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Coluna do Bruno Meirinho: Os “paus-mandados” de Eduardo Cunha

pausmandados

Em sua coluna semanal, Bruno Meirinho (PSOL) fala da situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Mesmo com todos os indícios de corrupção e a prova de quebra de decoro parlamentar, Cunha ainda preserva uma rede de proteção ao seu mandato. Isso só é possível por que ele tem poderes sobre alguns deputados. Meirinho destaca dois desses “paus-mandados”, Paulinho da Força (SSD) e Celso Pansera (PMDB). Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Bruno Meirinho*

O que falta para o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cair? As denúncias são graves, as provas, exaustivas. Não pode um parlamentar acusado de prática continuada de corrupção e chantagem permanecer no comando da Câmara dos Deputados. Essa permanência depõe contra a imagem dessa casa, já tão desgastada.

A manutenção de Cunha prejudica o bom funcionamento da Câmara. Conhecido pelas chantagens, como a que foi narrada pelo lobista Júlio Camargo, Cunha segue livre para manobrar procedimentos e constranger pessoas.

Segundo relatos, Cunha teria o comando da própria Comissão de Ética, onde sua conduta de mentir em uma sessão da CPI da Petrobrás e tantas outras falcatruas ainda serão analisadas.

Relembrando: em 5 de março, Cunha compareceu voluntariamente – sequer havia sido chamado para prestar esclarecimentos – à sessão da CPI da Petrobrás. Naquela oportunidade, disse que não possuía nenhuma outra conta bancária além daquelas declaradas à Receita Federal.

Mas as contas não declaradas apareceram. Na suíça, mais de uma, e em todas elas constam as assinaturas e documentos de Cunha e sua família.

Mesmo com as evidências desses e de outros episódios de corrupção, Cunha permanece irremovível de sua função. Um cordão de proteção se forma. Paulinho da Força (SD-SP), um dos paus-mandados de Cunha, lidera a defesa do presidente da Câmara: em uma manifestação de solidariedade da sua central sindical em Brasília, os bajuladores gritaram “Cunha, guerreiro, do povo brasileiro”.

Não se sabe o que de tão relevante Cunha teria feito ao povo brasileiro. Sabe-se, por outro lado, que sua conduta de chantagem permanece. Nessa semana, Paulinho da Força apresentou um pedido de cassação do Deputado Federal Chico Alencar (PSOL-RJ).

A conduta é mera provocação, já que não existem investigações ou denúncias contra Chico Alencar que, por outro lado, lidera junto com deputados de outros partidos a campanha para que Cunha saia da presidência da Câmara.

É comovente a subordinação de Paulinho da Força a Eduardo Cunha. Pau-mandado, foi perguntado sobre o que mais Cunha o mandaria fazer. No time dos paus-mandados, está também o Deputado Federal Celso Pansera (PMDB-RJ), que protagonizou vários episódios de chantagem na CPI da Petrobrás, feitos claramente a mando de Cunha. Em recompensa, conquistou um ministério.

O time de paus-mandados é grande, e causa pena que pessoas que conquistaram um mandato tão importante cheguem a esse ponto. Com tanta coisa que um Deputado Federal pode fazer, esses aí resolveram ser “pau-mandado” do Eduardo Cunha.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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