Jornal Gazeta do Povo leva quase 100 anos para descobrir que é um “blog”

Nos meios jornalísticos e publicitários há uma tabela prevendo a "morte" de jornais e revistas em todo planeta. O deadline ocorrerá primeiro nos Estados Unidos (2017), Canadá e Noruega (2020). No Brasil, o papel resistirá até 2027 (leia abaixo). O jornal Gazeta do Povo, ao migrar para plataforma digital, transformando-se num “blog”, de certa forma, marcha rumo a uma ordem natural, líquida, certa e inevitável que é a morte do impresso.

Nos meios jornalísticos e publicitários há uma tabela prevendo a “morte” de jornais e revistas em todo planeta. O deadline ocorrerá primeiro nos Estados Unidos (2017), Canadá e Noruega (2020). No Brasil, o papel resistirá até 2027 (leia abaixo). O jornal Gazeta do Povo, ao migrar para plataforma digital, transformando-se num “blog”, de certa forma, marcha rumo a uma ordem natural, líquida, certa e inevitável que é a morte do impresso.

Fundado em fevereiro de 1919, o tradicional jornal curitibano Gazeta do Povo dará um salto para a migração do papel para a plataforma digital.

Em comunicado enviado a assinantes, o jornal da família Cunha Pereira informa que a versão impressa deixará de circular aos domingos. No entanto, uma edição “fim de semana” chegará aos leitores mais cedo — nos sábados.

Para compensar a falta de papel aos leitores, o jornal oferece em contrapartida “acesso ilimitado a todas as plataformas digitais, com informações atualizadas em tempo real”. Ou seja, a Gazeta do Povo levou quase 100 anos para descobrir que é um “blog”.

O tamanho do jornal impresso Gazeta do Povo também vai diminuir, isto é, o formato do papel (provavelmente, será relançado no formato Berliner ou Germânico).

A edição deste domingo (22) do jornal Gazeta do Povo promete explicar direito aos leitores essa mudança de conceito, ou seja, sobre essa migração “lenta, gradual e segura” do papel para a plataforma digital total.

É de conhecimento de todos que as publicações impressas tendem a desaparecer em todo o mundo. A primeira grande a ser extinta na versão papel foi a revista norte-americana Newsweek, uma espécie de Veja dos Estados Unidos, que, no final de 2012, migrou totalmente para a plataforma digital após 80 anos.

Nos meios jornalísticos e publicitários, inclusive, há uma tabela prevendo a “morte” de jornais e revistas em todo planeta. O deadline (linha da morte ou prazo final) ocorrerá primeiro nos Estados Unidos (2017), Canadá e Noruega (2020). No Brasil, o papel resistirá até 2027 (clique aqui para ler mais sobre isso).

Voltemos à vaca fria, ou seja, à conversão do jornal Gazeta do Povo num “blog”.

Segundo informações obtidas pelo Blog do Esmael, o impresso da família Cunha Pereira há tempos entrou em colapso. Opera no vermelho porque perdeu como sócio a família Lemanski. Portanto, somente os Cunha Pereira fazem aporte financeiro da RPC TV (afiliada à Globo), que seria superavitária, para a Gazeta do Povo tal qual ela é hoje (versão impressa).

A migração total da plataforma offline (papel) para online (digital), com certeza, reduzirá custos com logística de distribuição e insumos (papel, tinta, etc.), além de aposentar as rotativas e eliminar mão de obra secular.

O problema é que não se faz jornalismo sem jornalistas. O histórico da Gazeta do Povo nesses últimos anos — e nos meses recentes — é de demissão de profissionais que seriam tarimbados para essa tarefa mudancista. O projeto que transforma o tradicional impresso em “blog”, quase 100 anos depois, é paradigmático e desafiante, ao mesmo tempo, porque pode bater na trave se não houver investimento em capital humano, isto é, em jornalistas.

Enfim, bem-vindo à blogosfera!

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