Por Esmael Morais

Coluna do Reinaldo de Almeida César: “Quem mandou bater nos professores? Fala, Francischini!”

Publicado em 26/08/2015

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Ainda pelas bandas da PM, outra boa nova trazida na solenidade de outorga de comendas e medalhas foi saber que a lista de agraciados com a mais alta honraria concedida pela PM, a Medalha Coronel Sarmento, pelo menos neste ano, parece ter sido mais criteriosa. Desta feita, corri os olhos e não vi na lista nenhum suposto primo.

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Por falar nos 161 anos da PM, vale lembrar que historiadores apontam a Polícia Civil e a Polícia Militar como os mais antigos órgãos públicos do Paraná, criados logo na sequência da emancipação política do Estado.

O triste é constatar que, passados quase dois séculos, a Polícia Civil do Paraná não possui sede administrativa própria, obrigando sua cúpula diretiva e servidores da alta direção à se sujeitarem a um prédio alugado, sem qualquer condição de trabalho e que, se observado algum rigor fiscalizatório, talvez nem alvará de funcionamento pudesse ter. Só falta agora me dizerem que a locação do imóvel teria sido renovada, a um custo altíssimo.

Para corroborar que as coisas começam a caminhar melhor, é só observar que boas figuras nas duas instituições começam a ser melhor aproveitadas, tendo havido o reconhecimento de suas formações, habilidades e currículos. Veja-se o exemplo do Coronel Pericles Mattos, que assumiu o Primeiro Comando Regional da PM e dos Delegados Rafael Vianna e Rogerio Lopes, o primeiro assumindo a chefia da especializada de Furtos e Roubos, e o segundo, emprestando sua vocação acadêmica na direção da Escola Superior de Policia Civil.

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Muito grave a revelação feita pelo Deputado Fernando Francischini (SSD), aqui no Blog do Esmael e pela TV 15, que ele até hoje não pode se manifestar nos autos da ação de improbidade proposta pelo Ministério Público e nem no inquérito militar que apuram o massacre de 29 de abril.

Como cidadão paranaense e como filho de professora aposentada da rede estadual, gostaria de saber, o mais detalhado possível, o que de fato ocorreu.

Não é uma curiosidade mórbida. É o legítimo desejo de ver processado e julgado quem, direta ou indiretamente, possa ser responsabilizado pelos tristes e covardes fatos ocorridos.

Deve-se assegurar, no Estado Democrático de Direito que vivemos, ao deputado Francischini e aos demais protagonistas daqueles episódios de triste memória, todos os espaços e instâncias, formais e informais, para que eles possam exercer, com amplitude e sem restrições, suas defesas e apresentar todos os esclarecimentos que julguem relevantes.

É preciso jogar luzes sobre os “canais de comando” que geraram a “maluquice política de mandar bater em professor”, expressões citadas pelo parlamentar na entrevista que concedeu ao Blog do Esmael.

Até porque, até onde se sabe, pela Constituição do Estado do Paraná, no art. 48, a polícia militar é fundada em rígidos princípios de hierarquia e disciplina. E os secretários de estado reportam-se diretamente ao governador, como estabelece o art. 90 da mesma Constituição.

Pelo princípio federativo, Dilma Rousseff nada comanda no Paraná. Nem Ban Ki-Moon.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.