Artigo especial de João Arruda: Falta ‘colhões’ ao governador Beto Richa

arruda_colhoesJoão Arruda*

No Paraná, falta ao governador Beto Richa (PSDB), herdeiro e destruidor de um patrimônio político construído por um dos mais respeitados democratas das últimas décadas, seu pai, José Richa, aquilo que Collor de Mello disse, quando presidente: “colhões, aquilo roxo”. Não toma decisões e aceita tudo sem, antes, fazer um minucioso estudo. Há, quem sustente, que quem manda no governo é seu chefe de gabinete, o jornalista Deonilson Roldo.

Foi o que aconteceu com o projeto de ajuste fiscal que enviou à Assembleia Legislativa, feito nas coxas, por um forasteiro, Ricardo Costa, que virou secretário de Finanças. Importou da Bahia ou São Paulo, ninguém sabe, também não importa, sem qualquer conhecimento da estrutura do estado e de seus habitantes. Não se preocupou em ouvir a sociedade, achando que poderia passar por cima de tudo como rolo compressor. Deu no que deu.

Com mão de ferro fez com que o funcionalismo engolisse, goela abaixo, reestruturação do ParanáPrevidência para poder sacar perto de R$ 8 bilhões do fundo previdenciário e saldar dívidas que já somam mais de R$ 3 bilhões. Foi um desastre. O funcionalismo, amparado pela maioria de professores, foi à frente do Legislativo paranaense protestar e foi um horror: pancadaria, violência e desgaste ao governador.

A greve que ultrapassou 40 dias impedindo que mais de um milhão de jovens paranaenses frequentassem as salas de aula. O governo sustenta que deu reajustes acima das capacidades de gastos do estado e o funcionalismo reclama reposição salarial de inflação de 8,17%. Richa ofereceu 3,45%, negociado em várias vezes e, é claro, não aceito pela categoria.

Richa perdeu a mão, perdeu a comunicação e viu pipocar nas redes sociais clips e vídeos com coro de “fora Richa”, música, para ele, de mau gosto que não estava acostumado a ouvir. Não podia sair nas ruas, ir ao shopping, a uma exposição de agronegócios. Só não entrou em depressão porque ainda é jovem e está amparado por um bando de áulicos que ainda insiste em seu potencial para presidir a República.

*João Arruda é deputado federal pelo PMDB, coordenador da bancada paranaense em Brasília.

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