Dilma vai derrotar o golpe

bruno_bill_dilmaDificilmente a oposição golpista conquistará 342 votos para depor Dilma Rousseff. Mesmo que isso ocorra, o precedente ajuda a presidente da República. Bill Clinton, nos Estados Unidos, fora salvo do impeachment no Senado, que tem papel moderador nos regimes presidencialistas. A opinião é do colunista Bruno Meirinho. Abaixo, leia a íntegra:

A maratona do impeachment

Bruno Meirinho*

Os próximos dias terão um único assunto: o impedimento de Dilma. A sessão, designada para o final-de-semana, deve receber cobertura em tempo real na televisão.

O cenário está muito difícil para o governo. A despeito da criação da frente parlamentar pela democracia, há poucos dias, vários parlamentares dentro da própria frente já demonstraram ter mudado de posição, e vão votar a favor do impeachment.

Mas acredita-se que alguns parlamentares vão faltar à votação, o que ajuda a posição contra a deposição da presidente, já que 342 votos são necessários para dizer sim ao afastamento de Dilma.

Aprovado na câmara, o processo vai para o senado onde é julgado definitivamente. O cenário por lá tende a ser mais favorável ao governo, que pode até mesmo vencer a votação por maioria simples sobre o recebimento da denúncia, o que arquivaria o impeachment.

Nos EUA, quando Bill Clinton foi submetido ao impeachment, foi o senado que salvou a pele do presidente. O senado, portanto, tem esse papel moderador nos regimes presidencialistas, e costuma exercer o seu poder de não levar adiante o processamento do impedimento.

Durante os dias da votação do impeachment, a torcida popular que estará na esplanada será dividida por um muro improvisado para deixar cada um no seu lugar, exortando um país rachado. Mas dessa divisão não deve sair um país de posições extremas: o cenário que se antevê é o do fortalecimento de posições centristas, com Marina Silva.

A maratona do impeachment, portanto, será uma corrida em direção à rejeição do impeachment pelo senado, e ao fortalecimento de posições centristas e de conciliação.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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