“O Senado deve ser ágil para virar essa página da história”

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O senador Alvaro Dias (PV) afirma que a indefinição sobre o futuro do governo federal “paralisa a economia, gera insegurança e perturba o mercado”. Por isso, ele defende a rapidez do processo de impeachment no Senado. Leia e ouça a coluna do senador abaixo.

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O Senado deve ser ágil para virar essa página da história

Alvaro Dias*

Passada a aprovação da admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente da República, a responsabilidade passa a ser, a partir de agora, dos senadores. O Senado Federal é, tradicionalmente, a casa da maioridade política e, sendo assim, tem o dever de assumir essa responsabilidade, tentando superar rapidamente o impasse e a indefinição, que são muito prejudiciais para o País.

Nós já prolongamos muito esse debate. Há quanto tempo estamos discutindo o impeachment da presidente da República? A falta de definição paralisa a economia, gera insegurança e perturba o mercado. Por isso, a necessidade de agilização é visível. Precisamos evitar expedientes protelatórios, sem atropelar a legislação e respeitando as normas estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal. A sociedade brasileira nos cobra o fim desse triste capítulo da história política. É preciso virar essa página.

Acredito que, no Senado, o maior poder de influência para o julgamento do impeachment virá dos cidadãos. Como diria Ulysses Guimarães, ‘ Só o povo mete medo nos políticos”. Nós verificamos na Câmara dos Deputados: muitos parlamentares que estavam indecisos ou que votariam contra a abertura de processo, mudaram de ideia em função da pressão popular. A onda cresceu, e foi avassaladora. Eu considero praticamente impossível reverter a tendência sobre o afastamento da presidente.

Em relação à possibilidade de realizarmos novas eleições no país, considero improvável. Nós dependeríamos de, além do impeachment da presidente Dilma Rousseff, da renúncia do vice Michel Temer. Outra alternativa seria o Tribunal Superior Eleitoral julgar o pedido de cassação da chapa presidencial. Mas como a sinalização do TSE é de que o julgamento só ocorra em 2017, as chances de convocação de uma nova eleição são remotas.

Sobre um eventual governo Temer, apesar de torcer pelo seu sucesso, continuarei do lado da oposição, onde estive nos últimos catorze anos. O PMDB é sócio majoritário da massa falida, e nós iremos cumprir o papel de fiscalizar os atos do novo governo. Essa é a missão que as urnas me destinaram.

*Alvaro Dias é senador pelo Partido Verde. Ele escreve nas quartas-feiras para o Blog do Esmael sobre “Ética na Política”.

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