Por Esmael Morais

Coluna do Reinaldo de Almeida César: A dura realidade das polícias do Paraná

Publicado em 02/09/2015

O Paraná tem uma temerária – para não dizer ridícula – proporção entre o efetivo policial e sua população.

Segundo a matéria da Folha, estamos à frente apenas do Maranhão.

Contra números não se briga.

Basta ler, na matéria, o que disseram dois legítimos líderes em suas corporações, o competente Coronel Cesar Alberto Souza e o aguerrido Delegado Claudio Marques Rolim e Silva, sobre as agruras vividas pelas forças policiais que representam.

Com base em dados oficiais, esta coluna já havia apresentado para reflexão, aqui no Blog do Esmael, em 22 de abril de 2015, a dura realidade que desmente a propaganda oficial. O governo conta só um pedaço da história ao dizer que contratou 10.000 policiais. Nunca informa quantos policiais saíram, ao longo dos últimos 5 anos.

Até abril deste ano, na PM, foram admitidos 655 (2011), 2581 (2012), 2577 (2013), 215 (2014) e 11 (2015) novos policiais e bombeiros militares.

Na via oposta, deixaram a corporação 787 (2011), 1198 (2012), 856 (2013), 800 (2014) e 216 (2015).

Isso resulta dizer que, na atual gestão, 6093 policiais militares ingressaram e o expressivo número de 3857 policiais deixaram a corporação.

O saldo, até abril de 2015, é de apenas 2236 novos policiais militares, número muito longe do apresentado pela propaganda oficial, que fala em 10.000 novos policiais.

Na polícia civil, o quadro não é diferente. Corra os municípios do Paraná, e veja onde consegue achar um único policial civil e, se conseguir a proeza, pelo menos um delegado.

Um bom exercício, em 2018, será fazer o cotejo de entrada e saída nos efetivos da PM e da Polícia Civil, quando o governo baixar a cortina e encerrar o espetáculo, como diria Fiori Gigliotti, nas ondas da Radio Tupi, esta uma outra reminiscência de belos e velhos tempos.

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Já defendi a PM, por aqui, quando adiou a conclusão do inquérito que apura os fatos ocorridos no massacre de 29 de abril.

Mas, começa a ficar estranho esse adiamento indefinido da entrega das conclusões.

Acaba dando margem às mais diversas ilações e empina em voos altos e livres as versões, que talvez comecem a se sobrepor aos fatos.

Já ouvi até notícia de que teria havido constrangimento de autoridade, reduzindo-lhe o pleno poder, pela desleal apresentação de registro de troca de mensagens em celulares, na véspera dos fatos. Teria havido “capitis diminutio” pelo Centro Cívico ? Não acredito.

Continuo apostando minhas fichas na isenção da investigação da PM.

Espero estar certo.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.