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Coluna do Enio Verri: “Quanto vale uma vida, governador?”

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Em sua coluna desta terça-feira (12), o deputado federal Enio Verri (PT) comenta a trágica morte de dois lavradores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pelas mãos da Polícia Militar do Paraná, em Quedas do Iguaçu, sudoeste do Estado; Verri lembra que as terras ocupadas pelo MST são exploradas pela empresa Araupel há décadas, mas a propriedade da área é questionada na Justiça, tendo a madeireira perdido em todas as instâncias até o momento; o deputado acrescenta que no caso das duas mortes, há forte indício de emboscada e execução dos trabalhadores por parte da polícia ambiental, equipe da Ronda Tática Motorizada (Rotam) e jagunços da empresa Arapuel; e cobra investigação contra os abusos da PM de Beto Richa (PSDB) “que tem vitimado trabalhadores, servidores públicos, professores, entre tantos outros”. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Enio Verri*

Quanto vale uma vida? Imensurável e incalculável para a grande maioria, uma vida para o Governador Beto Richa (PSDB), o comando da Polícia Militar do Paraná e a uma minoria fascista e endinheirada que promove a violência e comemora a morte de trabalhadores, é insignificante

Prestes a completar um ano do massacre contra os professores, no dia 29 de abril de 2015, quando o governador e o ex-secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini (SD), colocaram a PM contra os servidores públicos que exigiam apenas os seus direitos, o Governo do Paraná apronta, novamente. Agora, o resultado foi duas mortes e noves feridos.

Na última quinta-feira (07), a Polícia Militar, covardemente, entrou em confronto com trabalhadores do Movimento Sem Terra (MST), acampados no Dom Tomás Baduíno, em Quedas do Iguaçu, vitimando Vilmar Bordim, pai de três filhos e Leomar Bhorbak, que deixa a esposa grávida de nove meses. Uma tragédia que envolve a madeireira Araupel, que há décadas, segundo o Incra, explora ilegalmente a área.

Após a Araupel perder em todas as instâncias julgadas até o momento, as fazendas foram destinadas a União. O MST, que ocupa as terras, pede rapidez na destinação das mesmas a reforma agrária. Já a madeireira, que financiou a campanha de Richa, entre outros candidatos tucanos, questiona a decisão judicial e a presença do movimento na região.

Sob fortes indícios que comprovam uma emboscada e execução dos trabalhadores por parte da polícia ambiental, equipe da Ronda Tática Motorizada (Rotam) e jagunços da empresa Arapuel, levanta-se não somente toda a indignação com a falta de respeito a vida, como ainda, uma série de questionamentos a ação do Governo do Estado, em uma terra de responsabilidade da União.

Questionamentos que corroboram como a necessidade de uma investigação profunda e imediata que interrogue não só os pretextos que levaram a ação, como ainda, as responsabilidades e consequências aos autores do crime, independentemente de seu nível de participação. Que tragam justiça e paz a todas as vítimas e que impeça essa triste realidade que há tempos ameaça os movimentos sociais.

É com muito pesar e respeito aos familiares das duas vítimas fatais e ao Movimento dos Sem Terra, que cobra-se investigação e atenção dos órgãos responsáveis contra os abusos e truculência da PM de Beto Richa que tem vitimado trabalhadores, servidores públicos, professores, entre tantos outros.

O Paraná não merece o ódio e agressões a qualquer cidadão que luta e exige seus direitos constitucionais. Nem mesmo a perda de sua vida por um projeto de poder ou qualquer anseio monetário.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

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