Por Esmael Morais

Richa se isola em debate sobre eleição para diretor de escola; “Retira ou rejeita!”, gritam educadores; assista

Publicado em 15/09/2015

Tadeu Veneri (PT) avaliou que não há como se falar em democracia nesse projeto se ele prevê cassação do mandato dos diretores que não concordarem com a linha do governo.

O presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, afirmou que a “democracia” está sendo manipulada e disse que esse projeto deveria vir da base, das comunidades escolares e não dos gabinetes de governo. Segundo ele, há assuntos mais importantes e urgentes na educação estadual.

Após o professor Hermes, o deputado Hussein Bakri determinou que os participantes deveriam “se ater ao tema da audiência” numa clara referência à fala do presidente da APP, que havia questionado a falta de democracia na escolha dos integrantes dos conselhos administrativos das empresas pública como Copel e Sanepar e do Tribunal de Contas do Estado. Hussein foi muito vaiado e ameaçou encerrar a audiência.

A superintendente da Secretaria de Educação, Fabiana Campos, justificou o projeto com o argumento de que as prestações de contas das escolas deixam a desejar e por isso deixam de receber recursos. Ela só esqueceu de mencionar as denúncias de desvio de R$ 30 milhões ocorrido dentro da SEED/SUDE, no esquema de construção e reformas de escolas, em que as empreiteiras recebiam sem prestar o serviço contratado.

Fabiana também não fez referência ao diretor do Colégio Antônio dos Três Reis de Oliveira, Luiz De Faveri, preso na última sexta-feira (11), no município de Apucarana, por suspeita de desvio de merenda escolar. O Blog do Esmael apurou que o diretor da escola é “tucano de coraçã” e faz parte do grupo político do governador Beto Richa (PSDB). Será que neste caso o diretor seria afastado pela SEED?

O deputado Professor Lemos afirmou que a prioridade atual não é alterar as regras para eleição de diretores de escola e sim contratação de mais professores e servidores, formação continuada para os profissionais, retorno do PDE, e diversas outras demandas das comunidades escolares. Por fim, o deputado defendeu a retirada do projeto e a realização de eleição com as regras já previstas em lei.

A audiência pública reprovou o projeto autoritário de Beto Richa. Várias intervenções, muitas delas de professores e diretores de escola, foram contrárias ao projeto como se apresentou na Assembleia.

O que ficou claro na audiência é que nem os deputados governistas têm coragem de defender o golpe apresentado pelo governo. Resta saber se Beto Richa vai desistir de praticamente nomear os diretores das escolas do estado, ou vai usar a influência da máquina para garantir o voto da “bancada do camburão” que já se mostra bastante cansada e envergonhada.