Coluna da Gleisi Hoffmann: A solidariedade é laranja; 16 dias pelo fim da violência contra as mulheres

laranja

Em sua coluna desta segunda-feira (30), a senadora Gleisi Hoffmann (PT) fala da campanha mundial de combate à violência contra mulheres e meninas iniciada no último dia 25 de novembro em mais de 70 países. Baseada na cor laranja, a campanha propõe dezesseis dias de ativismo contra a violência de gênero. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Gleisi Hoffmann*

No dia 25 deste mês começamos a campanha que conta com apoio de outros 70 países, com centenas de ações de mobilização em todo mundo. Pintar o mundo de cor laranja pelo fim da violência contra as mulheres foi iniciativa da ONU para os 16 dias de ativismo.

A cor laranja evoca a solidariedade às mulheres e meninas vítimas de violência e a energia necessária para que superem as situações violentas e recebam o apoio necessário em sua trajetória libertadora.

O assunto entrou nas redes sociais e já começaram as críticas: “Vocês não se cansam de falar besteira hein? Isso é uma generalização maldosa”, dizem sobre violência doméstica. “A violência atinge a todos” falam outros sobre o foco da campanha.

O fato é que a violência contra a mulher é o gene da violência na sociedade. A hierarquia das relações homem/mulher, que persistiu por tanto tempo em nossa sociedade, e ainda persiste sob o manto de cultura, de religiosidade, construiu o “modus operandi” das relações humanas. Onde prevalece a ideia que um ser pertence ao outro, deve-lhe obediência, a violência é instrumento para fazer valer vontades.

Não canso de ouvir histórias de mulheres que ao irem a uma delegacia registrar a violência que sofreram por parte de um homem são questionadas: “o que você fez para apanhar?”

Assim também como não cabe a justificativa da violência sexual pelo “tesão”, pelo “oferecimento” da mulher. Em um artigo muito bom da socióloga, e também cineasta, Tetê Vasconcelos, publicado na Folha de São Paulo do dia 27, ela diz: “homem algum estupra uma mulher por tesão. Estupra, bate e assedia para provar e comprovar seu poder sobre essa metade da humanidade”.

Milhares de mães, avós, meninas, jovens são mortas todos os anos em nosso país. Os números da violência contra a mulher ainda são assustadores no Brasil e em todo o mundo. Precisamos fortalecer a luta contra esse grave problema que abusa, tira direitos, dignidade, amedronta e cala mulheres todos os dias.

Publicado recentemente, o Mapa da Violência 2015 focou na dinâmica dos homicídios femininos nos últimos anos. Entre 1980 e 2013, num ritmo crescente ao longo do tempo, tanto em número quanto em taxas, morreram 106.093 mulheres, vítimas de homicídio. Efetivamente, o número de vítimas passou de 1.353 mulheres em 1980, para 4.762 em 2013, um aumento de 252%.

Muito desse aumento se deu por termos superado a subnotificação dos crimes, mas o fato é que ainda se matam e violam muitas mulheres pela razão de serem mulheres. Por isso a Lei Maria da Penha foi e é importante. Por isso a tipificação do feminicídio no Código Penal tem grande relevância. É isso que justifica os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres!

Assim como na trilogia de filmes do cineasta polonês Kieslowski as cores da bandeira francesa são simbolizadas – a liberdade é azul, a igualdade é branca, a fraternidade é vermelha, possamos simbolizar a solidariedade pela cor laranja.

A campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres termina dia 10 de dezembro, definido pela ONU como Dia Internacional dos Direitos Humanos.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

6 Comentários

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  2. Leitores, vejam só o que um professor universitário misógino e machista escreveu……………………..

