Coluna do Bruno Meirinho: Segredos íntimos ou o que tem a ver o grampo de Nixon com Dilma?

conversa

Bruno Meirinho (PSOL), em sua coluna semanal, fala dos vazamentos de grampos telefônicos pelo Juiz Sergio Moro que, para ele, mostram a incapacidade do magistrado de conduzir a Operação Lava Jato; pois ele teria uma posição prévia sobre o caso, demonstrando isso no despacho pelo qual justificou a divulgação de gravações sem nenhuma relevância jurídica, mas com grande potencial constrangedor aos interlocutores. Segundo Meirinho, as conversas gravadas não revelam crime, ao contrário, mostram Lula pedindo justiça, isonomia. E ele termina lembrando a comparação que o Juiz fez do caso de Dilma com o de ex-presidente americano Richard Nixon, mas se no caso dos EUA o grampo foi ordenado pelo presidente, no Brasil, a presidenta foi a vítima. Leia, comente e compartilhe.

Bruno Meirinho*

A divulgação das gravações de conversas entre Lula e a presidenta Dilma e outros interlocutores pelo juiz federal Sergio Moro, da Lava-jato, é o fato derradeiro que demonstra a incapacidade deste juiz para julgar o processo.

Confesso: no princípio eu lhe dei o benefício da dúvida. O julgamento de figuras de alto escalão de governistas e empreiteiras não era, por si só, circunstância suficiente para caracterizar a suspeição do magistrado. Afinal, certamente os governos Lula e Dilma se caracterizaram mais pela entrega ao fisiologismo (chamado de governabilidade) do que pela fidelidade programática. O envolvimento em esquemas de corrupção seria mera decorrência dessa escolha.

Sem descartar que crimes tenham sido cometidos e devam ser investigados, a permanência de Moro à frente desse processo é um desserviço às instituições e à própria elucidação dos fatos. A veiculação de gravações ilícitas feitas sob sua jurisdição causaram graves danos a todos os envolvidos, e não comprovaram nada. Moro sabe que um fato consumado vale mais do que a legalidade, e, se for mantido na função, será um exemplo de que a atuação ilegal de juízes “vale a pena”, se os fins inconfessáveis justificarem os meios.

Moro tem posição prévia sobre esse caso. Não exibe, de forma objetiva, capacidade de julgar de forma equilibrada os fatos investigados, e demonstrou isso no despacho bizarro por meio do qual justificou a divulgação de gravações sem nenhuma relevância jurídica, mas com grande potencial constrangedor dos interlocutores. Para ele, a divulgação se prestaria a preservar o direito de defesa. Moro desafia o bom senso.

A divulgação dessas gravações é tão constrangedora como qualquer conversa privada, com a diferença de que estamos falando da presidenta e seu antecessor. Ninguém pode afirmar que não possui segredos íntimos. Não querer expor nossas conversas privadas não é um crime, pelo contrário, é o próprio direito à intimidade e à sanidade mental.

Como não enlouquecer, se você sequer tem o direito de falar umas bobagens com alguém em quem você confia?

As conversas vazadas não revelam a existência de nenhum crime. Pelo contrário, em vários momentos revelam a cobrança por isonomia e justiça, afinal, não deveria mesmo ser feita a mesma devassa que se praticou contra o Instituto Lula contra redes de televisão e grandes empresas? Há alguém acima da lei?

Revelar segredos íntimos sempre terá efeitos catastróficos. “Profeta do caos”, avocou para si Delcídio Amaral, por ser o delator mais perigoso da República. O que falar então de gravações vazadas? Imaginemos o que Serra e Alckmin conversam sobre Aécio.

Gilmar Mendes, por exemplo, discursou no STF dizendo que Lula não poderia ser convocado por Dilma para obter foro especial e fugir do julgamento em Curitiba, no entanto, o mesmo Mendes apoiou a renúncia do então deputado federal Eduardo Azeredo do PSDB de Minas Gerais, para fugir do foro do STF e ser julgado na instância local.

Qual segredo íntimo explicaria essas opiniões?

Moro é frequentador assíduo de um grupo empresarial controlado por um político tucano. Não se sabe se cobra pelas palestras, ou se as presenteia aos empresários, mas é, certamente, um segredo íntimo que explica sua sanha em julgar com rigor o PT, e abraçar com amor o PSDB.

Mesmo com tantos segredos, todos eles podem ter o direito de falar em público o que bem entenderem, certamente evitando falar os chamados “sincericídios”. Falam o que e como pode ser dito. Esse é um direito nosso e, arrisco dizer, um dos pilares da República.

Em tempo: Incauto, Moro quis comparar o caso de Dilma ao de Nixon, pego no “Watergate”. Mas ora, Nixon renunciou, sim, acusado de grampear o telefone de opositores Democratas, e não por ter jogado conversa fora por telefone.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

9 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. I simply want to tell you that I am just newbie to weblog and actually enjoyed you’re blog. Very likely I’m going to bookmark your website . You amazingly have tremendous well written articles. Thanks for sharing your blog site.

  2. Essa turma do golpe midiático andaram assistindo muitos, mas muitos filmes de Hollywood patrocinado pela CIA. Até as operações da PF é CIA style.É tudo golpe!

  3. Quando Bruno Meirinho despontou na política, tinha por êle, razoável consideração.
    Ledo Ivo engano. Passageiro, felizmente. Como foi a minha simpatia pelo PT, de 2000 a 2003.

  4. O juiz Moro está construindo sua biografia na História do Brasil. Por enquanto temos um capiau ignorante. A comparação que ele faz com o Watergate mostra que ele não leu nada de importante sobre o caso. Se assistiu o filme Todos os Homens do Presidente, não entendeu nada. O Moro é o Nixon do caso Watergate. Dilma e Lula são vítimas de seu crime. Só falta a justiça brasileira condenar o criminoso.

  5. Gostei muito do texto do Bruno Mineirinho. Está colocando os pontos nos i´s! O mais vergonhoso deste episódio é que o juiz Moro não enviou o conteúdo dos grampos ao seu patrão, o STF, mas enviou para a Globo! Globo também é seu patrão? Qual a importância do conteúdo dos grampos para a nação brasileira? Só serviu para indevidamente ou propositalmente botar gasolina na fogueira e para colocar demonstrantes na rua, pró e contra. Aos demonstrantes contra Lula/Dilma e pró Moro falta discernimento: usam a camiseta da CBF que, depois do Congresso, é a entidade mais corrupta do Brasil!!!!!

  6. Parabéns pela coerência. Hoje em dia desligo a TV, é um absurdo e uma afronta a democracia. Não precisamos mais do teatro burgues e das redes de tv que estão impelindo o povo ao erro. Visivelmente estão criando uma situação de insegurança social onde o próprio povo está à mercê de si próprio, vergonhoso.

  7. Muito lúcido o comentário do Meirinho.
    Pena não haver espaço para esse tipo de pensamento fora dos Blogs.
    Só acrescentaria que o PT (Dilma e Lula principalmente) estão pagando pela covardia de não terem levado adiante a “Lei de Medios”.

  8. A vantagem que o garganta profunda tupiniquim é público e notório chamado moro.

  9. Comparar qualquer coisa entre Nixon e Dilma é no mínimo uma piada.
    Ao contrário de Dilma. Nixon era contra o comunismo, começa por ai
    E foi ele quem ordenou os grampos telefônicos.
    Diferente do que aconteceu por aqui, onde os grampos foram autorizados pela justiça.