Coluna do Requião Filho: A hipocrisia institucionalizada e os bedéis do governador Beto Richa

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Em sua coluna semanal, o deputado estadual Requião Filho mostra como agem alguns deputados estaduais que, para ele, têm lealdade cega pelo governador Beto Richa (PSDB). Segundo Requião, esses parlamentares, ao invés de cumprirem sua função de fiscalizar o governo e criar leis, somente apoiam o que o “patrão” manda, obedecendo cordialmente. Para o deputado, os carimbos de aprovação ou desaprovação dos projetos que tramitam na Alep, parecem pertencer ao governador; e são poucos os parlamentares que defendem os verdadeiros interesses dos paranaenses. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Requião Filho*

Muitos Parlamentares se gabam de sua carreira política, estufam o peito para dizer que são Deputados, mas em verdade não passam de serviçais do Governador do Estado.

Ao invés de cumprirem sua função de fiscalizar o Poder Executivo e legislar, somente dão apoio ao que o Patrão lhes manda, obedecem cordialmente.

Pior ainda são aqueles que nem se quer respeitam o próprio Partido! Não importa quem ocupe a cadeira de Governador, obedecem como se fossem meros empregados. E ainda ficam com o ego abalado quando as lideranças do Partido reprovam seu comportamento subserviente.

Esta semana tivemos um exemplo do nível de domesticação de alguns parlamentares.

Um Projeto de Lei, de minha autoria, que visava beneficiar as micro e pequenas empresas foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça. Em sua primeira passagem pela CCJ, o Projeto de Lei recebeu parecer contrário, porém neste mesma sessão outro Deputado pediu vistas para analisar melhor o teor do Projeto. Notem: o Projeto ainda não tinha sido colocado em votação.

O parecer contrário não era nenhuma surpresa, afinal, o Projeto desagrada o Governador. Mas não deixa de ser um parecer curioso, aplicando legislação anterior à Constituição como se fosse hierarquicamente superior à Carta Magna.

Ocorre que, nesta terça-feira, quando o Deputado que pediu vistas iria começar a se manifestar a favor do Projeto, o Relator se manifestou afoito, objetando que o Projeto já havia sido votado. Chegou a erguer o papel que tinha sobre a mesa e mostrar que o Parecer dele próprio, contrário ao Projeto, já estava com todas as assinaturas dos demais deputados e com o carimbo de aprovado da Comissão, levando o Projeto a desaprovação, como se a votação tivesse ocorrido.

Mas como isto? Se nem se quer tinha sido aberta votação pelo Presidente da Comissão?

Vejam a que ponto chega à aflição de alguns para lustrar os lustres do Palácio ou engraxar as botas do Governador. Para que servimos na Assembleia Legislativa se todas as decisões que interessam ao Governo já foram tomadas na sala dos bedéis do Palácio?

Isto é uma ofensa ao próprio Poder Legislativo, pois ao que parece os carimbos de aprovação e desaprovação dos Projetos pertencem ao Poder Executivo.

Afinal todos sabem, não importa quem esteja no Governo, alguns sempre estarão dispostos a acatar qualquer ordem para receber alguns elogios.

Esta hipocrisia institucionalizada é um completo absurdo. É paranaenses! Poucos são os que realmente lhes servem e lhes defendem. Muitos ocupam cargos no Legislativo somente para agradar este Governo desmantelado e acatam qualquer pedido vindo do palácio como ordens.

Mas isto não me desanima, quanto mais obstáculos colocarem em meu caminho, maior fica meu ânimo e coragem para defender os paranaenses das maldades de Richa.

*Requião Filho é advogado, deputado estadual pelo PMDB e líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, especialista em políticas públicas.

9 Comentários

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  2. Alguns podem pensar que o Deputado ao deixar o partido esteja aproveitando a “janela para mudança de partido” que a lei da “mini reforma eleitoral” criou ano passado [art. 22-A, da Lei nº 9.096/95]. Se isso, ledo engano, visto que a referida janela eleitoral deve ocorrer só, e somente só, no ano do término do mandato eletivo, o que, no caso de Deputados e Senadores ocorrer em 2018. Ao desfiliar-se do partido, segundo o art. 26 da Lei nº 9.096/95 o parlamentar deveria perder, AUTOMATICAMENTE, o seu mandato. Cadê o Ministério Público, ou a Diretoria do Partido que não tomam providências contra essa promiscuidade política? E não adianta o MP alegar que a questão é matéria interna corporis.

  3. O compadrio entre os poderes públicos – em benesses, sinecuras, nepotes cruzados, distribuição de verbas – é uma das excrescências da República, tornando-a mera usufrutuária dos “donos dos poderes”, senhores de todas as regalias para se perpetuarem de geração em geração na mamata do erário público, onde eles vem sempre em primeiro lugar.

  4. Vantagens,pois bem se beto lixo o mais mentirosos dos mentirosos tivesse feito essas vantagens que supostamente REQUIÃO fez,nós eramos sim um estado digo um parana que beto lixo disse em eu acredito,mas o cara e um lixo Ambulante picareta diplomado fixa LIMPA.

  5. Inédito e revelador o discurso do dep. Requião. Nunca, em tempo algum, os deputados governistas se submetiam ao Executivo. Nem nos três governos do pai dele se me parece.
    As bancadas requianistas eram independentes e altaneiras. Licença – Vou ali fora rir um pouquinho, mas já já tô de volta.

  6. O mamoninha só parece ser corajoso! Pergunto singelamente: por que não dá nome aos bois? Quem são os deputados serviçais? Se foi derrotado na CCJ, apresentou recurso regimental? Pare né! Desse jeito, cada vez mais, sua imagem será igual a de seu pai: falastrão irresponsável!Acorda deputado e pare de mimimi!

  7. Como vai a pré-candidatura a prefeito deputado?
    Parece que o papai não vai conseguir te dar isso pra você brincar de político sério neste ano né mesmo?
    Você e seu pai não consegue nem negociar com seus filiados de partidos, tá querendo obter sucesso com projetos contra o governo com o apoio da situação?
    Tais de brincadeira né mesmo?
    Vai uma mamona aí?

  8. Nossa política é feita no balcão de negócios. A sedução do executivo sobre o legislativo sempre foi grande, com cargos comissionados a vontade, dinheiro, etc…Não por menos muitos enriquecem e se perpetuam no poder. Entretanto, apesar de concordar com o jovem deputado, não custa lembrar que na época do papi tudo era igual. Também não custa lembrar que ele é do PMDB, campeão mundial em submissão por troca de vantagens. E não custa lembrar que tudo se inicia nos conchavos e alianças para eleições majoritárias, onde começa a divisão de cargos e espaço no governo. Se não mudarem a forma de se fazer política, nada disso irá mudar e daqui a 100 anos estarão discutindo os mesmos temas.

  9. Força Deputado, estamos contigo….o povo não esquecerá da bancada do camburão…