Por Esmael Morais

Coluna do Reinaldo de Almeida César: Fechar bares e “inferninhos” à noite para reduzir o crime em Curitiba

Publicado em 08/07/2015

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Mas, talvez, a área que possa render melhores parcerias da prefeitura de Curitiba com o governo do Paraná seja a segurança pública.

Vou desenhar as razões.

Em momentos de crise financeira como esta que atravessamos, a sinergia na segurança pública não demanda nenhum investimento adicional nos combalidos orçamentos públicos. Basta otimizar os recursos humanos já existentes e repensar prioridades nas obras já programadas.

Conheço muito bem os comandantes e dirigentes da Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. São, todos eles, profissionais muito capacitados e pessoas de fácil trato, com elevado espírito público.

Ações integradas e permanentes de órgãos estaduais e municipais, exercendo rigorosa fiscalização em bares, prostíbulos e pequenas pensões no degradado centro de Curitiba, conjugadas com repressão ao microtráfico (em especial, do crack), vistoriando alvarás de funcionamento, condições relativas à vigilância sanitária e identificando a presença indevida de menores naqueles lugares, podem representar a libertação e o resgate do centro de Curitiba, que parece ainda mais abandonado com a chegada do rigoroso inverno.

Tudo isso, como é óbvio, coadunando-se com as imprescindíveis ações sociais de acolhimento dos menores e da população vulnerável, de modo geral.

A Câmara de Vereadores, por seu turno, bem que poderia se debruçar na discussão de medidas para o fechamento de bares na periferia, a partir de determinados horários. Medida semelhante, em Diadema, fez reduzir em 90% o número de homicídios, que antes ocorriam no entorno dos bares e, via de regra, entre o final da noite e a madrugada.

A retomada do projeto da UPS em áreas carentes dos bairros periféricos, com efetivo apoio da PM aos policiais designados, ao lado de ações de revitalização, por parte da prefeitura e do governo do Estado, como iluminação pública, limpeza de terrenos, recuperação de praças e parques, implantação de contraturnos em escolas, incremento de vagas em creches e em cursos de ensino técnico, mudariam a realidade local, afastando a criminalidade.

O peso político e a liderança dos governos do estado e da prefeitura podem e devem mobilizar entidades classistas, clubes de serviço e CONSEGs, trazendo a sociedade organizada para a tarefa de reconstrução de uma vida comunitária na paz que tanto desejamos, em todos os quadrantes da cidade.

Este desafio de integração, aliás, está assentado com todas as letras no art. 144 da Constituição, pelo qual a segurança pública é um dever do Estado, mas é também responsabilidade de todos.

Porém, nesta tarefa, que toca a todos, só se consegue êxito com muito diálogo e integração, despindo-se de vaidades pessoais e esquecendo-se dos palanques da eleição.

Assim como fizeram Fruet e Ratinho.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.