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Coluna do Bruno Meirinho: A Urbs une o inútil com o desagradável

Publicado em 16 outubro, 2015
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Em sua coluna desta sexta-feira, Bruno Meirinho fala do formato da administração do transporte público e CUritiba
Em sua coluna desta sexta-feira, Bruno Meirinho fala do formato da administração do transporte público de Curitiba e Região Metropolitana através da empresa Urbanização de Curitiba S/A, a Urbs. Segundo Meirinho, de uns tempos para cá, a Urbs tem unido o que há de pior na gestão publica e na visão empresarial capitalista, e quem sofre são os funcionários da empresa, além dos usuários do transporte público. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Bruno Meirinho*

“Aplicar princípios empresariais à administração pública”. Nos anos 80, chegou com tudo o pensamento que defende a aplicação, no setor público, do comportamento empresarial como a melhor maneira de alcançar eficiência e produtividade.

O raciocínio desse pensamento é o seguinte: os empresários se esforçam para conquistar clientes, para isso melhoram seus serviços, seu atendimento e sua eficiência. Na administração pública, por outro lado, ocorre o contrário: burocratizada e ineficiente, o setor publico é avesso à criatividade, pois não tem necessidade de atrair clientes.

Tem algumas verdades aí, porém, deve-se lembrar de que ao lado de eventuais vantagens do setor privado, também encontramos problemas: a precarização do trabalho, o lucro acima de tudo, o assédio moral, etc.

Os vícios do ambiente empresarial são a parte indesejada da cultura do setor privado. A combinação ideal seria: a visão criativa e dinâmica do setor privado somado com as condições de trabalho adequadas, uma vantagem típica do setor público. Unir o útil ao agradável.

Mas quando vemos a situação atual das instituições públicas transformadas pela cultura empresarial, a frustração é total. Vamos falar do caso da URBS S/A, uma sociedade de economia mista do município de Curitiba, responsável pela gestão do transporte coletivo.

A URBS tem ficado em evidência pelos sucessivos erros na gestão do transporte coletivo na cidade. Aumentos abusivos das tarifas, benefícios imorais aos empresários do setor, falhas no controle de qualidade dos serviços e escândalos de corrupção são as manchetes mais frequentes, quando se fala em URBS, que se tornou um aparelho burocrático subserviente aos empresários do transporte.

Mais recentemente, a região metropolitana de Curitiba sofreu com a desintegração do transporte metropolitano, uma das marcas da propaganda oficial da cidade. Tudo isso, com razão, é atribuído à URBS, a empresa pública responsável pelo tema.

Ocorre que a URBS é uma “sociedade de economia mista”, um tipo de empresa pública organizada a partir de regras e princípios empresariais privados.

E estouram na URBS denúncias de demissões arbitrárias, como a demissão de um funcionário que foi testemunha em um processo de assédio sexual movido contra um dos chefes da empresa. Em outro caso, um funcionário que se recusava a assinar documentos flagrantemente ilegais foi para a “geladeira”, e chegou a ser removido para uma claustrofóbica sala “sem janelas”, que passou a ser seu local de trabalho, tudo como punição tácita pela insubordinação.

Com esse tipo de cultura empresarial no espaço público, nos deparamos com a fórmula inversa da combinação entre criatividade e trabalho digno. É o inútil com o desagradável: a empresa de economia mista com condutas de assédio moral e sexual sobre os trabalhadores, e totalmente ineficiente na gestão do serviço público.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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