Por Esmael Morais

Coluna do Bruno Meirinho: Dia da Consciência Negra; memória, reparação e justiça

Publicado em 20/11/2015

A argumentação dessas entidades empresariais se dirige à ameaça de queda na produtividade e nos lucros. Criticam o excesso de feriados no Brasil.

O argumento do excesso de feriados, entretanto, não resiste à comparação com outros países, como, por exemplo, os Estados Unidos, a Alemanha e a França, que costumam ter mais feriados que o Brasil, e não são países de baixa produtividade.

A questão do impacto econômico do feriado também é um assunto duvidoso. Para alguns setores da economia, definitivamente pode haver algumas dificuldades, mas o impacto, provavelmente, não seria suficiente para justificar o veto ao feriado.

Isso porque outros fatores podem ter impactos muito mais relevantes para a economia do que os feriados, como os juros altos, o déficit na correção dos salários em relação à inflação, o aumento dos preços controlados de produtos essenciais (água, luz, combustível e transporte), a redução do poder de compra das aposentadorias e, até mesmo, o clima.

Além disso, ainda que os feriados signifiquem perdas para alguns setores, para outros, como o setor de viagens e lazer, representa ganhos que não poderiam ser obtidos de outra forma.

Ou seja, ainda que a questão econômica seja o principal argumento das entidades empresariais, não se pode limitar a discussão a esse aspecto. Os feriados, sem dúvida, significam datas de lazer, mas também são elementos de formação da cultura e da identidade.

E hoje, apesar de muitos esforços, ainda fala-se pouco da resistência dos escravos e a história da população negra na formação da sociedade brasileira. A reserva de uma data em memória à consciência negra poderia ser uma forma de reverter esse problema.

Enquanto isso, a questão do racismo no Brasil é um assunto velado. Note-se, por exemplo, que para cada assassinato de jovem branco, morrem quase 3 jovens negros; os trabalhadores negros recebem, em média, 57% do salário dos brancos. Mais de 60% dos presos são negros. Esses números são os custos de uma prática criminosa contra a população negra. Eventuais custos de um feriado não chegam nem aos pés.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.