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Reflexos de 17 de abril (dia do golpe)

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Em meio a crise econômica mundial, o Paraná tem boas notícias e parte de uma base sólida para superar o momento adverso. Da mesma forma, a crise em âmbito nacional não é motivo para a troca na presidência da República que está sendo promovida por meio de um golpe num “Estado de excessão“. Essa é a leitura deste momento histórico feita pelo deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PSB) em sua coluna semanal. Leia e ouça a seguir.

Reflexos de 17 de abril (dia do golpe)

“Não é triste mudar de ideias,
triste é não ter ideias para mudar”

Barão do Itararé

Luiz Cláudio Romanelli*

Não há mais espaço para os times do “quanto pior melhor”.

Tem-se que procurar, de forma urgente e célere, as soluções para a crise que o país enfrenta e o Paraná, apesar de não ser nenhuma ilha, apresenta alguns exemplos que deram certo no Estado apesar do enfrentamento aguerrido de setores da oposição que, em nível nacional, estão do outro lado do balcão.

Não por menos, apresento primeiro alguns dos resultados dos exemplos paranaenses. O jornal inglês Financial Times coloca que o Paraná tem a melhor estratégia para atração de investimentos da América do Sul – à frente de Bogotá, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro – em um ranking que tomou como base, dados de 28 estados, províncias e cidades do Cone Sul. O ranking foi publicado na edição da FDI (Foreign Direct Investment) Magazine, revista bimestral do grupo inglês. A pesquisa — “Estados Sul-Americanos do Futuro”, edição 2016/2017, realizada pelo grupo britânico, é considerada uma das mais importantes publicações sobre investimento direto no mundo.

Outra boa notícia vem da Educação. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e d0 Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o investimento do governo do Paraná, por aluno matriculado na rede de ensino estadual, foi o maior em 2015 entre os estados do Sul. O investimento por estudante somou R$ 6.303,80, contra R$ 5.551,56 em Santa Catarina e R$ 4.571,11 no Rio Grande do Sul. Os dados da STN e do Inep foram analisados pelo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), e apontam que no Paraná, a despesa média desde 2010 cresceu 73% em termos nominais – de R$ 3.642,94 para R$ 6.303,86 em 2015. Em termos reais, já descontada a inflação medida pelo IPCA no período, o avanço foi de 25%.

Na área do trabalho, o Paraná liderou as contratações de trabalhadores do mercado formal intermediadas pelas agências do trabalhador em 2015. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, a cada cinco trabalhadores admitidos por meio das agências em todo o país, no ano passado, um conseguiu a vaga por meio das agências do Paraná. Com 98.138 contratações intermediadas, o estado registrou 20 mil vagas a mais do que São Paulo, segundo colocado no ranking nacional, num período no qual perdemos mais de 100 mil vagas de emprego que foram fechadas.

A área da Saúde também tem boas notícias. Na semana que passou, o governador Beto Richa anunciou a liberação de R$ 28,6 milhões para a compra de equipamentos para unidades de saúde da família de 249 cidades. Cada prefeitura vai receber R$ 115 mil. Mesas clínicas, aparelhos de consultório odontológico, pinças, autoclaves, além de mobiliário, serão adquiridos com os recursos.

A verba para a compra dos equipamentos é da Secretaria de Saúde, por meio do programa de qualificação da atenção primária do SUS, criado pelo governador e que já destinou R$ 183 milhões para a construção, reforma ou ampliação de 503 unidades de saúde em todo o Estado. No começo do ano, o Estado repassou R$ 19 milhões para 156 cidades equiparem suas unidades de saúde. Além disso, foram repassados R$ 157 milhões para o custeio das unidades e até o final do ano serão destinados mais R$ 41 milhões. O total de é R$ 198 milhões em seis anos.

No mesmo ato, o governador anunciou a nomeação de 255 agentes aprovados em concursos públicos para os hospitais universitários de Londrina, Maringá e Cascavel. Das novas nomeações, 94 agentes são para o hospital de Londrina (da UEL), 138 para Maringá (UEM) e 23 para a Unioeste, o que deve solucionar os problemas de falta de pessoal que esses hospital enfrentavam.

Sabemos que o Paraná não está isolado do resto do país e também tem que enfrentar os efeitos da crise, mas até os maiores críticos do governo têm que admitir que a situação do Paraná, diante de outros Estados, é privilegiada. Enquanto outros estados parcelam salários, o Paraná contrata funcionários e concedeu reajuste de 10,67% aos servidores públicos.

Enquanto outros Estados não têm nada para investir, o Paraná terá em 2016 um volume recorde de cerca de R$ 6,8 bilhões em investimentos, que representa 81,8% a mais do que foi aplicado em 2015.

Nesse artigo, fiz apenas um pequeno apanhado das boas notícias da última semana para mostrar o quão reprovável é o comportamento de setores da oposição que insistem no velho e batido discurso de que tudo o que o governo faz ou propõe é malversado e que todas as políticas públicas em execução não prestam. De olho na eleição para as prefeituras, em especial a de Curitiba, a oposição cai na esparrela do discurso do ódio em frente às câmeras de TV e no retrovisor dos governos anteriores.

A postura beligerante e até repetitiva, em nada contribui para o debate consequente das ideias e propostas — justamente porque setores da oposição nada querem discutir, apenas berrar o mesmo e cansativo discurso vazio dos contras. A atitude apenas apequena o legislativo e a continuar assim, se corre o risco de repetir as imagens patéticas do dia 17 de abril na Câmara dos Deputados – um verdadeiro circo de horrores.

A Assembleia Legislativa deve ser o local da discussão de leis que contribuam para melhorar a vida das pessoas e para garantir a cidadania plena. Isso inclui o debate sério de políticas públicas e de projetos. Apesar dos esturros de alguns, o Paraná vai continuar avançando e já tem receituário como exemplo ao enfrentamento da crise.

Em tempo: já nessa altura parece inevitável a destituição da presidente da República, mas vale observar esse trecho do jornal EL PAÍS, da Espanha:”O Brasil vive hoje um Estado de exceção. Não é o combate à corrupção, mas sua perpetuação, o que guia a destituição de Dilma. Não é a luta pela reforma democrática do Brasil que impulsiona e promove o processo de impeachment, mas sim a preservação das bases oligárquicas, racistas, discriminatórias e sexistas sobre as quais se construiu o poder das elites brasileiras. Não é que algo novo esteja nascendo — é que o velho, o de sempre, o repugnante e o injusto persistem e seguirão sendo impostos para disciplinar e governar a vida dos que merecem um futuro melhor.”

‎Quem tiver interesse pode ler no original, pois a minha foi uma tradução literal.

Paz e bem e uma ótima semana a todas e todos.

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PSB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

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