Coluna do Enio Verri: A quem interessa a crise que atrapalha o país?

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O deputado federal Enio Verri (PT-PR), em sua coluna semanal, busca identificar os interesses por trás da crise política que atrapalha o país. Verri identifica atores como a Federação das Indústrias de São Paulo e a oposição no congresso que, segundo ele, tentam a todo custo depor a chefe de estado de seu cargo sem ter cometido nenhum crime; ao passo que escondem “os riscos e ameaças da presença de Eduardo Cunha, acusado pela Lava Jato e responsável pela paralisação da Casa de Leis, na presidência da Câmara dos Deputados”; deputado lembra que neste momento os movimentos sociais, a sociedade organizada e os órgãos independentes de investigação “são essenciais para o fortalecimento da democracia e o combate a corrupção, que atinge não só políticos de uma agremiação, mas, também, lideranças dos mais diversos partidos, empresários, representantes do judiciário, entre tantos outros”; leia, ouça, comente e compartilhe.

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Enio Verri*

A quem interessa a crise política? E a econômica? A instabilidade democrática e jurídica? Talvez, a uma minoria que encontrou uma oportunidade para lucrar em meio à crise; ou a uma oposição preocupada, muito mais, em seu projeto de poder do que realmente com o desenvolvimento econômico e social do País.

O editorial da Folha de S. Paulo que pede a renúncia da presidenta Dilma Rousseff e a campanha milionária da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) a favor do impeachment somente reiteram o interesse de alguns setores com as inconstâncias e fragilidades institucionais. Promovem um discurso de caos em vez de pregarem a união por soluções.

É de estranhar os esforços pela deposição de uma chefe de estado eleita democraticamente e sem nenhuma acusação em seu currículo, ao passo que empregam uma força desproporcional contra um governo legitimo e escondem os riscos e ameaças da presença de Eduardo Cunha, acusado pela Lava Jato e responsável pela paralisação da Casa de Leis, na presidência da Câmara dos Deputados.

As condicionalidades que se manifestam pelos discursos de setores conservadores e grupos que se utilizam-se de artifícios obscuros para financiar e patrocinar o processo de impedimento não só ferem o sistema democrático, como ainda, agravam os prejuízos à toda a população brasileira nesse momento conturbado.

Momento forjado sobre seletividades que pregam o ódio contra uma agremiação ou campo ideológico e se esquecem que por trás de toda a acusação se encontra uma crise institucional e de confiança que não só atinge a todos os setores, como ainda, coloca em xeque antigos heróis, como Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-ministro do STF é suspeito de sonegar impostos na compra de um apartamento de luxo nos Estados Unidos, conforme arquivo da Mossack Fonseca, escritório panamenho conhecido pela abertura de offshores para brasileiros no Paraíso Fiscal.

No seio da crise política, a participação de movimentos sociais e sociedade organizada, assim como, de órgãos independentes de investigação são essenciais para o fortalecimento da democracia e o combate a corrupção, que atinge não só políticos de uma agremiação, mas também, lideranças dos mais diversos partidos, empresários, representantes do judiciário, entre tantos outros.

Contudo, a manifestação e cobrança de uma sociedade mais transparente, inclusiva e democrática devem estar associadas a um senso de responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento social e econômico brasileiro, respeitando o sistema democrático e as conquistas dos governos do Partido dos Trabalhadores.

Compromisso, esse, com os ajustes e reformas – tributária, previdenciária, federativa, política, etc – necessárias para a superação da crise e retomada do crescimento de um País reconhecido na última década pelas suas políticas de inclusão e de desenvolvimento socioeconômico.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

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