Coluna do Rafael Greca: #InventeUmaDesculpaProFruet

desculpa

Em sua coluna semanal, Rafael Greca (PMN) aponta uma série de problemas administrativos que estão fazendo Curitiba regredir em qualidade de vida para seus habitantes. São problemas na saúde pública, segurança, transporte coletivo, trânsito, obras inacabadas, etc. Segundo Greca, o atual prefeito Gustavo Fruet (PDT) não tem mais de onde retirar desculpas pela inoperância de seu mandato, por isso está lançando a tag:  #InventeUmaDesculpaProFruet. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Rafael Greca*

O que fizeram com a nossa casa? O que foi feito da qualidade de vida da nossa Curitiba? Como Fruet conseguiu aniquilar uma Prefeitura que já foi modelo de serviço público?

São perguntas que não calam. E como estamos no último ano desta desprefeitura, cabe a pergunta das perguntas: o que foi feito prefeito?

É dever de um prefeito entregar ao sucessor uma Cidade melhor, mais justa e mais bela do que a recebeu. O que foi feito prefeito?

Silêncio nos tribunais das calçadas, onde quem cala consente. Jogar a culpa em Brasília, não cola. Jogar a culpa nos protestos curitibanos, não cola. Acabou o milho, acabou a pipoca. A fábrica de desculpas faliu, por isso o movimento #voltacuritiba lançou a tag #InventeUmaDesculpaProFruet.

A cidade nunca esteve tão maltratada. O desprefeito não cuida da cidade, nem olha para as pessoas. Não há obras, não há ação social, nem coragem política. Falta presença e a marca até agora só a molecagem no Facebook, que seria cômico, se não fosse trágico. Há sangue nas calçadas, muita violência. Há moradores de rua, há ratos, há buracos, há pichações. Por sorte ainda existe o prédio da prefeitura, só não há prefeito, mas um colegiado nepotista ávido por aumentar taxas, tarifas e impostos.

Sem resposta para a pergunta o que foi feito prefeito, a ausência de Gustavo Fruet na sabatina da Gazeta do Povo foi uma confissão de desonestidade e de desrespeito ao povo de Curitiba. Não prestar contas não combina com Curitiba e muito menos combina com a autoproclamada “honestidade”, da qual Fruet tanto se gaba.

Não é honesto Fruet ter duplicado a dívida da Prefeitura em 4 anos. Não é. A desculpa “culpa do Ducci”, perdeu o prazo de validade. FRUET passou quatro anos montado na desculpa que herdou do dívidas do Ducci, mas não denunciou o Ducci. Por que? Poderia e deveria ter encaminhado uma denúncia séria contra o antecessor, mas não denunciou. Deixou quieto.

Até os paralepípedos desta cidade sabem que vários cargos ficaram na mão dos mesmos, assim como foram renovados todos os contratos, da Consilux ao ICI. Ficou tudo como era antes. Foi eleito para mudar, e não mudou.

Ou Fruet é duas vezes incompetente, ou é duas vezes conivente.

O que foi feito, Prefeito? Prefeito é um substantivo que tem “feito” no nome. Fruet não tem nenhum feito. Será por isso que Fruet é só Prefs?

Perdi a eleição de 2012 para uma fotografia banhada em ouro. Ouro da corrupção denunciada pela Lava Jato. Esta fotografia revelou-se trágica quando saiu do papel.

Os problemas cresceram e crescem. E todos os problemas de Curitiba estão entre a mesa e a cadeira do prefeito. Estão no prefeito. Omisso, indeciso, ausente, inacessível. O povo não viu o prefeito Fruet. Procura-se. Fruet sumiu como fugiu da sabatinada; fugiu como sumiu da feirinha do Juvevê que frequentava antes de ser eleito para a mudança que não aconteceu.

As obras da Copa não acabaram: Terminal de Santa Cândida; Praça Afonso Botelho – ou da Arena do Atlético. Gastou 5 milhões na reforma da Praça da Espanha, pasmem, R$ 5 milhões e a praça continua inacabada; com o nosso Farol do Saber de luto, pintado de preto, pichado na cracolândia que instala-se no lindo logradouro. A central de Câmeras de segurança — pagas pela Fifa — está até hoje inoperante. Fruet não pagou as obras da Rodoferroviária. Perdulário. Semáforos estão dessincronizados nos corredores de circulação urbana: Desembargador Mota, Brigadeiro Franco, Padre Agostinho, Algacir Munhoz Mader.

