Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: O receituário do Paraná

romanelli

Em sua coluna desta segunda-feira, o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) discorre sobre o crescimento do PIB do Paraná, que ultrapassou o Rio Grande do Sul assumindo a 4a colocação na economia nacional, além de ser o 2° estado mais competitivo do País. Para Romanelli, esse crescimento é resultado de uma série de fatores, dentre eles a lição de casa feita pelo governo do estado com programas de incentivos fiscais e investimentos. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,
o que fazemos para mudar o que somos”

Eduardo Galeano

Luiz Cláudio Romanelli*

Havia mais de uma década que esperávamos pela notícia: Paraná quarto PIB nacional, a sexta renda per capita brasileira e a avaliação de 64 indicadores, da infraestrutura ao capital humano, lhe garante o status do segundo Estado mais competitivo do país.

Estatísticas e números, em ambientes técnicos, parecem frios, comuns, não empolgam, e se misturam a dura realidade em que o país atravessa: desaceleração da atividade econômica, inflação alta, consumo baixo, eliminação de postos de trabalho e a redução de investimento público e privado.

É um quadro recessivo e exatamente por essas condições que o caso do Paraná merece uma atenção mais destacada em relação à economia de outros estados e sobre quais ambientes que o conjunto das forças produtivas criou para construir essa referência que comumente a imprensa aponta como “na contramão da crise”.

De antemão, é sempre bom que se repita: o Paraná não é uma ilha que está passando ao largo da crise. O estado está enfrentando seus percalços e deve tomar as medidas necessárias, neste atual momento, para proteger a sua economia e o emprego do paranaense. Esse é um ponto muito importante que vai nortear a minha atuação parlamentar nos próximos meses.

Agora, antes de detalhar percentuais de PIB, escalas de renda per capita brasileira e até as avaliações do The Economist que apontam o bom momento da vida do paranaense, trago outro bom exemplo: o Governo do Estado vai pagar R$ 3,9 bilhões nos próximos 30 dias de três folhas de pagamento (novembro, 13º e dezembro) dos servidores estaduais.

Aos salários somam-se já os 3,45%, pagos em outubro, de reajuste acordado com os servidores. Nos salários de janeiro serão mais 10% de aumento – ou valor integral do IPCA. Isso contando já o pagamento de progressões, promoções e outros reajustes acordados com categorias diversas do funcionalismo estadual, como a do ensino superior, da educação básica  e da saúde.

Há vários estados – do mesmo ou menor porte que o Paraná (caso do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Sergipe, entre outros) que atrasam, parcelam e escalonam os salários dos servidores e que ainda procuram soluções para o pagamento do 13º. O próprio governo federal decidiu adiar para agosto de 2016, o pagamento do reajuste dos servidores federais previsto para janeiro próximo. A justificativa é que a situação econômica do país piorou e não há dinheiro suficiente no orçamento de 2016 para cumprir com os reajustes dos servidores e convocar os aprovados em concurso.

Diga-se: o Paraná tomou as medidas que devia tomar e agora, acredito, está mais preparado que os outros estados para enfrentar a parte mais aguda da crise nacional.

Esse bom exemplo vem ao encontro dos bons números da economia do Estado. Como todos já sabem, o Paraná ultrapassou o Rio Grande do Sul e já é a quarta maior economia do País. Dados do IBGE adiantam que a economia paranaense respondeu por 6,3% de todas as riquezas geradas no País em 2013, atrás apenas de São Paulo (32,1%), Rio de Janeiro (11,8%), Minas Gerais (9,2%). O Rio Grande do Sul agora em quinto lugar ficou com 6,2%.

O crescimento do PIB, na casa dos R$ 332,8 bilhões, se deu pela força do agronegócio e da indústria de alimentos,  que teve como alavanca o apoio de um programa de governo: o Paraná Competitivo que levou emprego e renda para todo Estado. Desde 2011, o programa de incentivos fiscais já atraiu R$ 40,3 bilhões entre investimentos privados e de estatais, com a criação de 100 mil empregos diretos.

O Paraná também subiu uma posição no ranking de PIB per capita e passou a ocupar a sexta colocação. Em 2013, o Estado registrou uma renda de R$ 30.265 per capita, à frente do Rio Grande do Sul R$ (R$ 29.657), e atrás do Distrito Federal (R$ 62.859), São Paulo (R$ 39.122), Rio de Janeiro (R$ 38.262), Santa Catarina (R$ 32.290) e Espírito Santo (R$ 30.485). A média do Brasil foi de R$ 26.444.

O crescimento do PIB foi acompanhado também de redução da desigualdade social. O Paraná é o estado com maior sucesso no combate à pobreza e com a segunda menor desigualdade social do País, atrás apenas de Santa Catarina. Os dados são do Gini (índice da desigualdade social).Isso significa que o fortalecimento da economia também trouxe impacto social e ajudou a reduzir a pobreza no Estado.

Mas os bons números não param por ai. Nos primeiros cinco meses de 2015, o Paraná foi o estado que mais criou empregos com carteira assinada no país segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Foram ofertadas 165,3 mil vagas no estado este ano, o que representa 14% do total nacional, colocando o Paraná atrás apenas de São Paulo bem à frente de outras unidades federativas maiores, como Rio de Janeiro e Minas Gerais (76,8 e 69,3 mil respectivamente)

Aos que adquiriram o vício de falar mal do nosso estado, esses dados causam desgosto. Isso porque apesar dos profetas do caos, o Paraná e sua gente mostram que estamos avançando.

O Paraná também é o segundo estado mais competitivo do país, de acordo com o ranking do grupo The Economist. O Paraná ultrapassou o Rio de Janeiro e ficou atrás apenas de São Paulo. O ranking analisa 64 indicadores para ambiente de negócios, entre eles, potencial de mercado, infraestrutura, capital humano, educação, sustentabilidade social, segurança pública, sustentabilidade fiscal, eficiência da máquina pública, inovação e sustentabilidade ambiental.

A pontuação é de 0 a 100 e, quanto maior, melhor posicionado o Estado. Na pontuação total, o Paraná ficou com uma nota 80,4, atrás de São Paulo, com 90,7 e à frente de Santa Catarina (77,8), Distrito Federal (70,9), Rio Grande do Sul (68,3) e Minas Gerais (68,1). O Paraná obteve maiores pontuações nas áreas de segurança pública (100), sustentabilidade fiscal (98), eficiência da máquina pública (95) e sustentabilidade social (86).

Como disse logo acima, são todos números, percentuais, estatísticas, índices e rankings que devem sair das pranchetas frias dos técnicos e se traduzir em qualidade de vida. Devem mostrar que o caminho escolhido é o mais correto e que contribuam para que o Estado continue com seu receituário próprio, acreditando na força e no trabalho de sua gente.

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PMDB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

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