Coluna do Bruno Meirinho: ¿Feliz año nuevo?

argentina

Em sua coluna semanal, Bruno Meirinho (PSOL) analisa a situação política na Argentina após a vitória da direita nas eleições presidenciais e o início do governo Macri. Segundo Meirinho, além de um retrocesso social para nossos vizinhos, a guinada à direita influenciará toda a América do Sul, pondo em xeque o ciclo progressista que predomina atualmente. Leia, comente e compartilhe.

Bruno Meirinho*

Hoje quero falar sobre a situação política na Argentina. Agradeço à preciosa contribuição do brasileiro-argentino Rodolfo Jaruga, que acaba de voltar daquele país, para as informações contidas no texto.

A eleição de Maurício Macri além de representar, obviamente, um retrocesso social na Argentina, modifica radicalmente o mapa geopolítico latinoamericano. Do ponto de vista político, nunca tinha havido, na Argentina, um alinhamento dos governos federal com os da Província de Buenos Aires (a mais rica) e da Cidade de Buenos Aires.

Mas o partido político de Macri, PRO, líder da correlação de forças denominada CAMBIEMOS, governa essas três instâncias, o que representa um certo acirramento da geografia política da Argentina, com o centro portenho alinhado com Macri contra a Krchnerismo hegemônico nas periferias e no interior.

Mesmo controlando poder na maior cidade e na província mais rica, Macri e seu partido não têm maioria no Congresso Federal, onde o peronismo tem ampla representação. Esse peronismo, ancorado sobretudo no partido justicialista, é disputado por Cristina Kirchner (que apoiou Daniel Scioli) e por Sergio Massa, que obteve um quinto dos votos para presidente.

Ou seja, a oposição a Macri ocorrerá no legislativo federal e os primeiros movimentos do presidente eleito mostram, de entrada que a relação não será republicana. Dentre os primeiros atos institucionais, dois revelam singular relevância, ambos praticados por decreto: a designação de dois ministros para a Corte Suprema e a destituição do titular da Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual (AFSCA), cujo mandato havia sido instituído por lei.

A primeira medida foi revogada, já que membros do próprio governo se escandalizaram com o decreto. A segunda foi levada a cabo e se trata do primeiro passo para reverter as conquistas populares da reconhecida Ley de Medios, que democratizou as comunicações argentinas e afetou diretamente o oligopólio do Grupo Clarín. Macri, eleito democraticamente, já mostrou que ignorará olimpicamente o Congresso Nacional e, se necessário, fará decretos prevalecerem sobre leis.

Dentre as medidas econômicas, já vimos a desvalorização do peso (de 40% num só dia), e o anúncio da redução a zero do imposto de exportação de diversos produtos agro (trigo, carne, etc.). O imposto da soja será de risíveis 5%. Anunciou também a brutal redução das alíquotas de importação de produtos industrializados.

A Argentina será inundada por produtos estrangeiros, forçando uma desindustrialização que vinha sendo combatida pelos governos Kirchner. Fala-se em redução de 25% do poder de compra dos salários. E, por outro lado, o país padecerá de graves problemas fiscais, pois embora o imposto sobre a soja já fosse baixo, era fonte de consideráveis recursos para o Estado. A solução macrista é a contração de dívida e por isso a negociação com organismos internacionais já começou.

Outra medida radical tomada na primeira semana de governo foi a declaração de estado de emergência na segurança pública para que medidas de exceção pudessem ser exercidas no combate do narcotráfico. A América Latina precisa de uma política integrada para lidar com o narcotráfico, mas, com certeza, não é aquela apregoada por Washington e aplicada, irrestrita e colonialmente, pelo presidente Macri já no alvorecer de seu governo. Com isso, Macri mudou o alinhamento da região.

A era de ouro das forças progressistas na América do Sul (Evo Morales, Lugo, Cháves, Mujica, Correa, Lula, Kirchner, etc.) parece estar num ponto de inflexão. A eleição de Mauricio Macri mostra que os setores conservadores (globalizados e financistas) estão ganhando espaço na região. O tabuleiro está mudando e a luta deve ser intensificada.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

8 Comentários

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  1. A eleição de MACRI representa um duro revés nos moventos sociais da América Latina, considerando que de Dilma, pouco ou, nada se pode esperar!

  2. Bueno, esse Macri é do grupo Frigorífico Macri e ao que se sabe se aventurou em Chapecó, muito mui amigo, logo a esperteza malévola do grupo deu com os burros n’água e muito rapidamente bandeou-se para as bandas do lado de lá do Rio Uruguai. Entretanto, o governo da Senhora Kichner foi um desastre e violou princípios do método de Marx, deu no que deu, humilhante derrota. E também vejo um retrocesso na evolução progressista, bem aos moldes do que tratou Eduardo Galhano no seu livro Veias Abertas da América Latina.

  3. kkk
    “Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.”
    kkk

  4. Meirinho, você se leva a sério quando escreve esse tipo de artigo ou dá risada de quem lê?

    Anos de desastre econômico – e consequentemente social – em nosso país vizinho. Milhares de sindicalistas pelegos mamando nas tetas estatais e você vem falar em retrocesso?

  5. Isso reforça a necessidade de um realinhamento, de coesão, das forças democráticas e de esquerda no Brasil e demais países da América Latina. Não se trata de simples apoio a Dilma, ou outro, mas sim o fortalecimento do campo popular

  6. Pois é… Macri não tornará o país macro !!! Nem precisamos ir muito longe para perceber que no Brasil temos menos nacionalistas… infelizmente.
    FHC vendeu a casa e Lula armou uma lona… é uma pena… ficamos vendo a corja se degladiando nas TVs e o povo dando um jeitinho pra tudo… feliz ânus novo.

  7. Os ricos “pobres de espírito” antinacionalistas, que se acham cidadãos de 1º mundo, querem nos levar a um retrocesso colonialista, com o argumento de que a América Latina vale nada. Pobres “possuídos”, escravistas e bitolados. Eles não vencerão!