Magnólias foram cortadas na Inácio Lustoza para colocar radares. Quanto custa a licença para derrubar um pinheiro ou uma árvore sadia? O delivery da indústria da poda, em ano eleitoral, é feito no meio da noite.

Não foi resolvido o fiasco dos radares. Sem atitude o Prefs fez que não viu o fato novo do caso Yared x Carli x Almeida. Um homem que tem uma multa, no radar que nada viu, da esquina da Monsenhor Ivo Zanlorenzi com Paulo Gorski, apenas 3 minutos antes do duplo óbito.

O ano em que nos prometeram 30% do OGM, orçamento geral do Município, para a Educação começou com o fechamento de 25 berçários municipais. Um deles, o do conjunto Santa Ifigênia, tinha 30 anos, aberto pela minha, e de todos, querida Secretária da Criança,  Fani Lerner.

A verba das escolas públicas municipais é a mesma de 4 anos atrás. A Prefs, aliada do pior PT do país, o PT paranaense não viu a inflação galopante.

Na Escola Vinhedos criança autista sofre com os gritos das outras crianças, é torturada pelo barulho. Acabaram os convênios com as escolas de educação especial. Colocaram em salas comuns as crianças especiais de difícil inclusão.
Fruet também desintegrou a Rede Metropolitana de Transportes. Prometeu que, se desintegrasse, a passagem diminuiria. Prometeu não cumpriu, mentiu. Fez pior, sadicamente aumentou. Infernou a vida do povo. Os ônibus continuam sucateados. A frota está sem renovação desde 2013.

Curitiba continua sonhando com uma tarifa social justa, precisa, única. No gosto de minha experiência, deve-se pagar por Kms rodados de toda RITM X custo do km rodado dividida pelo número de passageiros transportados.
Entregou a Saúde ao PT paranaense.  E fechou uma UPA, a da Fazendinha, para “segurar” as outras.

Uma UPA custa R$ 2 milhões por mês; considero muito comparando com o volume de serviços médicos prestados pela Santa Casa, onde até transplantes fazem. A Santa Casa custa R$ 10 milhões/mês. E as verbas do SUS cobrem só 60% dos serviços.

Em 2015, o déficit da Santa Casa foi de R$ 12 milhões. O que foi feito prefeito para equilibrar a Santa Casa? Onde está o dinheiro? Quem responde? O burocrático Fruet deve para o Hospital Pequeno Príncipe e outros prestadores de serviço. A burocracia da Secretaria Municipal de Saúde é sufocante, letárgica.

Moradores de rua, desde abril, há quase um ano, vivem dentro das salas de emergência das UPAS do Campo Comprido e da CIC. O morador de rua que mora na UPA da CIC ficou famoso, Santino, bombou na internet.

O mosquito da dengue aterrissou em Curitiba. Fruet não tem dinheiro para fumegar a cidade com inseticida anti Aedes. No Cristo Rei, 5 tímidas agentes de saúde foram “caçar” o mosquito, como se o caso não fosse grave. A drenagem de Curitiba deixa a desejar. A limpeza pública, nem se fala. Os bairros estão um matagal. Até nos canteiros de escolas, creches e postos de saúde. As equipes de roçada são insuficientes.

Há Unidades de Saúde abandonadas. Em ruínas. No Jardim das Américas, na Vila Tingui, na CIC.

Fruet vendeu a virgindade ao PT do Paraná. Apareceu de mãos dadas com os arrogantes que levantavam punhos fechados e que hoje estão algemados. Hoje Fruet finge rompimento, mas o PT mantém ainda cargos de decisão na Prefeitura.

O fiasco e a inércia transformaram Curitiba na capital dos mendigos. A sra Fruet anunciou a instalação de guarda-volumes para mendigos na Rodoviária, em resposta à indignação da ACPr – Associação Comercial do Paraná e Abrabar, pelo descarte de gente nas marquises de Curitiba, transformadas em mix de WCs e dormitórios, onde ratos, cães abandonados, convivem com sujeira, e pessoas humanas descartadas. Dois cachorros mortos apodreceram ao relento, chegaram a feder, na semana do ano novo. Um na Sete de Setembro esquina com Coronel Dulcídio; outro na Martim Afonso com Mário Tourinho, defronte à Unidade de Saúde Campina do Siqueira.

Fruet só se lamenta, mimimi, chororó. Diz que Prefeitura está quebrada. Fruet, por favor vamos debater no programa do Galo; me deixa dizer olhando nos seus olhos: “Se está difícil pra você, deixa que eu faço”.

*Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, é engenheiro. Escreve às quartas-feiras no Blog do Esmael sobre “Inteligência Urbana”.

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