Espectro do impeachment volta a rondar o Palácio Iguaçu

Publicado em 3 julho, 2015
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richa_impeachment_profsNa última segunda-feira, dia 29 de junho, dois meses após o covarde massacre dos professores no Centro Cívico, em Curitiba, promotores do Ministério Público do Paraná (MP) concederam entrevista coletiva para anunciar que ofereceram à Justiça denúncia contra o governador Beto Richa (PSDB) por improbidade administrativa, ou seja, crime de responsabilidade que pode cassar-lhe o mandato e os direitos políticos por 8 anos.

Dito isto, cada vez mais o espectro do impeachment ronda as imediações do Palácio Iguaçu, mesmo local que serviu para a ação violenta da polícia que deixou saldo de 213 feridos.

O blogueiro e advogado Tarso Violin Cabral, no último dia 25 de maio, protocolou o primeiro requerimento na Assembleia solicitando o impedimento do governador tucano. Para ele e um grupo de juristas, que subscreveram o documento, a ação de improbidade administrativa anunciada pelo Ministério Público contra Beto Richa, o ex-secretário da Segurança Pública, Fernando Francischini, e o alto comando da PM à frente das decisões do Massacre de 29 de abril, reforça a tese do impeachment.

Nesta sexta-feira (3) veio mais um elemento que poderá ser apensado a denuncia de improbidade do inquilino do Palácio Iguaçu: a Justiça determinou que Richa cessasse de mentir e fazer campanha contra professores no site oficial Agência Estadual de Notícia; o tucano vinha abusando da máquina pública para denegrir a imagem dos educadores que ainda lutam por melhores condições de trabalho e reposição inflacionária.

O pedido de impeachment de Tarso e a ação do Ministério Público é somente um lado da moeda, no que tange os malfeitos no governo Beto Richa. Essa coleção de improbidades administrativas diz respeito a apenas ao antes, durante e depois do massacre contra os profissionais do magistério.

Paralelamente, correm investigações de corrupção na Receita Estadual e no desvio de recursos destinados à construção de escolas, que eliminariam as salas superlotadas. O dinheiro saiu do caixa do estado, mas as obras sumiram. “Coincidentemente”, em todas essas falcatruas estão envolvidos amigos ou parentes do governador.

O governador Beto Richa já sofreu impeachment moral. O início da segunda gestão se parece mais com um fim de feira. É um salve-se quem puder sem precedentes na história política e policial do estado. As últimas sondagens da Paraná Pesquisas, de Murilo Hidalgo, atestam o fim melancólico do tucano.

De acordo com números desta semana, o governo Richa tem 85% de reprovação e seu nome figura na lanterna dentre os mais competitivos ao Senado. Amarga a quinta posição, o que poderá lhe render desempenho nas urnas inferior ao do comunista Ricardo Gomyde, em 2014, com uma diferença: o candidato do PCdoB não tinha a máquina na mão.

O temor de Beto Richa e palacianos não é com a sova nas eleições de 2018. Antes fosse, relatou esta semana o ‘Garganta Profunda de Londrina’. O desafio principal é terminar o longínquo mandato de 3,5 anos e evitar o impeachment. Mas o medo real é de ser preso durante a após deixar o Palácio Iguaçu. Por isso há grande possibilidade do governador lutar por uma vaga na Assembleia Legislativa, onde teria foro privilegiado e reforçaria a “Bancada do Camburão”.

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