Em meio à greve de professores, suspeita de corrupção derruba cúpula da Secretaria da Educação no Paraná

Jaime Sunye, que denunciou suposto esquema na Educação envolvendo mais um amigo do governador, levou "xeque-mate" de Beto Richa que o demitiu da superintendência da SUDE; Maurício Fanini, parceiro de partida de tênis no Graciosa Country Club, também foi defenestrado da presidência da Fundepar; malfeito teria ainda a participação de fiscais da Paraná Educação; os três órgãos têm em comum o vínculo com a Secretaria de Estado da Educação (SEED); exonerações teriam ocorrido de forma sumária numa “operação abafa” do Palácio Iguaçu nas vésperas da assembleia geral da APP-Sindicato, na terça-feira (9), que vai decidir ou não pelo fim da greve dos educadores.

Jaime Sunye, que denunciou suposto esquema na Educação envolvendo mais um amigo do governador, levou “xeque-mate” de Beto Richa que o demitiu da superintendência da SUDE; Maurício Fanini, parceiro de partida de tênis no Graciosa Country Club, também foi defenestrado da presidência da Fundepar; malfeito teria ainda a participação de fiscais da Paraná Educação; os três órgãos têm em comum o vínculo com a Secretaria de Estado da Educação (SEED); exonerações teriam ocorrido de forma sumária numa “operação abafa” do Palácio Iguaçu nas vésperas da assembleia geral da APP-Sindicato, na terça-feira (9), que vai decidir ou não pelo fim da greve dos educadores.

O governador Beto Richa (PSDB) exonerou na quarta-feira (3) seu amigo Maurício Jandoi fanini Antonio da presidência do Instituto de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), autarquia recriada sem muito alarde no início de 2015. Antes, porém, o moço ocupara a diretoria de Engenharia, Projetos e Planejamento da SUDE (Superintendência de Desenvolvimento Educacional).

O decreto nº 1602 que demite o colaborador e amigo do tucano será publicado no Diário Oficial do Estado nº 9466, desta segunda-feira, dia 8 de junho, véspera da assembleia geral dos professores e funcionários de escola em greve que lutam pela reposição de 8,17% na data-base.

A SUDE e a Fundepar são órgãos vinculados diretamente à Secretaria de Estado da Educação (SEED), que tem como tarefa zelar pelo bom funcionamento da infraestrutura nas 2,1 mil escolas da rede pública estadual. Pois bem, é aí que a porca começa torcer o rabo.

O demitido é suspeito de cometer desvios de recursos que seriam destinados à construção e reforma de escolas. Na lista de sacanagens estaria o pagamento a empreiteira de obras que nunca existiram. Segundo uma fonte do Palácio Iguaçu, o “valor” ainda está sendo periciado. O esquema também teria a participação de fiscais de uma terceira autarquia ligada à SEED, a Paraná Educação, que acabou incorporando as funções da extinta Secretaria de Obras (SEOP).

Maurício Fanini é amigo e parceiro de partida de tênis do governador no Graciosa Country Club. Ele foi diretor de Pavimentação na Prefeitura de Curitiba quando Beto Richa era secretário de Obras, na gestão de Cássio Tanighuchi (DEM), de quem o tucano fora vice-prefeito, o início dos anos 2000.

Bem relacionado com o governador, o ex-diretor da SUDE e ex-presidente da Fundepar também tinha uma boquinha de conselheiro de administração na Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná). Em 2013, Fanini relatou em reunião da empresa aluguel de salas comerciais, no valor de R$ 14 milhões, em favor de um dos doadores na campanha do amigo na eleição de 2010.

Nessa intrincada história quem também levou “xeque-mate” foi o superintendente da SUDE, o enxadrista Jaime Sunye, que denunciou o esquema do amigo do governador a seus superiores. A exoneração do denunciante aparecerá no decreto nº 1601, que também será publicado no Diário Oficial desta segunda-feira.

Mas que diabo tem Sunye como amigo do governador Beto Richa? Nada. Foi o autor das denúncias das supostas estripulias de Fanini.

“Eu descobri alguns equívocos e os levei aos meus superiores”, confirmou ao Blog do Esmael o ex-superintendente Jaime Sunye sem dar detalhes do processo administrativo interno na SEED. “Houve desvio de conduta”, sentenciou.

O enredo é recheado de “coincidências”, de acordo com a fonte palaciana. Primeiro, o ex-superintendente da SUDE levou o caso ao então secretário da Educação, Fernando Xavier, que foi demitido; depois, recorreu ao Procurador-Geral do Estado, Ubirajara Ayres Gasparin, que também foi defenestrado do cargo.

Sem respostas concretas à denúncia que fez, Jaime Sunye foi à secretária interina da Educação, Ana Seres Comin, que levou o caso ao governador Beto Richa. Para surpresa geral, o denunciante e o denunciado foram colocados dentro do mesmo saco e atirados ao mar.

Seria a solução encontrada por Beto Richa para encobrir mais um escândalo, às vésperas da assembleia dos educadores em greve?

A diretora de Informação e Planejamento Vanda Dolci Garcia assumiu interinamente a superintendência da SUDE. Na campanha de reeleição, ela virou sensação por 15 minutos quando um documento do candidato para área, publicado num jornal, dizia “ver com a Vanda quais são os números”.

As suspeitas de corrupção na área educacional envolvendo mais um amigo do governador se somam às denúncias de propina na Receita Estadual, que também tem um amigo de corrida das 500 Milhas, bem como as de pedofilia com um ex-assessor e amigo de Londrina.

Mas diante de mais essa história cabeluda não dá para deixar de protestar: enquanto os educadores lutam pelo direito de receber reposição inflacionária de 8,17%, o que é lei e lhes é negado, o dinheirinho que poderia resolver o impasse da greve escorre pelo ralo da corrupção para os amigos próximos ao governador Beto Richa.

Que fazer? A quem recorrer? A educação pede socorro!

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