Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: E Dilma, está voltando a ser Dilma?

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Em sua coluna semanal, o deputado estadual Luiz Cláudio Romaneli (PMDB) fala sobre uma possível nova fase no governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) para 2016. Para Romaneli, parece que Dilma ainda não assumiu o seu segundo mandato e vem agindo de forma contrária as suas características, apostando na recessão quando deveria incentivar o desenvolvimento econômico. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Não adianta dizer: “Estamos fazendo o melhor que podemos.
Temos que conseguir o que quer que seja necessário”.
Winston Churchill

Luiz Cláudio Romanelli*

E não é que a Dilma, após um ano de governo, prepara-se para tomar posse?

Para felicidade de todos que a apoiaram, verificamos que a presidente Dilma finalmente assumiu o comando do seu governo, livrou-se do ministro Joaquim Levy, imposto pelo chamado “mercado” e nomeou Nelson Barbosa, desenvolvimentista e quase um “comissário”, para comandar a economia.

Nos primeiros dias de trabalho  já demonstrou que perseguirá o equilíbrio fiscal das contas públicas (e só se alcança esse objetivo gerando receita e cortando despesas), e definindo investimentos que gerem atividade econômica e empregos.

Daqui para a frente esperamos que a economia possa retomar o ciclo virtuoso do desenvolvimento, inclusive aproveitando o momento especulativo que vivemos, já que o “mercado” elevou o dólar ao patamar de quatro reais. Com isso, cadeias produtivas que haviam sido desativadas, fábricas que foram fechadas, empregos que foram exportados ou que haviam sido extintos, se tornam novamente viáveis.

É claro que antes de melhorar, pode piorar. Tem ainda a taxa de juros para ser reduzida, mas o caminho que estava sendo seguido, do ideário neoliberal onde reina absoluto o mercado, espero que não seja mais o modelo a ser seguido pela presidente Dilma, mesmo ouvindo o ruído do choro e ranger de dentes dos colunistas do jornal O Globo.

Por outro lado, a crise política vivida no Congresso, reduziu de tamanho e importância, com a decisão do STF.

É claro que como todos, espero a saída do Eduardo Cunha da presidência da Câmara, primeiro, pelo aspecto moral e segundo, por ser ele o elemento desestabilizador da relação política em nosso país.

O que se espera é que o Congresso livre do mensalão e do petrolão, e do toma lá da cá, possa definir uma agenda propositiva que garanta o ajuste fiscal e discuta as políticas públicas e programas do governo à luz do interesse público e pensando no povo,  e não como vinha sendo feito: um terceiro turno das eleições de 2014.

Eu acredito que estamos vivendo o início de uma nova era. Nós temos dois “brasis”. O primeiro Brasil eu definiria como uma super estrutura. É o Brasil contemporâneo, moderno, do século XXI, composto por empresários,  trabalhadores, profissionais liberais, os intelectuais na academia, ou seja a moderna sociedade civil do nosso país.

Este é o país globalizado e conectado que nada deve ao mundo.

Por outro lado nós temos o Brasil que defino aqui como “o estado brasileiro” e aí me refiro aos governos como um todo, não importando a esfera, ou ente federado.

Esse é o Brasil anacrônico, do século XIX, ultrapassado nos métodos de gestão, capturado, diria mesmo sequestrado, pelas corporações.

Tudo que decorre dele é retrógrado, inclusive a política. Se não fizermos o encontro desses dois brasis não chegaremos a prosperidade.

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PMDB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

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