Coluna do João Arruda: Beto Richa, o governador que encolheu

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Em sua coluna nesta terça-feira, o deputado federal João Arruda (PMDB) fala do derretimento da popularidade do governador Beto Richa (PSDB). Segundo o Instituto Paraná Pesquisas, 71,2% dos paranaenses desaprovam o atual governo do Estado. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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João Arruda*

O governador Beto Richa (PSDB) termina o ano reprovado por três em cada quatro paranaenses. É um índice previsível para quem fez fama como vendedor de ilusões. Ele sempre jogou para a torcida com o discurso do “novo”, de que “tudo vai melhorar”. Da prefeitura de Curitiba ao governo do Paraná, isso funcionou por algum tempo. Agora, não. Frustrado, o povo parou de cair nessa conversa.

Segundo o Instituto Paraná Pesquisas, 71,2% dos paranaenses desaprovam o atual governo. O marco da impopularidade de Beto Richa foi a batalha de 29 de abril, quando o governador mandou a Polícia Militar reprimir, com uso abusivo de violência, a manifestação dos professores contra mudanças na Paranaprevidência.

As imagens do massacre correram o mundo. Trabalhadores que pediam apenas a manutenção dos direitos foram enxotados do Centro Cívico com cassetetes, cães, gás lacrimogênio e balas de borracha. Ao mesmo tempo, das janelas do Palácio Iguaçu, um contraste bizarro: assessores do governador comemoravam a repressão da PM. Quanta insensatez!

Aqueles acontecimentos simplesmente demoliram as expectativas que o governador tentava construir junto à população – “o melhor está por vir”, alardeava Beto Richa. Na verdade, só piorou. O ajuste fiscal promovido por sua equipe econômica, com forte aumento de impostos, onerando ainda mais o já combalido setor produtivo do estado, manteve o governo ladeira abaixo.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, eis que Beto Richa resolveu imitar os tucanos paulistas e decidiu fechar dezenas de escolas a pretexto de economizar com aluguel. Foi a pá de cal na popularidade do governador. As coisas só não ficaram ainda piores para ele porque, no fim das contas, acuado pela opinião pública, o governo desistiu da – infeliz – ideia.

O reflexo de tudo isso aparece de forma cristalina na pesquisa sobre a avaliação do governador, agora às voltas com taxas altíssimas de rejeição. Não é à toa que os senadores Roberto Requião e Alvaro Dias são líderes nas pesquisas de intenção de voto para suceder Beto Richa. O “novo” fracassou. É, por assim dizer, um sinal de forte arrependimento.

Beto Richa nem deveria perder tempo tentando recuperar a popularidade. No fundo, o que todos nós esperamos é que ele finalmente assuma o cargo e passe, de fato, a governar o Paraná que o reelegeu. Por ora, seu segundo mandato é apenas um ano perdido. Uma tragédia de erros.

*João Arruda é deputado federal pelo PMDB, coordenador da bancada do Paraná no Congresso Nacional, escreve nas terças-feiras sobre “Os bastidores do poder em Brasília”.

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