    Olá,
    Estou aqui para fazer um apelo urgente para você, que é cristão e se preocupa com os rumos da educação em nosso país. Estamos vivendo uma realidade muito preocupante na formação de professores. Uma realidade que é hostil à vida, à família e à moral defendida pela Igreja.
    É hostil à vida porque a ideologia de gênero inclui a promoção do aborto. Seus adeptos querem promover a matança dos filhos pelas próprias mães.
    É hostil à família porque, para eles, a família constituída por um homem, uma mulher e seus filhos é opressiva. Eles querem desconstruir a família e promover outros tipos de família: com dois esposos, duas mulheres, com várias pessoas de ambos os sexos.
    Eles condenam, insultam e querem silenciar quem defende o ponto de vista cristão sobre a família, o aborto e a educação dos filhos.
    Eles querem dar aulas de educação sexual para as crianças desde a creche, mostrando como é uma relação sexual, incentivando os meninos a descobrir se são “meninas” e as meninas a descobrir se são “meninos”.
    Eles querem despertar a sexualidade das crianças para que elas descubram que tipo de atração elas sentem. Também acreditam que é errado educar um menino para ter comportamento de menino, e uma menina para ter comportamento de menina. No conceito deles, ninguém nasce menino ou menina, mas se torna o que quiser ser.
    Querem educar as crianças dessa forma mesmo que seja contra a lei e contra a vontade dos pais.
    Nas universidades públicas, quem não concorda com a ideologia de gênero é boicotado, chamado de fascista, nazista, machista e outras delicadezas do mesmo gênero.
    Por isso, eu faço aqui um apelo para você, que não quer viver no futuro sob a ditadura da ideologia de gênero, e não quer que seus filhos e netos sejam submetidos obrigatoriamente a esse tipo de abuso educativo.
    Estamos tentando abrir um espaço aqui na Unioeste de Cascavel, para que possamos ter voz na educação das nossas crianças. Para isso, precisamos da sua presença em um evento que vai ocorrer no próximo dia 28 de Novembro, sábado, no anfiteatro da Unioeste. Virão palestrantes de nível internacional, acostumados a defender no Congresso Nacional e na OEA (Organização dos Estados Americanos) à causa da vida e da família.
    Se não houver uma presença maciça da sociedade, não vão ouvir nossos argumentos nem vão nos deixar falar.
    As inscrições podem ser feitas pelo site http://perspectivasdegene.wix.com/unioeste . Também podem entrar em contato nos telefones: 9804-0974 / 9905-6882 / 3220-3168.
    Você que está lendo ou ouvindo esta carta não fuja a este dever al qual Deus te chama. Não enterre seus talentos!
    Prof.Dr. Fausto Zamboni
    Estamos na maior guerra aqui na UNIOESTE

  3. É muito blá blá bá em torno desse assunto, isso é estratégia dos políticos para dizerem que estão fazendo alguma coisa; como se a indignação deles fizesse um marido não bater na mulher.
    Eles podem resolver a questão num estalo de dedos, basta fazer as leis existentes funcionarem, com delegacias bem aparelhadas, policiais empenhados e sensíveis.
    Há uma outra violência grassando no Paraná e que ninguém tá nem aí, na semana que passou dois carros foram roubados na minha vizinhança com assaltantes fazendo uso da violência, inclusive atirando contra a vítima, num referido caso a polícia foi chamada e chegou uma hora e meia após o ocorrido.

    • Concordo com você. Sua leitura está correta, são discursos vazios, para marcar posição, mas na prática fazem quase nada. Basta ver as campanhas eleitorais…a impressão é que o eleito transformará o país, ou estado, ou cidade em um paraíso cor-de-rosa, sem problemas. Depois de 4 anos, invariavelmente estamos discutindo as mesmas questões.

      • Eles querem ficar de bem com as velhinhas de Taubaté, fazer um discurso bonitinho.
        Na eleição todo mundo vira religioso, só se fala em Deus, Jesus Cristo, falam mal do traficante, das drogas, tudo para enganar os eleitores bobinhos!

  4. Que cor é a sua solidariedade ao senador corrupto Delcído?