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As pedaladas e o conjunto da obra

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O senador Alvaro Dias (PV) sustenta que houve crime de responsabilidade por parte da presidenta Dilma Rousseff (PT) e, portanto, defende que ela seja julgada impedida de governar pelo Senado Federal. Além das “pedaladas fiscais” que, segundo o senador, foram alertadas por técnicos do tesouro, haveria o “conjunto da obra” que incluem outras operações financeiras suspeitas na visão de Dias. Leia e ouça sua coluna a seguir.

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As pedaladas e o conjunto da obra no impeachment

Alvaro Dias*

Dois anos antes de o Tribunal de Contas da União (TCU) começar a discutir as pedaladas fiscais, técnicos do Tesouro Nacional já alertavam a presidência da República para os riscos que o governo corria ao adotar, por meio da contabilidade criativa, esse tipo de artifício fiscal.

Os alertas foram feitos não só em relação ao Banco do Brasil, mas também ao BNDES. Esse é um assunto tão debatido e tão repetitivo, que se tornou cansativo. Eu estranho que o PT tenha usado tanto o nome de Eduardo Cunha, como se fosse ele o responsável pelo impeachment. O PT deveria agradecer ao presidente da Câmara, porque ele acolheu um pedido sobre as pedaladas, e deixou de acolher mais de 50, que dizem respeito à corrupção e ao conjunto da obra de imoralidade pública que se edificou neste País nos últimos anos. E adotou esse posicionamento como autoproteção

Portanto, essa desvairada tentativa de convencer o País de que não houve crime de responsabilidade menospreza e ofende o TCU, que é uma Corte de Contas extraordinariamente qualificada tecnicamente, e que definiu como pedaladas os procedimentos adotados pela presidente Dilma para fechar as contas públicas.

Mas o que fica evidenciado é que o governo não precisaria ter adotado as pedaladas se não tivesse repassado ao BNDES, de 2008 a 2014, R$716 bilhões, para alimentar determinados grupos econômicos no País e nações ideologicamente próximas, especialmente algumas ditaduras corruptas e sanguinárias mundo afora. Esses recursos vieram do Tesouro, FAT e FGTS, portanto recursos dos trabalhadores brasileiros, repassados ao BNDES com essa finalidade. O governo poderia ter dispensado a maquiagem nas contas se não tivesse agido dessa forma irresponsável e comprometedora.

Destaco que nós estamos, aqui no Senado Federal, julgando o crime de responsabilidade, mas deveríamos estar julgando outros crimes que foram praticados à sombra do poder, no País, e que envolvem direta ou indiretamente a presidência da República em vários deles. Pode o PT trazer tribunal paralelo; já há governo paralelo; haverá residência oficial paralela. É um paralelismo incrível! Tragam um tribunal paralelo e, certamente, ele se curvará à realidade dos fatos.

*Alvaro Dias é senador pelo Partido Verde. Ele escreve nas quartas-feiras para o Blog do Esmael sobre “Ética na Política”.

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