Coluna do Reinaldo de Almeida César: “A verdade vos libertará”

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Em sua coluna semanal, Reinaldo de Almeida César fala da necessidade de se fazer maciços investimentos em segurança pública para reverter a atual escalada de violência a qual o Paraná está submetido. Segundo ele, isso inclui a urgente valorização das carreiras tanto na Polícia Militar, como na Civil. Reinaldo comenta que o bilhão desviado da receita estadual, num esquema desvendado pelo Gaeco, estaria fazendo falta nos investimentos necessários ao programa Paraná Seguro. Ele opina ainda que as delações premiadas da Operação Lava Jato têm servido para desvelar “sacripantas achacadores” que já eram conhecidos em determinados círculos políticos. Leia, comente e compartilhe.

Reinaldo de Almeida César*

Divirto-me até não mais poder, gargalhando às escancaras, ao observar as manifestações daqueles que, além de se sujeitarem a carregar a liteira no Palácio, ainda acham tempo para me agredir, não aceitando as observações críticas que faço, em relação ao atual governo, na área da segurança pública.

Também acho muita graça quando portadores de inveja ou fomentadores da intriga não se conformam quando elogio, naquilo que me merece, a gestão do secretário Wagner Mesquita.

Considero o secretário Mesquita um bom profissional, jeitoso, de boa conversa, com preparo técnico para o exercício da função. Tem perfil baixo, sabe valorizar a equipe e — importante para ele — está consciente das inevitáveis traições e decepções a que estará sujeito, de onde e quando menos esperar.

Essa consideração pessoal que faço ao secretário Mesquita, sem qualquer favor, não me inibe em dizer que as atuais condições das polícias civil, militar e criminalística, estão muito, muito longe das necessidades destas instituições.

Nada me fará deixar de cobrar o governo, para que valorize as carreiras dos profissionais da segurança pública, convertendo o reconhecimento em salários dignos para oficiais e praças da PM, para delegados, escrivães, investigadores e papiloscopistas da Civil, para médicos-legistas e peritos, entre outros.

Nesta semana, o competente secretário Beltrame, do Rio de Janeiro, falou com muita  firmeza sobre recursos e investimentos. Agindo assim, ganha o respeito da sociedade e ainda ajuda o governo, pela sinceridade que transpira.

Por aqui, quando eu disse da necessidade do aporte de robustos investimentos no Programa PARANÁ SEGURO, lutando por recursos, isso em março de 2012, fui duramente censurado e segregado no governo. Alguns até arriscam dizer que ali foi o começo do fim da minha gestão. Tomara que seja verdade, quedarei orgulhoso disso.

Apontar graves falhas e notória ausência de investimentos na área da segurança pública não pode ser considerado crime de lesa-majestade, como se governador não exercesse um mero mandato, outorgado em caráter temporário, pela sociedade e em favor desta.

A não ser que os áulicos do poder estejam satisfeitos com o visível aumento da criminalidade violenta, com assaltos a bancos e restaurantes, a redes de farmácias e supermercados, e agora, num quadro surreal, assalto à salão de beleza no chique e caro Batel, onde foram roubados 200 mil reais em mechas de cabelo.

Estou convicto de que aquele um bilhão que escorreu pelo ralo nos malfeitos dos personagens — que, aliás, parecem não ser dignos de morar na pujante Londrina — revelados pela belíssima operação “Publicano”, do Gaeco, esteja mesmo fazendo muita falta para os investimentos preconizados pelo Programa PARANÁ SEGURO, assim como concebido em agosto de 2011.

A esses néscios, escondidos no armário do anonimato, que se incomodam com as críticas objetivas que faço, relembro que exigir que o governo faça bem feito sua parte na segurança pública é direito e responsabilidade de todos, nos termos do art. 144, da Constituição Federal, pra dizer o menos.

Continuarei a reclamar consistentes investimentos no setor, para o integral cumprimento do Programa PARANÁ SEGURO, relembrando que a segurança pública é o único serviço prestado pelo Estado em caráter verdadeiramente universal, dirigido a todos os cidadãos indistintamente.

Aos eunucos de pensamento, que não aceitam que, como cidadão, possa eu me manifestar sobre tais temas, sugiro que voltem a abanar os imperadores assirios e otomanos, enquanto sigo minha toada, “ridendo castigat mores”.

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Uma palavra rápida de solidariedade.

Nem ela, nem o filho precisam disso.

Mas, sinto-me na obrigação de fazê-lo.

Pode-se discordar de decisões do juiz Sergio Moro e até, na livre manifestação de pensamento, criticá-las na mídia e nas redes sociais, nesta sociedade plural que vive a era da informação de imediata e rápida circulação.

Agora, um bando de aloprados invadir uma sessão de homenagem às mulheres, num 8 de março, na Câmara de Vereadores da pacata Maringá, para ofender e constranger a septuagenária senhora Odete Moro, mãe do magistrado, é requerer, preencher, assinar e conceder a si mesmo um atestado de supimpa boçalidade e burrice atroz.

Meus respeitos à Senhora Odete Moro, digna professora aposentada da rede estadual.

***

Falando em Sergio Moro, uma rápida palavra sobre delações premiadas.

É que além de identificar criminosos, descobriu-se nos últimos dias que as delações premiadas servem também para revelar, à luz da verdade, conhecidos sacripantas achacadores cujos comportamentos, embora largamente conhecidos, ficavam antes restritos aos confinados ambientes políticos.

Bendito seja, como confirmação da Palavra de João, “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, sagrada para nós, verdadeiros cristãos pela fé e não por interesses inconfessáveis.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.

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