Por Esmael Morais

Coluna do Reinaldo de Almeida César: Beto Richa desmantela a Segurança Pública do Paraná

Publicado em 08/10/2015

Meu amigo mais certo das horas incertas, Pedro Nolasco, ao ler naquele domingo cedo a entrevista da Gazeta, vaticinou sem dó: meu velho, é o começo do seu fim.

Rememorei o fato, nesta semana, com o mesmo e inseparável Pedro Nolasco e lhe dei o troco: se fosse hoje, faria tudo de novo.

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Contra números não se briga, qualquer infante ou imberbe sabe disso.

Convido os leitores a compulsar a tabulação dos resultados do insuspeito Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última semana.

O Paraná está na sétima pior posição em investimentos, na segurança pública. Ganha apenas de Piauí, Amapá, Maranhão, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Na outra ponta, Rio de Janeiro é o quarto estado que mais investe em segurança, Minas Gerais é o terceiro.

Já escrevi e falei várias vezes que Mato Grosso do Sul tem 1/4 da população do Paraná e metade do nosso efetivo policial. Santa Catarina, tem quase metade da população do nosso estado e o mesmo efetivo policial. São Paulo tem 4 vezes mais habitantes que o Paraná e quase 10 vezes mais policiais.

Regra de três, faça você mesmo as contas, não é Sudoku.

Está curioso por saber o resultado da falta de investimentos e da não reposição de quadros policiais ?

O Fórum de Segurança mostra com a clarividência dos números, que Curitiba pulou de 30,4 para 32,4 homicídios por cem mil habitantes, referência clássica para se medir a criminalidade violenta.

Nas capitais dos estados vizinhos, as mesmas taxas são: Florianópolis (21,6), Campo Grande (18,9) e em São Paulo, a capital menos violenta do país, a taxa é de 11,4, graças aos vigorosos e constantes investimentos desde a década de 1980, no governo Mario Covas.

Então, os estados que nos são mais próximos, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina fazem consistentes investimentos em equipamentos e contratação de policiais, colhendo frutos positivos destas ações.

Por aqui, o governo agora promove tardiamente oficiais da PM mas não lhes paga o valor retroativo.

A Polícia Civil que teve entre 2011 e 2012 o maior subsídio remuneratório do país, agora despencou para o sexto ou sétimo lugar.

O Paraná é o pior estado na relação entre delegados de polícia e sua população. Atenção, você leu bem, o pior estado do Brasil.

Já assistimos viaturas sem combustível, quartéis sem papel higiênico, policial fazendo vaquinha para pagar conserto de viatura, sendo obrigado a comprar seu próprio equipamento, do seu bolso, se quiser integrar o batalhão de ronda por motocicletas.

O governo acabou com o FUNESP, fundo de investimentos voltado para a segurança pública. Aonde isso tudo vai parar?

Neste desmantelo da segurança pública nestas plagas, para onde o preclaro leitor acha que o crime organizado migrará, observando o investimento em segurança dos estados que nos são vizinhos ?

Não sem razão, o governo oficialmente reconheceu que uma conhecida organização criminosa liderou a rebelião na Penitenciária de Londrina.

Aliás, qual foi mesmo a razão de deslocarem a gestão penitenciária, antes sob a centenária tutela da Secretaria da Justiça para a Super-SESP ?

O Secretário Wagner Mesquita, competente e sensato, tem um belíssimo dilema pela frente.

Lutar incansavelmente por investimentos, contratações e recomposição salarial de policiais, ganhando o respeito da tropa e o aplauso de aprovação da sociedade ou restar silente, inerte e ver o tempo passar.

A primeira opção é mais digna. O problema é que deixa nosso apetitoso pescoço muito próximo de uma katana, forjada na fornalha das vaidades.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.