Por Esmael Morais

Pânico global atinge em cheio o mercado brasileiro

Publicado em 24/08/2015

Ibovespa cai por pânico global com situação da China; dólar e DIs sobem forte

O Ibovespa abre em baixa nesta segunda-feira (24), em um dia de pânico profundo nas bolsas internacionais, com a Ásia no olho do furacão negativo que arrasa os mercados hoje. As fortes desvalorizações do yuan trouxeram indefinição ao cenário global e fizeram com que a bolsa de Xangai despencasse 8,46%. Ao mesmo tempo, as cotações de commodities recuam às mínimas em 16 anos. No cenário interno o mercado avalia os desdobramentos da crise política depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, pediu a investigação da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT).

Às 10h19 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 5,79%, a 43.072 pontos, ainda com muitas ações em leilão. O Ibovespa Futuro já afunda 5%. Já o dólar comercial sobe 1,38% a R$ 3,5442, ao passo que o dólar futuro para setembro sobe 1,18% a R$ 3,552. Os futuros dos índices norte-americanos Dow Jones e S&P 500 recuam 4,06% e 3,78% respectivamente.

No fim de semana, o governo chinês disse que vai permitir a fundos de pensão que comprem ações. A especulação sobre corte de compulsórios para estimular a economia não se confirmou.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) estavam cotadas para abrir em queda.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,01% para uma de 2,06%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções caíram de 9,32% para 9,29%.

Cenário externo

A segunda-feira já começou bastante negativa para os mercados globais. As bolsas asiáticas e europeias despencam em meio ao sell off global, agravado pelo tombo dos papéis chineses, que intensificou a fuga de ativos mais arriscados em meio a temores de desaceleração econômica global encabeçada pela China. Xangai teve baixa de 8,46%, a maior queda percentual diária desde 2007.

O índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico exceto Japão caía 5,46%, abaixo da mínima de três anos. Hang Seng teve queda de 5,17%, enquanto Nikkei despencou 4,61%.

Ativos vistos como um porto-seguro, como títulos de governo e o iene, apresentaram ganhos em meio à instabilidade nos mercados financeiros. O gatilho para as turbulências veio sob a forma da forte desvalorização do iuan chinês, que alimentou temores sobre o estado da segunda maior economia do mundo.

“Os mercados estão em pânico. As coisas estão começando a parecer com a crise financeira asiática no fim da década de 1990. Especuladores estão vendendo ativos que parecem ser os mais vulneráveis”, disse o chefe de pesquisa do Shinsei Bank, Takako Masai.

Bolsas de valores em todo o mundo, do Japão à Indonésia, foram duramente atingidas pela queda das ações chinesas desde a abertura nesta segunda-feira, após Pequim não anunciar nenhum grande estímulo no fim de semana para sustentar as ações, como era amplamente esperado após a queda de 11 por cento da semana passada.

O sell off se estendeu pela Europa, que vê as principais bolsas do continente caírem cerca de 3%. Por outro lado, a Alemanha vê consequências limitadas da desaceleração econômica da China para sua economia, a maior da Europa, disse uma porta-voz do Ministério da Economia nesta segunda-feira.

“Estamos monitorando os desdobramentos na China com muita atenção. As consequências imediatas para a economia da Alemanha, no entanto, devem ser limitadas”, disse a porta-voz.

No cenário do continente, líderes da oposição grega fizeram progresso zero neste domingo nos esforços para tentar formar uma nova coalizão, apesar dos apelos internos e externos por eleições rápidas para que o país possa lidar com crises econômica e humanitária simultâneas.

O sell off se estende no mercado de commodities: o minério de ferro negociado no porto de Qingdao tem baixa de 5,02%, a US$ 53,08, enquanto o brent é negociado com queda de 3,78%, a US$ 43,74.

