Coluna do Bruno Meirinho: A ruptura do PMDB com Dilma; será que vai?

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Em sua coluna semanal, Bruno Meirinho (PSOL) comenta os movimentos do PMDB em relação ao governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). Segundo Meirinho, a notícia de que o PMDB do Rio de Janeiro está deixando o governo surpreende pois tanto o governador como o prefeito são do PMDB e apoiam Dilma. Para ele, tanto as notícias como as decisões colegiadas do partido não são confiáveis, pois a legenda é muito heterogênea. Bruno lamenta que o governo federal dependa tanto de um partido como este e ainda ajude a financiar a mídia responsável pela boataria reinante no país. Leia, comente e compartilhe.

Bruno Meirinho*

Ontem, quinta-feira, o jornal Extra, um veículo da imprensa ligado à globo, noticiou, afoito, que o “PMDB do Rio [de Janeiro] decide deixar o governo Dilma Rousseff”. A notícia é surpreendente, afinal, tanto o prefeito do município do Rio de Janeiro como o governador são peemedebistas e aliados do governo.

E não é só isso, o “líder” do partido na câmara federal, deputado federal Leonardo Picciani, é do Rio de Janeiro e briga há meses para preservar o cargo de liderança. Por outro lado, esse é também o estado do presidente câmara, Eduardo Cunha. Ou seja, o humor dos peemedebistas deste estado representa muita coisa na base de apoio.

Mas, normalmente, o PMDB não diz coisa com coisa. O partido é dado a ser notícia desse jeito: fala-se em plena quinta-feira santa que o partido teria desembarcado do governo, sem fonte, sem decisão oficial. Se alguém for desmentir esse boato, só daqui a três ou quatro dias, depois do feriado, e da segunda-feira, para dar mais suspense.

Nesse prazo, aumenta a cotação dos peemedebistas.

Mas a tendência é que a decisão do diretório nacional do PMDB, a ser tomada na terça-feira 29, não tenha grande significado prático na definição da base de apoio da presidenta Dilma. Desde sempre o PMDB esteve rachado sobre o apoio ao governo, e muitos peemedebistas de um lado e de outro não irão se curvar a uma única decisão.

Dentro da sigla, governistas preservarão sua posição, oposicionistas idem. Mesmo que o partido queira engrossar com ameaças de expulsão para os rebeldes que não se vincularem à posição majoritária, o cenário não deve mudar. O PMDB é uma pizza de dois sabores – ou mais –, e assim deve permanecer.

O boato do rompimento do PMDB Rio foi publicado pelo Extra às 18:00 dessa quinta-feira. Às 20:00, o jornal publicou uma “atualização”: diferentemente do que havia sido dito, o prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Carbal não votarão contra o governo, e sim deverão faltar à reunião do diretório nacional, permitindo que seus suplentes tomem a decisão da ruptura.

O governador Pezão, internado no hospital com problemas de saúde, deverá faltar por essa razão.

Ora, a notícia atualizada é absolutamente diferente da anteriormente veiculada. Não se trata da rápida evolução dos fatos, e sim de pura boataria, alimentada pela imprensa da rede globo, claramente partidária do impeachment. No fim, não me surpreenderia ser Paes, Cabral, Pezão e Leonardo Picciani estiverem presentes na reunião do diretório nacional, contrariando integralmente a notícia publicada.

No fim dessa história, nada terá mudado. As alas governista e oposicionista do PMDB preservarão suas posições na votação do impeachment, e qualquer notícia sobre a tomada de uma posição “unificada” nesse partido terá sido invariavelmente falsa.

O mais triste é o governo depender tanto do PMDB, assim como é triste que a sociedade dê a esse partido a maior bancada do congresso nacional. Ainda pior é ver que o governo contribui com o financiamento da mídia disseminadora da boataria.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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