Coluna da Gleisi Hoffmann: “Deixem passar as pessoas!”

imigrantes

A senadora Gleisi Hoffmann (PT), em sua coluna nesta segunda-feira, fala sobre a crise migratória que tem origem no oriente médio com milhares de pessoas tentando a qualquer custo fugir e entrar na Europa. Ele lembra que o mundo atual dito globalizado não existem mais fronteiras para o capital e para as mercadorias, mas as pessoas encontram barreiras cada vez mais fortes para impedir a migração, mesmo que seja para fugir da guerra ou da fome. Nesse ponto, segundo Gleisi, o Brasil mais uma vez se mostra um país avançado e tolerante, recebendo os refugiados da Síria, assim como do Haiti, Angola e República do Congo. Leia, ouça, comente e compartilhe!

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Gleisi Hoffmann*

Nessa semana, o mundo assistiu a cenas tristes, cuja origem está no preconceito e na intolerância. Porque é muito triste que uma criança tenha morrido para que o mundo acorde para o problema da migração.

Vivemos tempos contraditórios. As ideias de livre comércio são amplamente vitoriosas no mundo todo. As fronteiras se abrem cada vez mais para que passem os produtos e mercadorias que são trocados em escala mundial.

Ao mesmo tempo, cada vez mais barreiras se erguem para dificultar ou impedir a passagem das pessoas, mesmo em situações extremas, como agora, para fugir de guerras, da fome e da falta de condições dignas para a vida. Assim, o limite que nos separa da barbárie é tênue e perigoso, colocando em risco a vida, a liberdade e a diversidade. Não podemos nos deixar guiar pelo ódio.

E não é preciso ir muito longe para observar isso. Ao lado de cada um de nós, há um amigo ou conhecido que tem preconceito com pobres, ou outro que xinga mulheres, ou ainda há quem não goste de negros, quem abuse dos mais fracos, ou que julgue alguém por antecipação. E é este tipo de pensamento que está causando a morte de sírios e doutras etnias. Um pensamento de quem olha para essas pessoas em busca de uma vida melhor, longe da guerra, e tem a capacidade de dizer que eles vêm para roubar empregos, dinheiro, espaço.

Felizmente, há esperança. De acordo com matérias divulgadas nesta semana, o Brasil já concede mais vistos para refugiados sírios do que países europeus. São milhares de sírios que chegaram legalmente ao nosso país desde 2011, sem falar de outras etnias vítimas de conflitos e que encontraram no Brasil um refúgio, como Haiti, Angola e República do Congo.

Em Curitiba, os haitianos já se tornaram parte da nossa população. Muitos dos refugiados sírios rejeitados pelos Estados Unidos também estão em Curitiba – uma cidade que, em sua origem, foi formada por imigrantes, cujos antepassados já passaram por situações semelhantes.

É importante que olhemos para esta tragédia e possamos aprender com ela. Precisamos ter mais sensibilidade com o próximo e não nos abster de ajudar quando alguém precisa. Precisamos parar de julgar os outros e ter mais compaixão. O que o Papa Francisco propõe é um bom exemplo, sugerindo que cada Igreja abra suas portas para receber as famílias de refugiados.

Como diz ele: “O Evangelho pede que sejamos vizinhos aos menores e mais abandonados, que entreguemos a eles esperança concreta. Não é suficiente dizer: Tenha coragem”.

O pré-conceito não nos levará a lugar algum, apenas a dor e sofrimento. Sejamos protagonistas do acolhimento, da bondade, da tolerância e da paz. O momento é mais que propício para todos melhorarmos!

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

17 Comentários

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  1. O brasil e uma terra abençoada e que poderia acolher uma parcela destes seres transformados em párias, justamente para quem lhe legou a desgraça! Kd a solução que os yanques tem para por fim em toda aquela carnificina”
    !

    viver

  2. Aviso aos navegantes: hoje é o nosso
    “Independence Day”
    Lembro também que teve um tal Joaquim José da Silva
    Xavier, que literalmente quebrou o pescoço pela nossa
    independência, que viria a ser comprada mais tarde, e
    proclamada sob um certo manto de glamour, pelo
    “heroico” Dom Pedro I.
    Começou aí essa sacanagem dos mandatários brasileiros
    de comprar aquilo que não podem conquistar, ou obter
    de forma lícita.

