Coluna do Reinaldo de Almeida César: Fechar bares e “inferninhos” à noite para reduzir o crime em Curitiba

Publicado em 8 julho, 2015
Compartilhe agora!

Reinaldo de Almeida César, em sua coluna desta quarta, defende a união entre Ratinho Júnior e Gustavo Fruet, em nome de benefícios para Curitiba, e os compara aos estadistas franceses François Mitterand e Jacques Chirac; colunista, que é delegado da Polícia Federal, propõe o fechamento mais cedo de bares e "inferninhos" da periferia visando reduzir crimes na capital; "Medida semelhante, em Diadema, fez reduzir em 90% o número de homicídios", explica o ex-secretário da Segurança Pública do Paraná; leia o texto e compartilhe.
Reinaldo de Almeida César, em sua coluna desta quarta, defende a união entre Ratinho Júnior e Gustavo Fruet, em nome de benefícios para Curitiba, e os compara aos estadistas franceses François Mitterand e Jacques Chirac; colunista, que é delegado da Polícia Federal, propõe o fechamento mais cedo de bares e “inferninhos” da periferia visando reduzir crimes na capital; “Medida semelhante, em Diadema, fez reduzir em 90% o número de homicídios”, explica o ex-secretário da Segurança Pública do Paraná; leia o texto e compartilhe.
Reinaldo de Almeida César*

A presença de Gustavo Fruet no Palácio Iguaçu, por esses dias, causou certo frisson na mídia nativa, estimulando curiosidade em alguns e provocando síncope cardíaca em outros tantos.

Pura e arrematada bobagem. Explico melhor.

Adversários nas últimas eleições municipais, o agora Secretário de Desenvolvimento Urbano, Ratinho Junior, convidou Gustavo Fruet, hoje Prefeito de Curitiba, para receber, em Palácio, autorizações de obras que somam mais de 16 milhões de reais em benefício da população da capital.

Ratinho Junior fez muito bem em convidar Fruet. O prefeito fez melhor ainda, aceitando o convite.

Cada qual ao seu estilo, os dois sabem manejar o bom diálogo, tendo ambos como qualidade – entre outras – sempre se apresentarem como realmente são, de forma autêntica e espontânea, sem qualquer salamaleque.

Em dezembro último, no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff recebeu Geraldo Alckmin para pactuar convênios que despejaram investimentos de mais de 3 bilhões, para obras hídricas e ampliação do metrô em São Paulo.

Já se perdeu a conta das vezes em que Fernando Hadad, prefeito do PT, esteve no Palácio dos Bandeirantes para firmar parcerias com Alckmin, governador do PSDB, em benefício dos paulistanos.

Passados poucos dias da última eleição, o governador eleito da Bahia, do PT, recebeu no Palácio de Ondina, o adversário de sempre, ACM Neto, prefeito de Salvador, do DEM, numa conversa que durou incríveis quatro horas. Ao cabo da tertúlia, anunciaram o compromisso de lutar juntos pelos interesses dos moradores da capital dos baianos, no que foram saudados pela mídia local como “Rui Correria” e “ACM Rapidez”, tamanho foi o entusiasmo com a presteza e o resultado do encontro.

A França, admirável país que nos legou seus ideais libertários e iluminou os caminhos da democracia no ocidente, teve um período de 9 anos da chamada “cohabitation”, quando as cadeiras de presidente da república e primeiro-ministro eram ocupadas, ao mesmo tempo, por ferrenhos adversários políticos, assim como ocorreu nos mandatos de François Mitterand e Jacques Chirac, depois com Mitterand e Edouard Balladur e, por fim, com Jacques Chirac e Leonel Jospin.

Neste período, a França se desenvolveu de forma extraordinária na economia, com enormes ganhos sociais para sua população.

Precisamos, por aqui, nesta terra das araucárias, resgatar as virtudes republicanas.

Como paranaense de nascimento e curitibano por adoção, ainda espero ver Ratinho Junior e Gustavo Fruet juntos, muitas outras vezes.

***

Mas, talvez, a área que possa render melhores parcerias da prefeitura de Curitiba com o governo do Paraná seja a segurança pública.

Vou desenhar as razões.

Em momentos de crise financeira como esta que atravessamos, a sinergia na segurança pública não demanda nenhum investimento adicional nos combalidos orçamentos públicos. Basta otimizar os recursos humanos já existentes e repensar prioridades nas obras já programadas.

Conheço muito bem os comandantes e dirigentes da Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. São, todos eles, profissionais muito capacitados e pessoas de fácil trato, com elevado espírito público.

Ações integradas e permanentes de órgãos estaduais e municipais, exercendo rigorosa fiscalização em bares, prostíbulos e pequenas pensões no degradado centro de Curitiba, conjugadas com repressão ao microtráfico (em especial, do crack), vistoriando alvarás de funcionamento, condições relativas à vigilância sanitária e identificando a presença indevida de menores naqueles lugares, podem representar a libertação e o resgate do centro de Curitiba, que parece ainda mais abandonado com a chegada do rigoroso inverno.

Tudo isso, como é óbvio, coadunando-se com as imprescindíveis ações sociais de acolhimento dos menores e da população vulnerável, de modo geral.

A Câmara de Vereadores, por seu turno, bem que poderia se debruçar na discussão de medidas para o fechamento de bares na periferia, a partir de determinados horários. Medida semelhante, em Diadema, fez reduzir em 90% o número de homicídios, que antes ocorriam no entorno dos bares e, via de regra, entre o final da noite e a madrugada.

A retomada do projeto da UPS em áreas carentes dos bairros periféricos, com efetivo apoio da PM aos policiais designados, ao lado de ações de revitalização, por parte da prefeitura e do governo do Estado, como iluminação pública, limpeza de terrenos, recuperação de praças e parques, implantação de contraturnos em escolas, incremento de vagas em creches e em cursos de ensino técnico, mudariam a realidade local, afastando a criminalidade.

O peso político e a liderança dos governos do estado e da prefeitura podem e devem mobilizar entidades classistas, clubes de serviço e CONSEGs, trazendo a sociedade organizada para a tarefa de reconstrução de uma vida comunitária na paz que tanto desejamos, em todos os quadrantes da cidade.

Este desafio de integração, aliás, está assentado com todas as letras no art. 144 da Constituição, pelo qual a segurança pública é um dever do Estado, mas é também responsabilidade de todos.

Porém, nesta tarefa, que toca a todos, só se consegue êxito com muito diálogo e integração, despindo-se de vaidades pessoais e esquecendo-se dos palanques da eleição.

Assim como fizeram Fruet e Ratinho.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.

Compartilhe agora!

Comments are closed.