Coluna do Bruno Meirinho: O valor humano do Natal

natalsBruno Meirinho*

O exemplo de Cristo, motivação sagrada do Natal, fica em segundo plano diante do consumismo que dominou a celebração deste dia.

Em uma sociedade que passou a considerar a religião algo careta ou uma crendice, o evento sagrado foi incorporado às celebrações “mundanas” do ano novo que, em si, não têm nada de errado. Mas essa mistura tem afastado qualquer valor imaterial desta data.

O que nos falta é considerar com a importância que merece o significado deste dia, ainda que tenha sido definido em data arbitrária, ainda que utilizado para substituir, no passado, datas de confraternização pagãs ligadas ao solstício de dezembro.

O fato de o natal ter se tornado uma festa global, que domina o mundo ocidental, é, seguramente, fruto de uma hegemonia cristã de séculos e que não merece defesa, já que foi constituída sobre práticas violentas e intolerantes.

Acredito que existem outros símbolos dignos de lembrança com a mesma importância do natal em muitas religiões e culturas. Nem por isso defendo a desnecessidade do natal. Na verdade, o apagamento do simbolismo sagrado desta data é desejável pela religião do mercado, marcadamente secular.

Reivindicar valores no exemplo de Cristo pode ser uma via para reforçar a importância da solidariedade e da luta contra a opressão, tão bem representadas na sua vida. Não é necessário que seja por uma opção religiosa, já que o exemplo de Cristo reúne várias condutas humanas que não exigem poderes sobrenaturais.

Muito pode ser feito nesse momento de introspecção. Ao lado das compras e dos presentes, o natal pode ser o momento de entregar outros valores para uma sociedade tão carente das coisas que não têm preço.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

1 Comentário

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  1. Poucas palavras, mas plenas da lucidez, tão em falta no nosso meio, quando muitos seguem entregues às vãs filosofias. O que falta é o simples “pé no chão”, a conduta humana natural e coerente, buscando fugir ao máximo, das apelações consumistas… Obrigado pela mensagem!