Por Esmael Morais

Lava Jato vira central de fofocas, enquanto o país é saqueado

Publicado em 14/02/2016

Para o país, mais essencial que a pauta (armadilha) do falso moralismo, algo udenista, seria reduzir os juros do cartão de crédito que bate na casa dos inacreditáveis 431% ao ano (nos EUA é de 20% ao ano), bem como os lucros pornográficos que os bancos vêm obtendo (em 2015: Itaú R$ 23,32 bilhões, Bradesco R$ 17,19 bilhões, Santander R$ 6,62 Bilhões…).

Nessa linha do divertere, do desviar da atenção ao que realmente interessa, o Congresso Nacional deverá retomar o projeto das terceirizações, a quebra do monopólio no pré-sal, e o governo Dilma colocará na pauta as reformas da Previdência e dos sindicatos. Enfim, pautas contra os trabalhadores.

Volto à vaca fria, ou seja, às fofocas dos lavadeiros e das lavanderias da Lava Jato.

Quem melhor narrou esses factoides (fofocas) da Lava Jato com o excelente jornalista Luís Nassif, que disseca o modus operandi da força-tarefa comandada pelo juiz Moro.

“O bordão anterior de que “a Lava Jato investiga fatos, e não pessoas” é substituído por insinuações graves contra as “altas esferas do Governo Federal”, modo pouco sutil de se referir a Lula”, anotou Nassif neste domingo (14).

O jornalista ainda observou que “o caso Solaris, o edifício que tem o tal tríplex que pretendem atribuir a Lula”, teve a pauta derruba após o DCM (Dário Centro do Mundo) publicar uma matéria sobre a casa da família Marinho em Parati. Recupera uma reportagem da Bloomberg de 8 de março de 2012. A reportagem narra os crimes ambientais da família Marinho.

Por causa dos factoides — fofocas histéricas — contra Lula, como no caso das cachaças do ex-presidente transportadas para o sítio ou os pedalinhos em Atibaia, a Lava Jato vai perdendo apoios porque até os mais encarniçados entusiastas das investigações, como o jurista Walter Maierovitch, ícone da luta contra o crime organizado, condena o que ele considera armação e “invasão de privacidade” do petista.

O deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ), em artigo no qual busca um Bernie Sanders no Brasil, considera a discussão em torno de caixas de cervejas e canoas de R$ 4 mil uma incrível “miséria intelectual”.Segundo o parlamentar, que não é do PT, “é o trunfo da migalha sobre a relevância”.

Resumo da ópera: para “pegarem” Lula e tirá-lo da cena eleitoral de 2018 vale tudo, até mesmo partir a fofoca.