Coluna do Enio Verri: Crise política ameaça o sistema democrático

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Em sua coluna semanal, o deputado federal Enio Verri (PT) aborda o acirramento da crise política que está resultando no processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Segundo Verri, “velhos fantasmas revelam o caráter político do processo contra a presidente que não carrega nenhuma denúncia que justifique o rito do impedimento na Constituição Federal.”. Para ele, o processo se reveste de preconceitos e ódio, com pessoas se manifestando pela volta do regime militar, ou pedindo a morte de governantes; o que estaria enfraquecendo e pondo em risco o regime democrático construído nos último anos. Leia comente e compartilhe.

Enio Verri*

Em meio à crise política que ameaça o sistema democrático e o rumo da economia nacional, a irresponsabilidade continua ditando o ritmo da Câmara dos Deputados e do Governo Federal, colocando o País em paralisia e agravando as consequências do período de dificuldades econômicas e jurídicas.

No centro do turbilhão do processo de impeachment, sancionada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), dono de uma extensa ficha no Supremo Tribunal Federal (STF) e, publicamente, contra o Governo Dilma, o desemprego, inflação, fragmentação institucional e desconfiança dos setores produtivos e dos consumidores.

Velhos fantasmas que revelam o caráter político do processo de impeachment contra uma presidente que não carrega nenhuma denúncia que justifique o rito do impedimento na Constituição Federal. Ascende-se, assim, como um plano de paralização governamental e criminalização de uma agremiação do que mesmo uma saída para a crise institucional, jurídica e econômica que o País se encontra.

Embora resultado de uma gama de fatores que envolvem diferentes instituições, não há como negar a responsabilidade e centralidade do Congresso Nacional tanto na manutenção do sistema democrático, quanto no andamento do processo de impedimento – promovido por uma oposição que prega o quanto pior, melhor.

Ao utilizar de manobras regimentais e legais, a oposição não só engessa a Casa de Leis, como ainda, reduz o parlamento a simples figura política, impedindo a riqueza dos debates sobre políticas públicas e aprimoramento de legislação de benefício de toda a população. Uma irresponsabilidade que se agrava com o patrocínio de uma elite ao ódio e criminalização de partido políticos.

A crise institucional e política, que se reveste de preconceitos de uma minoria que pede intervenção militar ou a morte de políticos brasileiros, está muito além dos anseios de poder da oposição e de uma classe mais abastada. Esses objetivos se afundam aos olhos de uma população que não se sente representada pelo sistema político atual.

O descontentamento, da grande maioria que se manifesta contra ou a favor do Governo, se dá contra o sistema de financiamento privado, as peculiaridades dos pleitos proporcionais, as fraquezas institucionais e a falta de uma representatividade efetiva na Casa de Leis. Um manifesto a favor de um Estado forte e representativo.

A união pelo Brasil está atrelada a responsabilidade de todos os atores políticos, em prol da integração nacional e garantia de direitos e políticas públicas representativas. Da capacidade do Congresso Nacional em reverter a crise e resguardar a democracia e o papel dos Três Poderes.

O Brasil necessita de mais democracia, respeito e coragem para estabelecer as reformas e ajustes de um País em desenvolvimento, inclusivo e justo. Que respeita seus códigos constitucionais e as vontades das urnas.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

3 Comentários

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  1. Movimentos pró-Dilma marcam protesto para quinta e podem fechar rodovias

    Maravilha, 31 de março é a data ideal para que a COBRA deixe de lado os entretantos e parta para os finalmentes, corrigindo as falhas do pós-1964!

  2. Coluna escrita por um PTista para PTistas. Como desqualificar o rito do impeachment se as pedaladas fiscais aconteceram tanto que a presidenta teve suas contas rejeitada pelo TCU, então o rito tem base legal sim. PTistas usam muito a crise econômica em seus discursos mas de quem é a responsabilidade da mesma? Falam em golpe, mas o rito esta intrínseco na constituição por tanto desqualifica qualquer adjetivo de golpe. Outra pergunta que faço aos PTistas QUEM são os golpistas???? Nunca vi uma oposição tão frouxa e omissa, provavelmente estao todos com rabo preso junto com os Petralhas. Não me sinto representado por ninguem para onde se olha so se ve um mar de lama, mas uma coisa eu sei, isso vai mudar, que caia Dilma, Lula, Aecio e todos os corrputos.

  3. Prezado Deputado, lamento mas não vejo mais nenhuma perspectiva de retomada, daquilo que consideramos o maior golpe na democracia até hoje. Primavera brasileira. Acredito que o impeachment, irá acontecer, o Temer sobe ao poder, o Eduardo Cunha não será julgado, nem condenado, a Vaza Jato, deixará de existir, o Beto Lixo, não será julgado, seus processos serão arquivados como os do Cunha, iremos às ruas inutilmente, seremos espancados, e humilhados pelo exército e a polícia, a Petrobrás será vendida, assim como outros ativos, perderemos nossa mobilização, e ficaremos amedrontados em um canto político como na época da ditadura. Quem quiser sobreviver terá que se apoiar nos golpistas. Agora eu pergunto. Se temos o governo na mão, por quê não cassar a concessão da Globo? Por quê não acolhemos outros partidos? Por quê com o governo na mão, deixamos que tudo isso acontecesse? O escândalo da proporção que deixamos? Por quê, com a luta de uma vida, desde os anos 80 colocamos tudo a perder, e voltamos a estaca zero? Teremos que engolir tudo isso e começar de novo? Respeitado deputado. Honestamente cansei.