Coluna do Marcelo Belinati: Cuidar da Saúde Pública é respeitar o cidadão

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Em sua coluna semanal, o deputado federal Marcelo Belinati (PP) aborda a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 01/2015, que direciona 10% de toda a receita bruta corrente da União para a Saúde Pública. Marcelo, que também é médico, afirma por experiência própria que a população em geral sofre os mais diversos problemas, como falta de vagas de UTI, falta de médicos, falta de remédios, filas intermináveis para atendimento, cirurgias, consultas com especialistas, exames que demoram anos para serem realizados, etc. Segundo ele, se aprovada a PEC irá proporcionar o incremento de R$ 12 bilhões para investimentos no setor. Porém, o colunista alerta que a falta de recursos não é o único problema do Sistema Único de Saúde; segundo ele, também é preciso superar os problemas de gestão e a incompetência de parte dos gestores públicos. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Marcelo Belinati*

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 01/2015 é uma consequência de dois grandes movimentos anteriores da sociedade brasileira, a PEC 29 e o SAÚDE +10, todos objetivando o aumento de recursos para saúde pública.

Os dois primeiros movimentos bateram na trave, e parece que agora vai!

A PEC 01/2015 já foi aprovada em primeiro turno na Câmara – o segundo turno ocorrerá semana que vem – e, em síntese, ela estabelece que 10% de toda a receita corrente bruta (toda arrecadação da União) sejam aplicadas na nossa combalida saúde pública.

Sou médico, e, como costumo dizer, médico “chão de fábrica” (sou médico do SAMU, do INSS e SOS Unimed). Em razão disso, conheço de perto a triste realidade da nossa saúde.

Por um lado, profissionais da saúde fazendo das tripas coração para tentar bem atender a população, muitas vezes sem sequer ter condições de trabalho adequadas.

De outro lado, nossa população sofrendo com os mais diversos tipos de problemas como falta de vagas de UTI, falta de médicos e remédios, filas intermináveis para atendimento, cirurgias / consultas com especialistas / exames que demoram anos para serem realizados, são alguns exemplos. Muita gente morre em razão desse total descaso por parte do poder público.

O problema da saúde pública não é só a falta de recursos, diria que é isso também, mas associado a outros fatores como gestão inadequada dos recursos e ineficiência da máquina pública.

Sem querer generalizar, mas some-se a isso o perfil de alguns dos nossos governantes que não enxergam a saúde das pessoas como prioridade, não têm foco ou planejamento, preferem ficar no conforto do ar-condicionado e cafezinho dos gabinetes ao invés de conhecer de perto a realidade da vida das pessoas. Não se esforçam nem um pouco em ouvir-dialogar com a comunidade, entender melhor os problemas para encontrar as melhores soluções.

Em meio a tudo isso, todas as esferas governamentais (governo federal, estaduais e prefeituras) fazendo cara de paisagem, fingindo que o problema não é deles. Um jogando o problema no colo do outro e sempre dando ênfase à falta de recursos.

Cabe esclarecer que nas maiores cidades do estado, como Curitiba e Londrina, quem gerencia e administra a saúde pública é a prefeitura, cabendo ao prefeito e sua equipe cuidar dos recursos que vem dos governos federal, estadual e da própria prefeitura; tomando as decisões estratégicas que entendam corretas para melhorar o atendimento na saúde.

Por isso, creio que a aprovação da PEC 01/2015 vem pra sanar ao menos um dos vértices do problema (a queixa dos governantes da falta de recursos).

Votei a favor da PEC e, se aprovada em segundo turno na Câmara, e depois no Senado, representará já no próximo ano, R$ 12 bilhões a mais para investimentos na saúde pública brasileira.

Esta PEC é uma vitória da população brasileira, de todas as entidades que foram às ruas buscar os mais de 2 milhões de assinaturas em defesa da nossa saúde pública.

Londrina, o Paraná e o Brasil merecem e precisam de um serviço de saúde mais humano e que ofereça atendimento de qualidade a todos que precisam.

Saúde tem que ser prioridade para todos os governos, seja federal, estadual ou prefeituras.

Nossos governantes têm que entender que essa situação só vai mudar, quando a saúde deixar de ser apenas discurso de época de eleição e passar a ser efetivamente uma prioridade para os governos.

É preciso planejamento, metas claras, foco, e, principalmente, muito trabalho e força de vontade para fazer as coisas acontecerem…

Pra mim, cuidar da saúde pública é respeitar nossos cidadãos e cidadãs!

*Marcelo Belinati, médico e advogado londrinense, é deputado federal pelo PP do Paraná. Escreve nas sextas-feiras sobre “Política Sem Corrupção”.

5 Comentários

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  2. A saúde está um caos.

  3. É lamentável que o deputado Belinati esteja se colocando ao lado exatamente daqueles que querem limitar os recursos do SUS em nome do estado mínimo. O deputado Belinati sabe muito bem quem está por trás do golpe que se pretende contra a presidente Dilma. O deputado Belinati vai ter de escolher entre ficar com a Fiesp ou com a população carente de ainda mais recursos para a saúde. Vai ter de escolher entre entrar para a história como golpista ou como defensor da democracia.

  4. Prefeito que não cuida da saúde não merece ser prefeito. Saúde é nosso bem mais precioso.

  5. Nobre deputado. O que ocorre no Brasil é uma verdadeira carnificina contra o sistema público de saúde: a) o executivo não quer que funcione, por conta de que se funcionar, haverá um “inchamento” no sistema; b) Os hospitais particulares também não quer que funcione, pois seus médicos que cobram fortunas não poderiam mais ficarem milionários por conta da enxurrada de gente que os procuram pagando consultas exorbitantes; c) Os mesmos hospitais particulares também arrecadam rios de dinheiro do SUS, por conta de atendimentos mal e porcamente efetuados, mas o dinheiro vem; d) os planos de saúde, que atendem pior que o SUS, cobram uma fortuna de uma família para prestar atendimentos básicos, mas também fazem fortunas, os planos e seus médicos diretores, porque os cadastrados ganham mal; e) Os hospitais públicos, uma lástima, mas a lástima se dá em parte dos médicos que ficam com um pé no público, outro no privado, para cooptar clientes para clínicas particulares por conta do mau atendimento que eles mesmos se prestam a não fazer.

    Então, quando entra um governo mais a esquerda, tendem a arrumar a coisa pra o lado do SUS e hospitais públicos, quando entra um governo de direita, descamba pro outro lado, pois a intenção desses governos é, e sempre foi, detonar o serviço público, mas pegar seu dinheiro, para direcionar ao privado (vide Beto Richa).

    Se você conseguir resolver essa equação, tá uma maravilha. É somente escolher um lado, se público, ou privado, e tentar puxar a corda.