Educadores podem deflagrar nova greve contra Richa no próximo dia 29

Publicado em 14 agosto, 2015
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Assembleia lembrará a violência contra professores em 29 de abril de 2915 e 27 de agosto de
Assembleia lembrará a violência contra professores em 29 de abril de 2015 e 30 de agosto de 1988; educadores também deverão votar pelo retorno da categoria à greve contra Beto Richa.

Com atos em memória aos quatro meses do massacre dos professores de 29 de abril e aos 27 anos do massacre dos professores de 30 de agosto, a próxima assembleia da APP Sindicato, marcada para o dia 29 de agosto, deve reunir cinco mil pessoas, entre professores e servidores da educação, além de pais e estudantes, entidades sindicais e estudantis do estado. Entre as pautas trazidas pelos professores e que devem ser discutidas no dia, está o indicativo de greve pelo descumprimento de acordos firmados entre a categoria e o governo, no final do segundo semestre para assegurar o encerramento da greve da educação.

A manifestação terá início às 8h, na Praça Santos Andrade, e seguirá para a Praça 19 de Dezembro. A expectativa é que cinco mil educadores compareçam ao evento.

“Não será uma simples assembleia, mas um ato de luto e luta por duas datas marcantes não só na nossa história como professores, como também na história do estado do Paraná”, disse o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão.

Leão reforçou que junto com as ações em memória a truculência e a violência contra os professores e servidores da rede estadual de ensino, a assembleia definirá uma jornada de trabalhos de luta e protesto em manifestação aos atos e medidas adotadas pelo governo do estado contra a educação pública no Paraná.

“É um governo que já vinha em descrédito com a categoria e que, mesmo com tudo o que aconteceu, segue prejudicando professores, alunos, a educação do estado em nome de um “ajuste de contas” como gostam de chamar. O problema é que ninguém vê nem sabe para onde vai o dinheiro, o discurso é sempre de que não tem, e o povo, o estado paga essa conta”, avaliou o presidente da APP.

Hermes também falou ao Blog do Esmael sobre o descumprimento de acordos estabelecidos para o fim da greve da educação, em junho deste ano, e disse que a APP já toma medidas legais para coibir a “quebra de palavra” do governador.

“No caso do Programa de Desenvolvimento da Educação, o PDE, nós já entramos com uma liminar na justiça para assegurar não apenas o direitos dos inscritos e que aguardam para ingressar no mestrado, mas também a garantia de que a lei do PDE seja cumprida”, disse o líder sindical.

Indicativo de greve

Entre os professores a insatisfação é generalizada, principalmente após o anúncio do governo do estado de que cancelaria as turmas do Programa de Desenvolvimento da Educação, o PDE, de 2015.

“Fica o sentimento, a impressão de que não teremos mais direitos e benefícios até o fim deste mandato, deste governo. Isso desmotiva o profissional, nos causa medo e de certa forma, esse sentimento nunca é saudável para um professor, pois em sala de aula precisamos estar bem para passarmos coisas boas”, comentou ao Blog do Esmael,  professora de educação especial Claudia Cunha, do município de Barra do Jacaré, no norte do estado.

Para Claudia, a retomada da greve deve ser colocada em discussão na assembleia do dia 29. “Eu não teria nem retomado às aulas, afinal as promessas feitas no acordo eram vergonhosas”, disparou. A professora colocou em xeque outro acordo, esse com prazo para ser cumprido em outubro. “ O que vai acontecer quando chegar a hora de pagar os 3,45% da parcela do nosso reajuste em outubro?”, questionou.

Outra professora que estará presente na assembleia do dia 29 é Vera Prado,  de Mandaguari. Ela vem com uma certeza: “Voltamos para a sala de aula por respeito aos alunos, mas sou completamente a favor da retomada da greve”, garantiu a professora de língua portuguesa que disse estar indignada com o descumprimento dos acordos por parte do governo.

“Não sei com um político distribui ambulâncias em troca de favor, ao tempo que isola o ensino superior, a educação como um todo no estado. Se você olhar para a situação precária das universidades estaduais verá que o cancelamento do PDE é mais uma consequência do descaso do governo. Como se mantém um programa importante como o PDE com o sucateamento das universidades? Estive na UEM recentemente e senti vontade de chorar, em 2009 era um canteiro de obras, hoje o retrato do abandono”, analisou Vera.

O presidente da APP disse que a assembleia irá discutir com os professores ações e medidas que visem enfrentar, combater ações que prejudiquem tanto o acordo quanto a qualidade do ensino público no estado.

“Vamos discutir com todos os caminhos para a garantia do cumprimento dos acordos e para assegurar a preservação do sistema de ensino público em nosso estado. Por isso reforçamos a importância da participação de toda a comunidade nesta discussão, no nosso ato em 29 de agosto, precisamos somar, reunir pais, alunos, professores, servidores estaduais, a sociedade civil organizada em defesa da educação no nosso estado”, concluiu o presidente.

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