    • Pobre Tiradentes: se soubesse no que iria dar, e se
      antevisse o que somos hoje, teria poupado o seu
      pescoço e sua vida.
      Que pena Joaquim, não valeu a pena.
      Desculpe a redundância.

  3. O Brasil virou uma zona graças a esses partidos políticos que só pensam em usurpar o que é do povo, falam tanto em divisão, em melhoria da qualidade de vida do povo, tudo papo de político sem moral.
    Esse papo não cola mais, que levem os estrangeiros para a casa da Dilma, fazer assistencialismo com o chapéu dos outros é fácil.
    Falar em aumento de carga tributária em tempo de crise e abrir a entrada de pessoas de fora sem qualificação e sem dinheiro, estão querendo destruir nosso País.

  4. Estilosa Senadora, sua proposta é linda enquanto ideia, mas feia na prática. A senhora esta ao lado dos burgueses que tem agora a disposição muita mão de obra barata e de importante qualidade. O capitalismo não esta nem ai para a humanidade e aos “refugiados. Se liga e coloca os pés no chão!!!
    Professor com P maiúsculo história com h minusculo.

  5. Diz o adágio: “de boas intenções o inferno está cheio”.
    Na verdade, é a vida dos “bem intencionados” que vira
    um inferno, quando não estão preparados, ou não
    conhecem a tarefa, trabalho, ou missão, a que se
    propõe a fazer ou cumprir.
    Gleisi:
    1)- O Brasil está preparado para receber todos
    esses desvalidos, pobres, e perseguidos?
    2)- Teremos empregos, previdência social, saúde
    pública, e educação pública para todos eles?
    3)- Ou eles engrossarão os nºs do Bolsa Família
    ou as fileiras do MST?
    4)- O governo Dilma tem algum controle sobre o
    nº de imigrantes no Brasil?
    5)- Esse mesmo governo tem algum controle sobre
    os antecedentes criminais, ou índole pacífica
    ou beligerante desses imigrantes?
    6)- O governo ignora que esse contingente pode ser
    recrutado pelo tráfico de armas e drogas?
    7)- O governo petista tem uma leve ideia sequer,
    sobre o nº de imigrantes ilegais no Brasil?
    8)- Ou pelo nemos, dos realmente clandestinos que
    exercem atividades criminosas?
    Pois é, Gleisi, parafraseando o Rei Roberto Carlos:
    “Hê, hê, hê, hê! São tantas questões”…
    Parece que nem você e nem o governo tem qualquer
    resposta para as questões acima, que não seja mero
    um “chute”.
    Figuradamente, o Brasil é um barco à deriva e lotado,
    como aqueles que chegam na costa europeia, e vocês,
    tal como os “Coiotes’, estão embarcando mais e mais
    passageiros, de forma irresponsável.
    Se o Brasil virar um inferno, você, os políticos, e
    todos nós queimaremos nele.
    Mas para você e a sua classe política, a diferença
    será, que poderão pedir “asilo político”, dar e
    aulas na Sorbonne, com cara de mártires em Paris.
    Eu não sei se você escreve o que escreve por não
    ter noção, ou é desonestidade intelectual mesmo.
    A coluna do Romanelli eu não lei mesmo, porque sei
    de antemão que ele se encaixa na 2ª opção, quanto
    a você, Gleisi, ainda não descobri qual é a sua.

  6. A senadora tem um bom coração, mas não podemos esquecer, que o espaço é aberto a todos no mundo, claro seguindo as regras, receber refugiados os país devem fazer com condições, ou seria uma transferência de problemas, cada país já tem o seu, para isso aqueles que podem e querem, deve haver uma identificação e colocação, ou teremos que pagar a conta dos outros, já temos os nossos, e não esqueçamos que demais problemas vem junto, coisa boas e ruins, com a intolerância religiosa, costumes, bom, se vierem que cumpra nossos costumes, não como esse dias que não queriam tirar o véu para foto de identidade, nos poupem.

