Coluna do Bruno Meirinho: Donald Trump; a prova da decadência do Partido Republicano

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Em sua coluna semanal, Bruno Meirinho (PSOL) aborda a pré-candidatura do empresário republicano Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Meirinho mostra Trump como uma figura caricata, com estilo excêntrico e esbanjador. Segundo ele, a riqueza de Trump teria origem em negócios duvidosos e sua candidatura representa setores da ultra-direita demonstrando a incapacidade do Partido Republicano em disputar a política nacional daquele país de forma consistente. O colunista relaciona o fenômeno com situações semelhantes ocorridas no Brasil, como a ascensão da popularidade de Jair Bolsonaro ou o desejo de volta da ditadura militar expressado em manifestações de rua. Leia, comente e compartilhe.

Bruno Meirinho*

Nas primárias americanas para a escolha dos candidatos à presidência, o empresário Donald Trump se destaca como o preferido dentro do partido republicano. Até o momento, ele está em primeiro nas primárias do partido, embora não tenha maioria absoluta, pois disputa com outros dois candidatos que, somados, têm mais votos que ele.

Trump é uma figura caricata, já há muito famosa por seu estilo excêntrico e esbanjador. Os prédios de sua companhia, em Nova Iorque e Chicago, são famosos ícones dessas cidades. Sua riqueza vem de negócios na área do entretenimento, como cassinos, e iniciativas fraudulentas, como uma empresa de marketing multi-nível (uma espécie de pirâmide financeira) que levava seu nome.

Na sua candidatura à presidência, Trump pretende representar posições de extrema-direita que, neste caso, têm se confundido com mera ignorância e preconceito, como quando acusou os imigrantes latinos de serem ladrões e estupradores. Muitas vezes, seu discurso surreal parece convencer apenas seus leais seguidores, não tendo força para conquistar apoio para além da militância.

Com isso, à proeminência da candidatura Trump no interior do partido parece ser mais um sintoma da incapacidade dos republicanos disputarem a política nacional de forma consistente. Alguns integrantes do partido avaliam que Trump seria facilmente derrotado por Sanders ou Hillary, candidatos dos democratas. É o sinal da decadência republicana: sua base parece ter se tornado sectária e preconceituosa.

No Brasil, vivemos alguns sintomas semelhantes. Apesar da força das manifestações pró-impeachment, liderada por grupos de direita que reverberam discursos simplistas a respeito da política, tudo indica que não se a a extrema-direita a maior vencedora em caso de golpe. Para além de um ou dois milhões de pessoas que defendem um golpe militar – o que parece ser bastante gente –, essa posição não atende à demanda dos demais 100 milhões de votantes que participam das eleições.

O fato de figuras como Bolsonaro liderarem as expectativas de alguns militantes do impeachment é, a exemplo do sintoma Trump, sinal da decadência política desse setor na sociedade. Bolsonaro é incapaz de alcançar uma votação capaz de mudar a conjuntura política. O saldo da crise política poderá ser o fortalecimento de posições centristas, como Marina Silva, e não o aumento da influência dessa extrema-direita, que confunde o programa conservador com o esbravejar de preconceitos e ignorância.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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