22 ações do Ibovespa caem mais de 6%: Petrobras, Vale e siderúrgicas afundam

A sessão desta segunda-feira (24) é marcada pela queda de todas as 66 ações do índice, sendo que a menor queda é da Souza Cruz (CRUZ3) que recua 0,45%, lembrando que a companhia se prepara para deixar a Bolsa. Enquanto isso, 65 das 66 ações do benchmark da Bolsa registram perdas de mais de 4%. Para conferir o desempenho de todos os papéis do Ibovespa confira a ferramenta altas e baixas do InfoMoney.

10h55: Bancos
Em mais um dia de “sell-off” global, os papéis dos bancos afundam e ajudam a pressionar ainda mais o benchmark. O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 25,07, -5,04%), Bradesco (BBDC3, R$ 23,26, -5,45%; BBDC4, R$ 22,05, -5,28%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,36, -5,85%) e Santander (SANB11, R$ 13,08, -7,50%) caem todos mais de 5%.

10h37: Vale (VALE3, R$ 15,05, -9,88%; VALE5, R$ 12,10, -10,04%) e siderúrgicas
A mineradora Vale e as siderúrgicas afundam  nesta segunda-feira seguindo o desempenho do mercado chinês e do minério de ferro. Enquanto isso, CSN (CSNA3, R$ 2,75, -9,84), Gerdau (GGBR4, R$ 4,73, -8,16%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,58, -13,13%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,79, -9,12%) despencam.

As fortes desvalorizações do yuan trouxeram indefinição ao cenário global e fizeram com que a bolsa de Xangai despencasse 8,46%. Ao mesmo tempo, as cotações de commodities recuam às mínimas em 16 anos. O minério de ferro spot com 62% de pureza no porto de Qingdao afunda 5,03% a US$ 53,28 a tonelada.

10h37: Petrobras (PETR3, R$ 8,38, -8,91%; PETR4, R$ 7,57, -8,80%)
Como era de se esperar com o “dia negro” no mercado asiático, as ações da Petrobras afundam logo no início da sessão desta segunda-feira, com o petróleo Brent recuando 4,11% a US$ 43,59. No noticiário da estatal, a companhia desativou a unidade de craqueamento catalítico fluido (FCCU, na sigla em inglês) com capacidade de produção de 56 mil barris por dia de gasolina na refinaria de Pasadena, Texas, Estados Unidos, com capacidade para 100 mil barris por dia, após um incêndio durante a noite de domingo, afirmaram fontes familiarizadas com as operações da fábrica.

Ainda no radar da empresa, os ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga, e da Fazenda, Joaquim Levy, instituíram grupo de trabalho com o objetivo de avaliar os impactos sobre a concorrência, a regulação e as políticas públicas do processo de desinvestimento da Petrobras “em atividades com características de monopólio natural”.

Além disso, o fundo de investimentos alemão HSBC Inka, controlado pelo HSBC, retirou as acusações feitas contra Petrobras em um processo em Nova York, segundo informações do Valor. A ação havia sido arquivada na quarta-feira, acusando a companhia de inflar valores de ações e títulos de dívida vencidos entre 19 de agosto de 2012 e 13 de maio deste ano. Em seguida, a Inka ajuizou uma nova ação judicial contra a estatal em Nova York, mas sem citar o HSBC como seu controlador. Com a mudança, a companhia segue ré de 13 ações individuais, além da ação coletiva – a “class action” – que corre paralelamente nos Estados Unidos.

10h36: Suzano (SUZB5, R$ 15,78, -6,41%)
A companhia segue o desempenho dos mercados globais, e não consegue evitar a queda nem com a disparada do dólar, que chegou a R$ 3,57 na máxima do dia. No noticiário, em resposta à taxação antidumping aplicada pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a Suzano informou, no sábado, que não planeja alterar a sua estratégia de exportação para os Estados Unidos, enquanto não for proferida uma decisão final na investigação, prevista para o primeiro trimestre de 2016.

Segundo a companhia, o caso sob investigação não se refere a preços abaixo do custo de produção, mas sim à avaliação dos valores praticados no mercado norte americano comparados à atuação da empresa no mercado doméstico. Esta comparação, segundo a Suzano, sofre forte influência cambial dependendo do período de investigação.

