Por Esmael Morais

Propaganda de austeridade de Richa desmente seu próprio governo

Publicado em 07/08/2015

Com a última metade do ano encaminhada, o governador se apressa em dar boas novas, esquecendo-se que já as havia trazido em 2014, no mesmo tom e métrica propagandista atual. Porém, o que se deve questionar agora é qual a receita desastrosa que em 2014 tirou dos cofres do estado um superávit de R$ 1 bilhão estimado como o que aparece agora em 2015.

Dados do Departamento Intersindical de Estudos Sócio Econômicos (DIEESE) mostram que as ações do governo Richa em nada ajudaram a melhorar a economia do estado, fortalecer a cadeia produtiva e equilibrar a balança comercial interna incentivando consumo e geração de empregos. Pelo contrário, com as sucessivas altas da carga tributária e de serviços como água e luz no estado, Beto esticou ainda mais a corda já tencionada pelas altas na taxa de juros e carga tributária impostas pelo governo federal.

Enquanto anuncia, ou blefa com o superávit para 2016, uma versão modernizada do famigerado “o melhor está por vir”, Beto Richa se cala diante dos mais de R$ 500 milhões – metade de R$ 1 bilhão – que foram desviados da Receita Estadual por seu primo, lobista Luiz Abi Antoun, e seu amigo pessoal e inspetor geral da Receita Estadual em Londrina, Marcio Albuquerque Lima.

O silêncio ficou ainda mais fúnebre esta semana, com uma nova denúncia, esta entregue ao Ministério Público, dando conta de que a Refinaria Manguinhos, instalada em Araucária, acumula uma dívida tributária com o estado de mais de R$ 1 bilhão, valor que, segundo a denúncia era de conhecimento pleno do governador e sua equipe que, entre 2010 e 2014, tiveram todas as chances de intervir e assegurar que os débitos fossem pagos, mas que por fim nada fizeram.

O governador volta ao picadeiro novamente com confete, purpurina e muita história para contar, do R$ 1 bilhão de superávit, as constantes declarações de crescimento econômico do estado. Ele só não explica porque nunca promoveu o pacote de austeridade que previa o corte de mais de mil cargos em comissão e a extinção de pelo menos quatro secretarias.

As medidas anunciadas em 2013, às vésperas de uma eleição, eram simples e iniciais, mas uma vez executadas, garantiriam ao cofre do estado economia e rentabilidade similar ao que ele dissimula ter em caixa hoje, fazendo dinheiro às custas do sacrifício do povo paranaense. Que o diga a população de Curitiba que hoje amarga a maior inflação entre as capitais, 10,20% em 12 meses.