  7. O certo seria que essas pessoas continuassem onde estavam quietinhas e sossegadas até que inventassem a tal “Primavera Árabe”, onde Europa e Obama forneceram armas e dinheiro a grupos de facínoras para tentarem derrubar os governos do Egito, Líbia, Tunísia, Síria e outros, tendo êxito em alguns.

    O certo agora é esses governantes criarem vergonha na cara e pararem de financiar esses grupos terroristas e que paguem por todo o prejuízo causado a esses países, pagarem os bens materiais, porque as vidas perdidas e o sofrimento não é possível.

    Acho que o comentário da senadora não vai ao centro da questão, característica do PT ser saco de pancada!

  8. Prezada senadora,
    Gostaria que a senhora tivesse pelo povo do Brasil e principalmente pelo povo de Curitiba,onde a senhora mora, esse mesmo respeito. Cuide antes de nossos hospitais antes de receber os estrangeiros. Sera q a senhora consegue entender o resto? Sandor Mendes

    • A lorpaça que se dirige a senadora, sugere que ela cuide melhor do povo de Curitiba onde ela mora! Vc é tão néscio que não consegue sequer se sensibilizar com a tragédia humana que pseudos gendarmes do mundo fazem de maneira seguida! Onde houver um conflito bélico envolvendo povos irmãos lá estarão os famigerados satãs do norte, que fazem ouvidos de mercadores, criaram um conflito trágico no mundo árabe e ficam observando como meros expectadores!

  9. A coisa não é tão simplista assim Loira. A coisa vai muito além do que possamos imaginar, mas é fácil ver os tentáculos do capital podre (estadunidense) em tudo isso. Grandes petrolíferas, as mesmas as quais o Zé Çerra (senador por São Saulo, representantes dos tucanalhas) quer entregar riquezas no fundo do mar, que são do povo brasileiro e da Petrobrás (essa é a verdadeira guerra contra a Petrobras, de fundo, vem a corrupção). 80% das reservas de Petróleo dos países que hoje saem os imigrantes que rumam a Europa (e outros países) como Síria e Iraque tem o domínio das petroleiras internacionais. Sobra ao povo, a fuga. Em relação aos Haitianos, a coisa não é mamão com açúcar para eles também não. O racismo de parte dos que se dizem brasileiros, nascidos de pela clara mas em muitos mestiços de índios, negros, entre outros, se esquecem de suas origens e tem preconceito em relação aos haitianos. São Paulo, terra essencialmente de imigrantes, hoje é o estado mais atrasado que existe no país, e o Paraná está indo na mesma toada. Incrível a falta de humanidade de nossos “amigos” que realmente, estão ao nosso lado. Esquecem que há 15, 20 anos atrás onde o Brasil era uma “merda” com desemprego, baixa renda (de quem tinha emprego), corrupção generalizada mas não publicizada, privatização de empresas estatais com entrega de mais de trilhão do patrimônio público a entes privados, saúde, educação, tudo sucateado pela fome das mesmas empresas e a comando do FMI e Banco Mundial. Até que estamos melhor, conseguimos nos libertar desse atraso provocado por outros (momentaneamente, pois continuam no golpe) mas o ranço do preconceito, a medida que o povo de um país vai evoluindo socialmente, parece que o preconceito em relação aos outros aumenta. Estranho, mas é verdade.

    • Existem, pessoas fugindo de guerras,são vistos como oprimidos,diante de opressores existe sim uma crise humanitária,existe uma crise moral,ética que separam as pessoas em dois grupos, os ladrões e o povo a loira,não faz parte do povo,diz ai loira quando você fugir ;com certeza já tens uma rota de fuga,qual pais te daria abrigo?

  10. Por que os EUA não recebem refugiados? Por que a Arábia Saudita que tem muito dinheiro não recebem refugiados? Por que Israel não recebem refugiados? Há algo de podre nesse reino…..

  11. Que azar….a Gleise, cai justo no dia 7 de setembro, para realizar sua opinião….verdadeiramente ela NÃO TEVE CORAGEM DE FALAR DO BRASIL, porque será?
    Nem a Dilma, em rede de televisão?
    A tristeza está na cara e no coração, por passarmos dificuldades, mais é só esperar, até começo de 2017 , que se alinha…