Anteontem, a empresa informou que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos proferiu na quarta-feira decisão preliminar, em processo de investigação de dumping nas importações de certos tipos de papel não revestido provenientes da Austrália, Brasil, China, Indonésia e Portugal. O papel não revestido é usado em envelopes e páginas de livro, por exemplo.

10h35: Klabin (KLBN11, R$ 18,75, -6,25%)
A Aneel autorizou o adiamento do cronograma de implantação da Usina Termoelétrica Klabin Celulose, em Ortigueira (PR), segundo resolução publicada no Diário Oficial. A Klabin pediu postergação do cronograma de implantação citando dificuldades relacionadas à definição da composição acionária, estruturação financeira, revisão do escopo técnico da fábrica de celulose e complexidades nos estudos para conexão dessa usina, segundo documento da Aneel. A UTE tem potência instalada total de 330.000 kW.

10h34: Telefônica (VIVT4, R$ 37,62, -5,10%)
A Telefônica Vivo não está mais disposta a participar da consolidação do número de operadoras de telefonia no país, segundo o Valor Econômico. Segundo o joranl, a companhia quer tocar sua vida, do alto de seus R$ 70 bilhões de valor de mercado, e mira a Sky para ganhar força no que é menor em sua carteira de serviços: TV por assinatura. Em outras palavras, comprar a TIM no modelo tripartite – dividindo com Oi e Claro – não está em seus planos, no cenário atual. A compra da Sky seria uma operação do porte da GVT, entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões.

10h34: Brasil Pharma (BPHA3, R$ 0,63, -5,97%)
A Brasil Pharma teve seu rating de longo prazo rebaixado pela Fitch Ratings para ‘B+(bra)’ , de ‘BB(bra)’. A agência colocou o rating em observação negativa. Em comunicado, explicou o motivo do rebaixamento: “reflete a contínua incapacidade de a companhia retornar a uma geração de caixa operacional materialmente positiva e as maiores incertezas em relação à equalização de sua estrutura de capital em bases sustentáveis”.

Dólar sobe quase 2% ante real por preocupação com China e política local

Reuters – O dólar avançava cerca de 2 por cento em relação ao real nesta segunda-feira, ultrapassando 3,55 reais e acompanhando a intensa aversão ao risco nos mercados globais após as bolsas da China derreterem diante dos sinais de desaceleração da segunda maior economia do mundo e por preocupações com a crise política que atravessa o Brasil.

Às 9:47, o dólar avançava 1,55 por cento, a 3,5501 reais na venda. Na máxima da sessão, já chegou a 3,5700 reais, com alta de 2,12 por cento, próximo dos 3,5709 reais atingidos no último dia 6, maior pico intradia desde 5 de março de 2003 (3,5800 reais).

A divisa dos Estados Unidos também fortalecia contra as principais moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

“Os agentes internacionais esperavam que o banco central chinês anunciasse novas medidas no final de semana para dar suporte ao sistema financeiro. Como nada foi feito, as principais bolsas chinesas fecharam novamente com fortes quedas hoje, arrastando as demais praças para um pregão de perdas”, escreveu o operador da corretora SLW, em nota a clientes, João Paulo de Gracia Correa.

As bolsas de Xangai e Shenzhen desabaram mais de 8 por cento nesta sessão, reforçando o quadro de preocupações com a China, que vem afetando o apetite por ativos de risco, como aqueles denominados em reais, nos mercados globais.

No Brasil, preocupações políticas também atingiam o ânimo dos agentes financeiros, após o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, determinar que as contas de campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff e o PT sejam investigados por suposta prática de crimes, argumentando que há “vários indicativos” de que ambos foram financiados por propina desviada da Petrobras.

Os mercados financeiros têm sido profundamente afetados pelas incertezas em torno da permanência de Dilma no cargo até o fim de seu mandato. “Está cada vez mais difícil imaginar a luz no fim do túnel”, disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Mais tarde, o Banco Central dará continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em setembro, com oferta de até 11 mil contratos, equivalentes à venda futura de dólares.

(Por Bruno Federowski)