Empresário acusa federações do G-7 de fazerem lobby para perpetuar ‘pedágio mais caro do mundo’ no PR

richa_pedagioO empresário toledano Antônio Lange, ex-presidente da Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná), em artigo especial para o Blog do Esmael, criticou neste sábado (4) o apoio das entidades representativas do setor produtivo, o G-7, à perpetuação do ‘pedágio mais caro do mundo’ nas rodovias do estado.

Lange acusa os dirigentes das principais federações de estarem mais interessados em construir rede de relacionamento com os poderosos do que defender o setor produtivo do Paraná. “A história dos pedágios no Paraná é um exemplo disso”, completa.

Nesta semana, o Blog do Esmael mostrou que o chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra (PSD), e a vice-governadora Cida Borghetti (PROS), com a anuência do governador Beto Richa (PSDB), foram a Brasília com o intuito de prorrogar os contratos das concessionárias do pedágio até 2050. Por ora, a missão bateu na trave (clique aqui).

No entanto, a perpetuação do ‘pedágio mais caro do mundo’ tem a reprovação das poderosas Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) e Fecoopar (Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná). Ou seja, houve um racha no G-7 neste debate.

A seguir, leia a íntegra do artigo especial de Antônio Lange:

O jornal Gazeta de Toledo na edição do dia 01/07/2015, na coluna Gente & Poder, traz notícia que a Faciap, juntamente com outras seis federações empresariais do Paraná, se reunirão com o ministro dos transportes Antônio Carlos Rodrigues, onde solicitarão que o governo federal prorrogue a concessão das rodovias federais do anel de integração ao Estado do Paraná.

Diante dessa declaração o colunista da Gazeta questiona: “mudou o pedágio no Paraná ou mudaram as federações?”

Mudaram as federações. Na verdade os dirigentes das federações nunca estiveram interessados em defender os empreendedores e empresários. Estão mais interessados em construir rede de relacionamento com os poderosos e conseguir alguma vantagem para si próprio e para um pequeno grupo. A história dos pedágios no Paraná é um exemplo disso.

Quando fui presidente da Caciopar, de 2001 a 2003, obtive cópia dos contratos de concessão das rodovias no Paraná. Fiz uma planilha demonstrando os equívocos dos contratos, onde demonstrava que o formato gerava grande prejuízo para os empresários paranaenses, prejudicando a competitividade e a produtividade. Viajei o Paraná dando palestra nas Associações empresariais na tentativa de fazer um movimento para melhorar o dispostos em tais contratos. Não encontrei apoio nas federações.

Passado 17 anos da concessão (1998-2015), esse martírio dos paranaenses vai até 2022, pois são 24 anos de concessão, o governo do estado se mostra ansioso por renovar a concessão. E estranhamente as federações que deveriam defender os empresários, resolvem apoiá-lo. E por quê? Qual a justificativa?

Que precisa aumentar a capacidade das rodovias, que precisa duplicar? Ora, o contrato inicial determinava a duplicação do trecho de Cascavel a Foz do Iguaçu em 8 anos, ou seja, já deveria ter terminado a duplicação em 2006. Mas houve aditivos contratuais retirando essas obrigações.

Então as federações deveriam, e se não o fizeram podem fazer agora, acionar o ministério público para anular o aditivo e responsabilizar o governante que o assinou, bem como determinar à concessionária a imediata duplicação. Essa é a saída.

Outra medida que o setor produtivo do Paraná pode tomar é solicitar ao Paraná devolver as rodovias federais ao governo federal antecipadamente, que seria o contrário do que estão fazendo.

O setor produtivo critica tanto os políticos, mas alguns líderes agem pior.

Antônio Aparecido Lange
Empresário de Toledo.

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