o Bairro Novo?

Com os faróis “caros e pouco funcionais” nós levamos para as pessoas os bens culturais mais raros da humanidade; ajudamos a instruir e a qualificar gerações; geramos cidadania e associativismo; geramos comunitarismo.

Com os faróis  “caros e pouco funcionais” construímos alternativas de vida reta e saudável para mais de uma geração de jovens curitibanos. E a Geração Farol do Saber sabe disso.

O Farol do Saber é obra que dura até hoje. Obra pública que exportamos, que nos valeu o Prêmio Mundial do Habitat.

Além dos nossos Faróis curitibanos, foram construídos Faróis nas cidades paranaenses de Ribeirão do Pinhal, Boa Vista da Aparecida e Paranavaí. Também foram construídos no estado do Maranhão 104 Faróis, nove em São Luiz (capital) e 95 no interior. E um Farol do Saber foi implantado fora do Brasil, na Holanda, na cidade da internacional Corte de Haia.

Mas não se trata apenas de construir. É preciso ter no povo a vontade de aprender, coisa que felizmente sobra em Curitiba, mas falta na atual prefeitura que dominada pelo mal de quem nada fez, caiu em um mundo confuso de tentar negar o que é óbvio. Valha-nos Nossa Senhora da Luz dos Pinhais!

Nota de agradecimento

Agradeço o ato falho do Claudinho Costa, humorista e cargo comissionado na Prefeitura, porque assim ficamos sabendo dos 28 milhões gastos na prefeitura na reforma dos faróis. Lamento que a prefeitura mantenha 470 comissionados com a finalidade de apenas atacar os críticos dessa des-administração.

Apenas para contextualizar, segundo a secretária de Recursos Humanos, Meroujy Cavet, os 470 comissionados embolsam entre 2,5% a 3,5% da folha de pagamento municipal. Portanto, apenas 470 comissionados recebem algo em torno de 5 milhões a 8 milhões por mês, pois a folha de pagamento estava em R$ 254 milhões, no mês de dezembro de 2015.

É muito, é desproposital, é indevido.

Basta comparar o pagamento dos comissionados com o pagamento das equipes de manutenção urbana, que recebem R$ 5,2 milhões por mês, por um serviço essencial e que tanta falta faz aos contribuintes curitibanos.

*Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, é engenheiro. Escreve às quartas-feiras no Blog do Esmael sobre “Inteligência Urbana”.

4 Comentários

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  2. Obrigado Rafael Greca por mais uma aula de cidadania e administração de cidades. Não há como negar sua competência como prefeito. O que fez e o fez bem feito, está ai até hoje.

  3. O nome do humorista fanfarrão é Claudio Cesar de Castro, mais conhecido como ANÃO TÁ PRONTO e recebe a bagatela de R$ 9.023,00 a título de salário comissionado, de acordo com o portal transparência disponível para qualquer cidadão.

  4. Em 2015 a prefeitura gastou menos de 100 mulhões em 2016 ele vai gastar quase 900 milhões em pleno ano eleitoral e não tem fiscalização nenhuma dos vereadores quanto aos valores das obras e das próprias obras em si.