Audiência pública na Câmara discute ‘fracking’ para obter de gás do xisto

frackingA Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados realiza hoje (2) pela manhã uma audiência pública para debater o projeto de Lei 6904/2013 que propõe a suspensão da exploração do fracking no Brasil por 5 anos. A audiência será às 9h30 e poderá ser acompanhada ao vivo pela Internet e com interação da sociedade através do Portal e-Democracia.

O fracking, ou fraturamento, é uma tecnologia desenvolvida para a extração do gás do xisto, através da perfuração profunda do solo para inserir uma tubulação por onde é injetada grande quantidade de água e solventes químicos.

Nos locais onde o fracking foi adotado, já há estudos que comprovam a escassez e contaminação da água, infertilidade do solo e poluição do ar, bem com severos danos à Saúde dos moradores, dos funcionários das empresas exploradoras e de toda a biodiversidade no entorno dos poços.

Nos últimos anos, crescem a cada dia os protestos contra o fracking (No Fracking) na Inglaterra, nos Estados Unidos, no sudeste da Austrália, Argélia e na Argentina e Uruguai. Em muitos casos, pequenas comunidades estão conseguindo atrasar ou complicar os planos de extração. No Paraná, mais de 100 municípios podem sofrer com a exploração do gás.

“Até nos Estados Unidos se começa a repensar o uso do fracking, que inclusive já foi banido em diversos países. O fracking representa uma ameaça real à vida das pessoas, contaminando a água, a terra, prejudicando a economia e deixando um rastro de destruição permanente e irreversível. O Brasil não precisa do fracking”, alerta Juliano Bueno de Araujo, coordenador da Coesus (Coalização Não Fracking Brasil) e que estará compondo a mesa de debates na audiência pública.

Mesmo diante de tantos alertas sobre os perigos do fracking como alternativa energética, o governo brasileiro autorizou a Agência Nacional de Petróleo (ANP) a leiloar 240 blocos de exploração em 2013 e para este ano já anunciou que vai leiloar, em Outubro, mais 269. Para a 13ª Rodada, há blocos em cima dos Aquíferos Serra Grande e Guarani no Paraná e São Paulo, próximos ao arquipélago de Abrolhos, na Bahia, e na parte sul da floresta amazônica, já no Acre.

Toledo e Cascavel

Ano passado, a Coesus (Coalização Não Fracking Brasil) realizou dezenas de audiências públicas pelo país e conseguiu, por meio de leis municipais, que 55 cidades brasileiras proibissem o fracking – quase todas no Paraná, onde estão nossas maiores reservas de gás de xisto. Nas cidades de Toledo e Cascavel, no Oeste do Estado, houve uma expressiva mobilização em protesto contra o fracking na região, entendendo que haveria prejuízos irreversíveis para a agricultura, pecuária e bem estar da população. Mais de 100 mil paranaenses já foram às ruas para pedir a proibição do fracking na região. No total, 123 cidades do Paraná serão atingidas pelo fracking.

“Agora, estamos nos mobilizando para barrar o leilão da 13ª Rodada da ANP. Não é possível aceitar que num país com tantas potencialidades de energias limpas e renováveis, o governo brasileiro opte pela tecnologia mais destrutiva, devastadora ambientalmente e obsoleta”, afirmou o coordenador da Coesus.

Também estará em Brasília a diretora da 350.org/Brasil, Nicole Oliveira, representante no país do movimento global que visa resolver a crise climática. “Vivemos uma intensificação dos eventos climáticos no planeta, como tufões, enchentes e variações radicais do clima, todos eles agravados pelo fracking. Precisamos nos mobilizar para impedir a utilização desta tecnologia no Brasil”, ressaltou Nicole.

Fonte: Coalização Não Fracking Brasil

 

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