Por Esmael Morais

Coluna do Reinaldo de Almeida César: 4 anos de “Paraná Seguro”

Publicado em 19/08/2015

É que se não temos uma reforma política de peso, que colocasse partidos e candidatos em igualdade de competição e melhorasse a representação popular, poderíamos ter, quando menos, uma mudança na postura dos candidatos a fim de que cumprissem aquilo que efetivamente se comprometeram quando se submeteram ao voto popular.

Bastaria que candidatos dissessem o que pretendiam fazer e, realmente, se eleitos, o fizessem, em vez de se apresentar em caríssimos programas de TV, dirigidos por marqueteiros pagos a peso de ouro, e com o rosto de photoshop estampado em coloridas peças visuais que mais parecem um pacote de M&M.

Nem precisa registrar em cartório. Como bem lembrou o decano do colunismo político do Paraná, Celso Nascimento, na Gazeta de domingo, bastaria o fio de bigode como aval dos compromissos de campanha.

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Há exatos quatro anos, mais precisamente em 16 de agosto de 2011, o Governador Beto Richa lançava em evento de grande prestígio e repercussão no Canal da Música, o Programa Paraná Seguro.

Em 2014, na campanha para o bi-mandato, Richa apresentou o Paraná Seguro como sendo o seu compromisso na área da segurança pública.

A partir de hoje, passados exatos quatro anos, vamos começar a analisar o que foi feito e o que deixou de ser feito, o que ainda está pendente de realização e que já foi concretizado na execução deste programa de governo, apresentado aos paranaenses como compromisso no setor de segurança pública, que levou o nome de Paraná Seguro.

Já disse e repito que o secretário Mesquita, o delegado-geral Julio Reis e o comandante Tortato são preparados e bem-intencionados. Resta saber se terão recursos e capacidade de investimento para cumprir metas do Paraná Seguro.

Todos sabem que não sou jornalista.

Escrevo neste espaço plural como um mero animador do debate sobre cidadania e segurança pública.

Ainda assim, procuro seguir à risca os preceitos ditados pelo mestre do jornalismo Mino Carta que, ao lado de Elio Gaspari, tem o mais escorreito texto do jornalismo nativo, mesmo sendo os dois, curiosamente, nascidos na Itália e tendo apreendido esta difícil língua que falamos, o português, somente quando aqui chegaram ainda muito jovens.

Para Mino Carta, é preciso ter fidelidade à verdade factual, exercício do espírito crítico e fiscalização do poder público.

É o que faremos, a partir de hoje, analisando o Paraná Seguro, quatro anos após seu lançamento.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.