Coluna do Marcelo Araújo: Falsa valentia ou declarada covardia?

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Em sua coluna semanal, Marcelo Araújo comenta a sabatina promovida pelo jornal Gazeta do Povo com os pré-candidatos a prefeito de Curitiba. Marcelo questiona os critérios do jornal para definir quem participaria da sabatina e também a recusa do atual prefeito, pré-candidato à reeleição, Gustavo Fruet (PDT). Eles pergunta se a ausência de Fruet significa medo de se expor ou falta de propostas mesmo. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Marcelo Araújo*

Primeiramente quero cumprimentar o leitor e ouvinte da minha coluna no Blog do Esmael, os que concordam e discordam das minhas opiniões, em especial àqueles que dedicam seu tempo a comentar, protegidos ou não pelo anonimato e pelo pseudônimo, os quais sempre que possível procuro responder.

Apesar da crença que o ano só começa a partir de amanhã, à tarde, no cenário político municipal já tivemos um aperitivo interessante com a sabatina da Gazeta do Povo aos pré-candidatos à prefeitura de Curitiba que se deu a partir de 18 de janeiro.

Houve a participação de sete pré-candidatos escolhidos pelo aleatório critério de possuir mais de 4% de índice nas pesquisas. Me parece que este critério de corte nesse momento preliminar não ofereceu a todos a oportunidade de se expor e expor. Ter índice abaixo de 4% não significa necessária indiferença ao processo eleitoral, pois 5 candidatos com 3% representariam 15% dos votos, sem as margens de erro.

Uma análise do perfil dos pré-candidatos também expôs um lado preconceituoso do jornal, pois apenas citou e não entrevistou duas mulheres e ainda destacou a ausência de um negro, mesmo já tendo feito correções em matérias anteriores reconhecendo a presença de um negro, o que mostra que quem escreve na Gazeta não lê a Gazeta.

Mas, o mais surpreendente, inesperado, inexplicável e em momento algum analisado pela Gazeta foi a ‘recusa’ do atual prefeito a participar da sabatina. Não se analisou se é estratégia de não se expor e não arriscar queda nos atuais índices, se é medo ou falta de propostas.

Ao contrário, numa inversão de valores o jornal foi desrespeitoso àqueles que se dispuseram a participar da sabatina, covardemente acusados de frágeis tecnicamente e ignorantes da realidade, impossibilidade de realizações e falsa valentia. Entre acusar de falsa valentia e não apontar a declarada covardia do atual prefeito não sei o que é pior.

O fato é que os sabatinados, tratados pela alcunha de ‘bolas murchas’, genericamente criticados, deveriam interpelar o periódico para esclarecer quem é acusado do que e sob quais fundamentos e provas, ou meras palavras lançadas a esmo.

Vamos ver até onde a estratégia avestruz do atual prefeito receberá essa blindagem, pois nem precisa ser analista político para concluir que ele é tecnicamente frágil, ignorante da realidade, não realiza nada e estraga o que estava bom. Ou seja, não é um falso valente, mas um declarado covarde. Um verdadeiro bola murcha!

De multa eu entendo!

*Marcelo Araújo é advogado, presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas terças-feiras para o Blog do Esmael.

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