Coluna do Reinaldo de Almeida César: Segurança e Cidadania

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Reinaldo de Almeida César, em sua coluna desta quarta-feira, fala de táxis e outras opções de transportes nos Aeroportos, em especial no Afonso Pena, além da estranha exploração de venda de assinaturas de revistas, no mesmo espaço. Além disso, ele lembra a passagem dos 30 anos da “refundação” da Guarda Municipal de Curitiba que será comemorada em 2016. Leia, ouça, comente e compartilhe.

Downlaod

Reinaldo de Almeida César*

Na última segunda-feira, a Polícia Militar deflagrou uma operação de combate aos táxis clandestinos no Aeroporto Afonso Pena.

Este é, infelizmente, um fenômeno mundial. Basta desembarcarmos em um aeroporto qualquer e logo vem a irritante abordagem, oferecendo veículos supostamente em melhor estado e com corridas a preços mais convidativos.

Além da flagrante irregularidade, com motoristas não credenciados e não identificados, pilotando carros de duvidosa procedência e sem qualquer taxímetro, este serviço de transporte não controlado submete incautos passageiros a todo tipo de risco patrimonial e pessoal.

A argumentação que se faz em contrário é que a corrida é mais barata. Talvez seja mesmo verdade.

Curitiba e São José dos Pinhais sempre viveram às turras sobre a questão da localização do aeroporto Afonso Pena e isso se refletiu nas permissões para táxis. A corrida de lá para cá, do aeroporto para a cidade, fica encarecida, pois paga-se também o retorno, uma vez que nem táxis de São José podem regressar com passageiros embarcados em Curitiba, nem os taxistas de Curitiba podem aproveitar a corrida de retorno do aeroporto.

Resultado, a corrida fica mesmo mais cara. Nenhuma culpa dos profissionais taxistas.

Por todas as razões imagináveis, então, a PM merece nosso aplauso ao apertar a fiscalização sobre a atividade desses táxis piratas.

Porém, como se dizia na roma antiga, est modus in rebus.

Veículos, motoristas e empresas regularmente registrados para atuarem no transporte privado, ainda que não sejam identificados como “táxis”, não podem ser tolhidos na atividade de levar ou buscar passageiros que tenham previamente contratado tais serviços, como aliás, também ocorre de forma muito transparente nos maiores aeroportos do mundo.

Táxi em aeroporto é fundamental e muito importante, mas não é serviço cartorial. Nem a plataforma de desembarque deve ser área de feudo.

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Alô, alô, Ministério Público, já que falamos em constrangimentos em aeroporto, que tal algum ilustre membro do parquet formatar estudos e propor ação, em nome da defesa dos direitos difusos e coletivos, para varrer dos aeroportos aquela empulhação de venda de assinatura de revistas, disfarçadas em brindes oferecidos por sorridentes moçoilas?

Que estranho poder é este da INFRAERO em ceder espaço público para uma exploração econômica visivelmente constrangedora ? Que interesses estão ocultos nessa indevida permissão ?

Tente embarcar no nosso Aeroporto Internacional Afonso Pena sem ser importunado pela oferta de revistas gratuitas ou de vistosas malas de rodinhas.

Se você conseguir passar incólume, eu mesmo lhe entrego o prêmio: uma revista que ficou encalhada nas bancas há algumas semanas.

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Ainda voltarei a escrever com mais profundidade, sobre a importância das guardas municipais, no contexto da segurança pública, o que restou patente quando a Lei Federal 13022, de agosto de 2014, regulamentou o art. 144 da Constituição Federal, dando contornos normativos aquelas importantes corporações.

Prefeituras que criaram, mantém e investem em corpos de guarda municipal – e são várias no Paraná – merecem todo nosso reconhecimento, pois agregaram às suas responsabilidades que, convenhamos, não são poucas, também a área da defesa social.

Aqui mesmo, em Curitiba, já falei e sempre vou enaltecer, sobre a importância da atuação sinérgica, integrada, da Guarda Municipal com as demais forças de segurança pública.

A Guarda Municipal de Curitiba, hoje prestigiada por merecida carreira e com vigoroso recrutamento a pleno vapor, chegou a ser extinta em 1970, após sofrer marchas e contramarchas em seu processo histórico.

Porém, foi recriada com força total, em 1986, na gestão do Prefeito Roberto Requião, pelos esforços e pelo projeto de autoria do então Vereador e líder do governo José Maria de Paula Correia*, tendo tido como seu primeiro comandante o Delegado José Carlos Branco.

Espero que pontos altos da história da Guarda Municipal de Curitiba sejam, com inteira justiça, reverenciados em 2016, na programação alusiva as comemorações dos seus 30 anos.

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*A coluna de hoje foi escrita em homenagem ao José Maria Correia, cujo coração valente nos pregou um susto nesta semana. Nada grave, felizmente. Quem o conhece, sabe que Zé Maria, ao lado de ser um carinhoso e dedicado esposo, pai e avô, é uma das mais cativantes figuras de Curitiba. Culto, cinéfilo, profundo conhecedor da sétima arte, leitor voraz dos clássicos, cidadão do mundo, líder classista, gestor público de rara competência, é daquelas pessoas que vale a pena parar para ouvir. Em nome de seus amigos, que são incontáveis, breve e boa recuperação, Zé Maria!

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.

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