Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: “Fica Dilma, não vá pra casa!”

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Em sua coluna desta segunda-feira, o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) analisa o momento político e a postura dos empresários que pedem a saída da presidenta Dilma Rousseff (PT) do cargo, como se essa fosse a solução para a crise. Além disso, segundo ele, parte da oposição está enebriada com a possibilidade de voltar ao poder antes de 2019 e por isso aposta no “quanto pior melhor”. Leia, ouça, comente e compartilhe!

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Luiz Cláudio Romanelli*

“Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para”
Cazuza

Participei na última sexta-feira (18), da posse do Edson Campagnolo, reeleito presidente da Fiep – a Federação das Indústrias do Paraná -, a quem agradeço o gentil convite. O que vi lá, entretanto, me leva a essa reflexão: há quatro anos, neste mesmo evento, a então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), quase recebeu um “cetro de princesa”, tal foram os mimos e deferências a ela oferecidos.

Neste ano, para minha surpresa, a posse do presidente da Fiep transformou-se num ato contra os governos da presidente Dilma (PT) e do governador Beto Richa (PSDB). Campagnolo terminou sua fala com um inusitado pedido e brado: “vá pra casa Dilma!”. ‎

Se não estivéssemos na presença de homens e mulheres influentes e, presume-se, bem informados, dir-se-ia que foi um ato de voluntarismo de um diretório acadêmico. Não era o caso.

Ocupou o lugar da senadora, o senador Álvaro Dias, aliás, ressalte-se aqui a coerência com a posição que ocupa como líder da oposição no Senado.

Mas o que leva a uma postura tão distinta e tão surpreendente do dirigente da entidade máxima da indústria paranaense? O que deu lugar ao seu conhecido otimismo? Será que é mais fácil e cômodo simplesmente criticar em vez de adotar uma atitude colaborativa para superarmos os entraves e retomar o diálogo na busca novamente do crescimento econômico?

Ao final, também fez críticas ao novo pacote anticrise lançado pelo governador Beto Richa. Por certo não tem acompanhado o conjunto de medidas que tem sido adotado e nem leu o projeto de lei em trâmite na Assembleia Legislativa.

Muito menos ouviu a fala bem articulada do chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, que explicou a lógica da criação do Fundo de Combate à Pobreza e o princípio do ITCMD progressivo, que diminui a conta para 96% dos contribuintes e aumenta para os 4% mais ricos, detalhando ainda, as outras 16 medidas anticíclicas que beneficiam e estimulam a atividade econômica no Estado, sem ampliar a carga tributária em um único centavo.

Durante os últimos anos, a Fiep liderou diversas missões em apoio às iniciativas do governo brasileiro em expandir os negócios das empresas para além mar e também no continente. Aliás, já há muito tempo Campagnolo tem sido um entusiasta da industrialização – do Paraguai.

De repente as pessoas, como numa decisão de campeonato de futebol, passaram a torcer com a paixão típica de torcedores. Politizados mesmos, alguns mais, a maioria menos. É o chamado “efeito manada”. É “bonito” ser oposição até perder o emprego e no caso dos empresários, perderem os seus negócios.

Os derrotados nas eleições de outubro não se conformaram com o resultado das urnas. Perderam por pouco, mas perderam.

Alguns não merecem perdão pelo que estão fazendo com o país. Políticos da velha guarda, raposas que se não fosse a ditadura que ceifou o nascimento de lideranças, já há muito deveriam estar aposentados pelas urnas.

Na oposição existem cabeças pensantes, que inebriadas pela possibilidade de voltar ao poder antes de 2019, rasgam seu passado. Esquecem que da mesma forma que vislumbram um golpe “paraguaio”, no mesmo estilo que sacou Fernando Lugo do poder, podem ser vítimas do mesmo expediente caso a “salvação da pátria” não aconteça rapidamente.

Vejamos o presidente da Câmara dos Deputados, ou alguém em sã consciência acha que o deputado Eduardo Cunha (PMDB) poderia ocupar o cargo de ocupa, sendo um dos investigados e ao mesmo tempo “juiz” da tramitação de um pedido de impedimento da presidente?

Vivemos vinte e um anos de ditadura que até hoje reflete na nossa realidade. É chegada a hora dos que creem na democracia como método, defendê-la, sob o risco de vivermos um outro modelo de ditadura.

É fato que a equipe econômica conspira contra o governo da presidente Dilma Rousseff, pela qualidade e quantidade das barbeiragens que faz na pilotagem da política econômica.

O melhor exemplo destas “trapalhadas” é terem enviado ao Congresso Nacional um orçamento deficitário, o primeiro da nossa história, até porque enviar um orçamento de R$ 2,186 trilhões, com um déficit de R$ 30 bilhões, foi uma estratégia equivocada. A intenção seria de pressionar o Congresso para a criação de mais tributos e alertar aos demais poderes e a administração pública sobre a escassez de recursos, ou foi mesmo idiotice, um tiro no pé, ou uma conspiração contra o Brasil?

O resultado está sendo sentido fortemente pelos trabalhadores, pelo aumento exponencial da taxa de desemprego, pelos mais pobres, pela retração da atividade econômica.

Não somos vira-latas, como especulava Nelson Rodrigues. Nós, brasileiros e paranaenses, temos que reagir e superar essa quadra difícil, em respeito à democracia, à dignidade da pessoa humana e em defesa do futuro dos nossos filhos.

Mude a política econômica presidente Dilma e se for para cair, que seja pela luta pela implementação de uma política econômica desenvolvimentista e anticíclica, e não pela adoção da política econômica neoliberal dos adversários derrotados nas urnas.‎ ‎P‎or isso que eu digo: fica Dilma, não vá pra casa!

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PMDB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

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